A humanidade é ainda bem jovem, tem apenas algumas centenas de milhares de anos, creio que vive atualmente um período de puberdade. Afirmo isso porque nossas sociedades são baseadas na violência e na competição; talvez, um dia, mais envelhecidas, tenhamos sociedades baseadas no respeito mútuo. Para essa evolução, embora a natureza nos faça desiguais, é preciso fornecer a todos o acesso à escola e a educação, portanto, aos meios através dos quais se possa construir a própria pessoa, que é a finalidade da vida. Mas, cabe à família, bem antes da criança colocar os pés na escola, ensinar a ela bons hábitos, a diferença entre o certo e o errado e as regras de como se relacionar com os outros. O ser humano é como uma árvore, um arranhão no galho de uma árvore crescida, marca apenas esse galho; mas um minúsculo arranhão em uma semente, influenciará o crescimento da árvore inteira.
Na escola, além de aprender a ler e a escrever, a pessoa precisa saber se expressar oralmente, conhecer como funciona nosso sistema político e econômico, entender o mundo em que vivemos. É urgente que cada pessoa do planeta Terra tome consciência do drama humano que, infelizmente, se intensifica na medida em que o tempo passa. Para a escola, educar não deve ser apenas aprender aptidões para prover o sustento, é aprender a entender a própria vida. A verdadeira educação é aquela que penetra fundo no interior da pessoa, capacitando-a a usar a informação que absorveu para se tornar mais produtiva, para sensibilizar a si mesma e a se comprometer com um bem maior que os seus próprios desejos.
Para a escola, educar significa dar ao aluno a habilidade de tirar conclusões, de inferir crenças e de aprender com os erros. Infelizmente, muitas escolas continuam firmemente embasadas no modelo de aprendizagem que enfatiza fatos e desvaloriza o fazer. Como se aprende melhor fazendo, os estudantes devem ter coisas reais para fazer, através das quais adquirirão sua própria base. Essa separação entre a teoria e a prática é muito perniciosa; a teoria nunca pode estar distante da sua aplicação. Quando se diz: ser educado é saber "coisas", fica implícito que fornecer informações é o papel da educação. É claro que não faz mal nenhum saber "coisas". O que realmente faz mal é assumir a posição de que, já que essas "coisas" devem ser conhecidas, educar é simplesmente ensiná-las, isso torna a escola um lugar bastante estressante e, por conta disso, até violento.
Os fatos não são a base do aprendizado e dominá-los não quer dizer absolutamente nada sobre a educação de uma pessoa. Os fatos acabam assumindo um papel relevante no sistema educacional porque são muito fáceis testá-los. O que a maioria dos alunos aprende, até seu ingresso no ensino superior, é fruto de um enfadonho processo de memorização. Mas decorar algo não significa ser capaz de lembrar daquela informação mais tarde quando ela lhe poderia ser útil. Decorar não significa ter conhecimento sobre as coisas decoradas. Isso só é útil para passar nas provas da forma como elas são elaboradas e, eventualmente, para impressionar os colegas de classe.
Quando para resolver um exercício o aluno precisa seguir a receita dada pelo professor, ele não está conseguindo raciocinar e aplicar o que lhe foi ensinado em um outro contexto. Para o aluno não é suficiente apenas aprender como agir em determinada situação, é preciso que ele saiba, também, como generalizar a lição que aprendeu para que ela se aplique em outras situações. Se ele não for capaz de fazer isso, adquiriu uma coleção estreita de informações não relacionadas, úteis apenas em situações específicas e inúteis em qualquer outro caso.
Por isso, aprender a raciocinar, a pensar e a expressar seus pensamentos é o verdadeiro sentido da educação. Além do mais, o aluno aprende melhor aquilo que ele quer, aquilo que ele sabe que vai necessitar mais tarde. Em outras palavras, o aprendizado torna-se mais fácil, desde que se proponha a ajudar o aluno a atingir aquele objetivo para o qual ele está vocacionado.
O autor, Paulo Cesar Razuk, é professor titular aposentado do Departamento de Engenharia Mecânica da Faculdade de Engenharia da Unesp - câmpus de Bauru