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Projeto do Horto e Unesp produz móveis públicos

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Quioshi Goto

Estudantes caminham pelo Horto Florestal em dia de workshop sobre projeto em parceria com a Unesp

Móveis com design moderno, resistentes e feitos em madeira poderão, em breve, ocupar espaços públicos de Bauru. É essa a intenção de um projeto elaborado por uma parceria entre a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a Estação Experimental de Bauru, mais conhecida como Horto Florestal.

Iniciada há dois anos e meio, a proposta tem como objetivo produzir bancos, mesas, espreguiçadeiras e até mesmo lixeiras em madeira de reflorestamento para trazer conforto e beleza para praças, parques e outras áreas públicas de lazer. O primeiro espaço que deverá receber as peças é o próprio Horto, no setor de livre acesso destinado à recreação.

Ainda não há, no entanto, prazo para que isso aconteça, já que a produção ainda é feita em pequena escala. “As peças serão instaladas de acordo com a produção e deve demandar algum tempo porque contamos apenas com alguns funcionários e alunos”, pondera o chefe da seção da Estação Experimental de Bauru, José Arimatéia Rabelo Machado.

Todas as peças são produzidas a partir de eucaliptos de reflorestamento das espécies citriodora e saligna, retiradas da própria Estação Experimental. Por meio do projeto de extensão que recebeu o nome de Muda Design, os protótipos em três dimensões são desenvolvidos digitalmente por alunos do curso de design da Unesp.

Quando aprovadas e selecionadas, as peças são, de fato, produzidas. Na fase inicial, a madeira é cortada e preparada com a ajuda da mão de obra especializada dos funcionários e equipamentos existentes no Horto. A etapa final é executada no laboratório didático da própria Unesp, para processamento e acabamento mais preciso do mobiliário.

 

Malavolta Jr.

Móveis feitos em madeira têm o design moderno como característica

Primeiros frutos

Atualmente, o projeto conta com cerca de sete protótipos diferentes, desenvolvidos com base em critérios como resistência, ergonomia, sustentabilidade, multifuncionalidade, facilidade de manutenção e montagem e desmontagem.

Um deles é um banco hexagonal, produzido em módulos, que em breve irá substituir a “roda da conversa”, um banco antigo que fica a céu aberto, onde o Horto desenvolve atividades de educação ambiental para crianças de escolas da cidade.

“Os projetos são bastante sofisticados, mas, para ampliarmos sua abrangência para outros parques e praças, precisamos estabelecer parcerias. Uma ideia é apresentar este projeto para a prefeitura”, revela o professor do curso de design da Unesp que coordena o estudo, Tomás Queiroz Ferreira Barata.

Mas a iniciativa já deve render seus primeiros frutos por meio de outro trabalho, o “Workshop Mobiliário 50s”, que está sendo desenvolvido nesta semana no Horto Florestal. Inspirada na experiência que já vem sendo executada, a proposta é produzir diversos móveis para ocupar a área comum localizada entre as salas de aula do curso de design da Unesp.

A iniciativa conta com apoio de alunos do Muda Design e participação de 25 estudantes da Unesp e de outras instituições da cidade. “Eles irão acompanhar todo o processo de produção, desde o corte da árvore, e participarão da montagem das peças. A maioria delas já está pré-cortada e tudo fica pronto até quinta-feira”, adianta Barata.

Outro projeto desenvolvido por outro grupo de alunos do curso de design da Unesp é iniciar a produção de placas feitas em madeira e materiais recicláveis para sinalizar e identificar as espécies de árvores que podem ser visualizadas nas trilhas ecológicas do Horto.


 

Quioshi Goto

Tomás Barata, professor da Unesp, e José Arimatéia Machado, chefe da Estação Experimental

‘Laboratório’

Fechada há cerca de seis anos, a antiga sede da Estação Experimental de Bauru, construída na década de 1930, poderá abrigar um “laboratório” de madeira, conforme revela o chefe da seção da unidade, José Arimatéia Rabelo Machado.

De acordo com ele, o Horto e a Unesp deverão desenvolver um projeto para revitalizar o imóvel e ocupá-lo com atividades de marcenaria, fábrica de móveis e exposição das peças.

Mas, para tanto, seria necessário reivindicar recursos junto ao governo do Estado. “Nossa ideia é poder, ainda, recuperar a praça que fica em frente à casa, colocando móveis e transformando-a em um espaço de visitação pública”, conclui.

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