Fria, calculista e com sede de vingança. Assim é Sílvia, personagem de Nathalia Dill em "Joia Rara". Vilã da trama das 18 horas da TV Globo, a atriz conta que a moça será uma das únicas a sentir raiva de Pérola, interpretada pela pequena Mel Maia. Sem nenhum tipo de sentimento, Sílvia passará por cima de todos para destruir Ernest (José de Abreu), o grande culpado pela prisão de seu pai, já falecido.
Na opinião da atriz, somente um grande amor mudará o jeito duro de ser de Sílvia, que encara a vida com mágoas e ressentimentos. Mas, enquanto isso não acontece, o que ela promete é muita cena de conspiração em prol da reparação de uma injustiça ocorrida no passado.
Sílvia trabalha na joalheria de Ernest (José de Abreu) e é aliada de Manfred (Carmo Dalla Vecchia). No fundo eles se gostam ou estão unidos somente em prol da vingança contra Ernest?
Nathalia Dill - Na verdade, eles são reféns um do outro, não se escolheram. Um tem o rabo preso com o outro e o destino acabou unindo os dois. Se um pisar na bola, o outro denuncia e vice-versa. Essa é a relação deles. Ali não existe carinho, afeto. É uma aliança de circunstância.
Depois que o pai morre, a sede de vingança de Sílvia se tornou ainda maior, correto?
Nathalia - A Sílvia sempre teve amor pelo pai e foi para a fábrica de Ernest prometendo vingança, que é justamente o que ela fala na cena quando Ernest lê a notícia no jornal sobre a morte do pai dela e ainda debocha do que aconteceu. Sílvia corre para outra sala, chora e promete vingança. O único lado que ela tem de sensibilidade é o amor pelo pai. Ela quer destruir Ernest, a família Hauser toda e não vai medir esforços para conseguir isso. Sílvia não tem compaixão por nada. Ela só tem emoção com os assuntos relacionados ao pai. É racional e calculista o tempo todo.
É possível que mais para o final da trama Sílvia, depois de conseguir se vingar da família Hauser, tenha um momento de redenção?
Nathalia - Talvez sim, mas será bem mais para o final da trama Aí pode ser que ela tenha uma redenção. Ela detesta toda a família Hauser, até mesmo a doce Pérola (Mel Maia). Ela não gosta de estar ali naquela família, de trabalhar naquela fábrica, onde está por pura vingança. Ela vai se envolver com o personagem do Rafael Cardoso (Viktor), filho do Ernest. Eles se apaixonam. Talvez o novo amor a transforme e proporcione o momento de redenção.
Você vem de um trabalho totalmente diferente, que foi em "Avenida Brasil". O que é mais desafiador com a nova personagem?
Nathalia - A vingança. É incrível manter sempre presente, de alguma forma, essa vingança. E o bacana é que tem um amor por trás dessa vingança, que é o que ela sente pelo pai. É o amor pelo pai que move Sílvia a se vingar de Ernest. É difícil manter esse sentimento até o final.
Na hora de compor a sua vilã, procurou algumas referências?
Nathalia - Assisti a muitos filmes antigos e com personagens de mulheres fortes, sempre obras envolvendo a época em que se passa a novela. Como Sílvia aprendeu a fazer joias, eu fiz aulas de desenho de joias, vendo um pouco do panorama da época. Foi a direção da novela que me propôs isso.
"Joia Rara" traz à tona o tema do budismo. Você já conhecia algo sobre isso?
Nathalia - Eu não tenho religião, mas acredito em todas. Já fiz novela que abordava o catolicismo e aprendi a rezar; participei de outra com o tema espiritismo e agora estou no núcleo budista. Estou passando por todas as religiões.