Quioshi Goto |
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Cerca de 200 famílias estão acampadas numa estrada municipal desde setembro passado |
Um grupo de cerca de 150 membros do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) de Iacanga ocupou pacificamente a prefeitura da cidade na tarde de ontem. O motivo da manifestação foi o pedido de liminar de reintegração de posse feito pelo prefeito, deferido anteontem, que determina a “liberação” da estrada municipal Iac-010, continuidade da avenida São João, atualmente ocupada parcialmente por acampamentos.
A reportagem do Jornal da Cidade esteve no local e apurou que tudo começou no dia 7 de setembro, quando mais de 200 famílias montaram seus alojamentos na estrada. O motivo desta ocupação seria a promessa do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em ceder ao MST a área de uma fazenda do antigo Frigorífico Mondelli, atualmente em negociação com o Banco Indusval.
Sem poder entrar na propriedade, eles resolveram ficar ali, às margens da via, onde passam dezenas de caminhões, bitrens e até treminhões carregados durante o dia todo. Uma conversa amigável entre representantes do movimento e o prefeito chegou a um acordo inicial de 30 dias de permanência.
“O que nos preocupa é que lá passam muitos caminhões e até bitrens carregados com cana-de-açúcar. Eles não obstruíram a via, mas estão usando a metade dela. Eles nos explicaram essa situação, mas não mostraram nenhum documento do Incra. Demos 30 dias e mais 30 de tolerância, então entrei com pedido de liminar de reintegração de posse, pedindo que eles deixem o local em 24 horas”, esclareceu o prefeito Francisco Donizeti dos Santos, o “Chico do Bordado”.
16h
O pedido de liminar começou a valer às 16h da tarde de quinta-feira. Exatamente às 16h da tarde de ontem, os integrantes do movimento ocuparam a prefeitura, pedindo para conversar novamente com o prefeito.
“É um processo que já está montado no Incra. Essa terra está sendo reivindicada pelo MST de Iacanga e há uma grande resistência da administração em tirar eles (famílias), da estrada. Essa propriedade está sendo reivindicada porque há em uma grande dívida com a União e com o poder local. Ela está sendo reivindicada pela lei 433, que dá a desapropriação da área. O Incra já se comprometeu em fazer uma audiência com o banco para transformar essa terra em assentamento”, explicou o assessor do MST em Iacanga, Eduardo Cunha.
O vereador Bruno Borba Ciriaco (PC do B), salientou que está acompanhando o caso para que não aconteça a “distorção” dos fatos. “Minha ideia é desmistificar a má imagem que o movimento tem perante alguns da sociedade, sofrendo muitas vezes preconceito e humilhação”.
