Regional

Sem-terra interditam Bauru-Iacanga

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Depois da decisão do prefeito de Iacanga, “Chico do Bordado” (PSDB), de manter o pedido de reintegração de posse, mesmo com documento do Incra se comprometendo a dar início a buscar áreas na região, cerca de 200 membros do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) de Iacanga (50 quilômetros de Bauru) fecharam a rodovia Cezário José de Castilho, entre o município e Ibitinga na tarde de ontem. Para interditar a via foram usados um caminhão e pneus, onde os manifestantes atearam fogo.


O porta-voz do MST em Iacanga, Eduardo Cunha, explica que a manifestação foi feita para “avisar” o prefeito de que os integrantes do movimento não deixarão a estrada municipal Iac-010, onde estão acampados desde 7 de setembro.


“A manifestação é por conta do pedido de reintegração de posse, que não foi retirado pelo prefeito, mesmo com o documento do Incra. O prazo para deixar a área venceu hoje (ontem), às 16h, mas o MST não vai desocupar a estrada. A mobilização vai continuar e vamos somar forças com a região”, informou Cunha, depois do protesto.


A interdição da rodovia permaneceu durante uma hora, onde os manifestantes ergueram a bandeira do movimento e bloquearam a via com um caminhão e pneus com fogo. A ação culminou em congestionamento dos dois lados da rodovia Bauru-Iacanga, que cessou rapidamente depois da desobstrução da via.


Em uma visita à sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em São Paulo, na manhã de segunda-feira, seis membros do MST, o secretário de Negócios Jurídicos, Sebastião Xavier, e o vereador Bruno Borba (PC do B) trouxeram um documento que cita a intenção do Instituto de fazer a reforma agrária na “região” do município de Iacanga” sem especificar a fazenda que vem sendo reivindicada para desapropriação.


O prefeito “Chico do Bordado” entendeu que o Incra desenvolve ações preliminares para busca de imóvel na região de Iacanga, onde possa instalar projeto de assentamento de famílias de trabalhadores rurais. Diante disso, ele declarou que ia manter o pedido de reintegração de posse para retirar os sem-terra da estrada interditada.


Em nota, o Incra esclareceu ao JC que “buscará desenvolver ações de reforma agrária na região, como a busca de imóveis para a criação de assentamento.” Também afirmou que a negociação de áreas para esta finalidade, pertencente a uma instituição financeira, integra esse conjunto de iniciativas, mas ainda encontra-se em fase de estudos preliminares. “Ressaltamos também que o Incra continuará acompanhando a situação das famílias por meio da sua Ouvidoria Agrária Regional para a mediação de eventuais conflitos e articulação de uma solução pacífica para a questão”.


O porta-voz do MST, Eduardo Cunha, opinou que o documento está claro. “Nós trouxemos o documento, como o prefeito pediu, e ele não retirou o pedido de reintegração de posse. Então o MST vai permanecer no local”.

 

Mais de 60 dias

Depois de ficarem mais de 60 dias assentados às margens da estrada municipal Iac-010, o prefeito “Chico do Bordado” entrou na Justiça com pedido de reintegração de posse para que o MST deixasse o local em 48 horas. Tudo começou no dia 7 de setembro, quando mais de 200 famílias montaram seus alojamentos na estrada. O motivo desta ocupação seria a promessa do Incra em ceder ao MST a área de uma fazenda do antigo Frigorífico Mondelli, atualmente em negociação com o Banco Indusval. Sem poder entrar na propriedade, eles resolveram ficar ali, às margens da via, onde passam dezenas de caminhões, bitrens e até treminhões carregados durante o dia todo. Por conta do pedido de reintegração de posse, cerca de 150 membros do MST ocuparam a Prefeitura de Iacanga para tentar nova conversa com o prefeito.



 

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