Regional

MST ocupa Prefeitura de Iacanga

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 2 min

Quioshi Goto

Cerca de 200 famílias estão acampadas numa estrada municipal desde setembro passado

Um grupo de cerca de 150 membros do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) de Iacanga ocupou pacificamente a prefeitura da cidade na tarde de ontem. O motivo da manifestação foi o pedido de liminar de reintegração de posse feito pelo prefeito, deferido anteontem, que determina a “liberação” da estrada municipal Iac-010, continuidade da avenida São João, atualmente ocupada parcialmente por acampamentos.

A reportagem do Jornal da Cidade esteve no local e apurou que tudo começou no dia 7 de setembro, quando mais de 200 famílias montaram seus alojamentos na estrada. O motivo desta ocupação seria a promessa do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em ceder ao MST a área de uma fazenda do antigo Frigorífico Mondelli, atualmente em negociação com o Banco Indusval.

Sem poder entrar na propriedade, eles resolveram ficar ali, às margens da via, onde passam dezenas de caminhões, bitrens e até treminhões carregados durante o dia todo. Uma conversa amigável entre representantes do movimento e o prefeito chegou a um acordo inicial de 30 dias de permanência.

“O que nos preocupa é que lá passam muitos caminhões e até bitrens carregados com cana-de-açúcar. Eles não obstruíram a via, mas estão usando a metade dela. Eles nos explicaram essa situação, mas não mostraram nenhum documento do Incra. Demos 30 dias e mais 30 de tolerância, então entrei com pedido de liminar de reintegração de posse, pedindo que eles deixem o local em 24 horas”, esclareceu o prefeito Francisco Donizeti dos Santos, o “Chico do Bordado”.


16h

O pedido de liminar começou a valer às 16h da tarde de quinta-feira. Exatamente às 16h da tarde de ontem, os integrantes do movimento ocuparam a prefeitura, pedindo para conversar novamente com o prefeito.

“É um processo que já está montado no Incra. Essa terra está sendo reivindicada pelo MST de Iacanga e há uma grande resistência da administração em tirar eles (famílias), da estrada. Essa propriedade está sendo reivindicada porque há em uma grande dívida com a União e com o poder local. Ela está sendo reivindicada pela lei 433, que dá a desapropriação da área. O Incra já se comprometeu em fazer uma audiência com o banco para transformar essa terra em assentamento”, explicou o assessor do MST em Iacanga, Eduardo Cunha.

O vereador Bruno Borba Ciriaco (PC do B), salientou que está acompanhando o caso para que não aconteça a “distorção” dos fatos. “Minha ideia é desmistificar a má imagem que o movimento tem perante alguns da sociedade, sofrendo muitas vezes preconceito e humilhação”.

 

Comentários

Comentários