Tribuna do Leitor

O direito de viver


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O ser humano é um animal dominador, é um animal que domina outros animais. Mas o ser humano possui racionalidade e, por isso, consegue e deve refletir sobre os meios usados para a dominação, pois nem toda forma de dominação é moralmente aceitável. Os animais sempre foram explorados pelo homem como meio de transporte, alimentação e também para experiências científicas. Atualmente, entretanto, com o crescimento do ambientalismo, o ser humano está desenvolvendo uma ética de maior respeito com a natureza, de maior valorização da vida como um todo.

A visão positivista da ciência, que ganhou força com o filósofo Augusto Comte, hoje é fortemente criticada. Após a invenção da bomba atômica, por exemplo, a sociedade mundial começou a questionar os limites éticos do desenvolvimento tecnológico. Tal questionamento respalda-se pelo direito de viver, este direito que não é só humano, mas que pertence a todos os seres que são viventes, o que inclui os animais.

Diante desse debate ambientalista e pela defesa do direito de viver, é preciso que as lideranças políticas e econômicas se abram para um diálogo bioético sério com as comunidades científicas, especialmente as que fazem pesquisas com animais, e com a sociedade de modo geral. O direito de viver é do interesse de todos, pois se os mais frágeis não forem respeitados, quer seja um bebê humano ou um filhote de animal, então toda a nossa ética e legislação precisarão ser revistas.

Wellington Anselmo Martins

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