Geral

Perna de garota de 11 anos é amputada

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 4 min

Após ter sido atropelada por um trem anteontem em Bauru, a pequena Izabelly Luiza Barga dos Reis, 11 anos, precisou amputar a perna direita. Conforme o JC noticiou com exclusividade, o acidente ocorreu no Núcleo Octávio Rasi, nos fundos do condomínio onde a garota mora com a família. O fato demonstra que é preciso ampliar não só a conscientização, mas também a segurança.

A criança continua internada no Hospital Estadual (HE). De acordo com boletim médico emitido pela assessoria de comunicação da instituição, foi preciso amputar a perna direita na altura do joelho. Em nota, o hospital afirmou que, apesar de a garota estar na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica, ela passa bem.

O acidente ocorreu na parte de trás do Residencial Parque dos Eucaliptos. Ali, em um declive sem qualquer proteção, passa a linha férrea. Testemunhas afirmaram que muitas crianças, incluindo a própria vítima, brincam subindo em trens em movimento naquele local.

Pouco após saber da notícia, a mãe da criança, Mariane de Moura Barga, 31 anos, contou que havia alertado a menina naquela semana sobre o perigo da linha férrea.

“Eu a avisei. Esta semana falei com ela sobre isso. Falei anteontem para ela não descer aquele barranco. Eu falei. Ela disse que não dava nada e que eles iam lá para buscar cana”, disse a auxiliar de cozinha, bastante abalada.

Ontem, a reportagem voltou ao local. Não havia nenhuma criança sobre a linha férrea. Os vizinhos, porém, acreditam que o medo durará pouco. “É só eles esquecerem e começa tudo de novo”, prevê Dirce Américo dos Santos, 61 anos.

Ela, que mora no mesmo condomínio de Izabelly, afirma que as brincadeiras perigosas ocorrem justamente por faltar equipamentos de lazer no bairro, algo que é unânime entre as crianças ouvidas pelo JC.

Luana Gonçalves Paula, 12 anos, é amiga de Izabelly. Ela relata que é comum turmas irem até a linha férrea. Segundo a garota, muitas crianças pegam rabeira nos trens e outras atravessam para buscar cana-de-açúcar.

“Mas não se pode ficar falando só das crianças. Nem dá para ver que tem uma linha de trem aqui. É tudo mato. Tinha que haver sinalização e alguma proteção”, critica Dirce dos Santos.

 

Paliativo?

O trem passando em um bairro repleto de crianças. Não seria essa uma tragédia anunciada? Não seria ideal colocar uma proteção em torno da linha? A América Latina Logística (ALL), concessionária que administra a linha férrea na região, aponta que esta seria apenas “uma medida paliativa, pois, em experiências anteriores, houve danificações das cercas pela população”.

Em nota, este foi o único ponto tratado pela concessionária sobre possíveis medidas de segurança em relação à estrutura. A ALL, que lamentou o ocorrido, focou sua resposta no perigo da prática de pegar “carona” em trens e na realização de campanhas de prevenção.

“Ações como campanha de prevenção ao surf ferroviário, blitz nos cruzamentos com a ferrovia e palestras nas escolas visam minimizar os riscos de acidentes envolvendo veículos, pedestres e trens.

Somente em Bauru, mais de 800 pessoas já foram abordadas nas sete ações deste tipo ocorridas em 2013. As campanhas ocorrem há mais de 10 anos  em  todos  os Estados onde a ALL atua e já atingiram mais de um milhão de pessoas”, finalizou a concessionária.

 

Nos trilhos da reflexão

É mais do que evidente que a prática que terminou com uma criança de 11 anos sem a perna direita deve ser abolida. É mais do que evidente que subir em um trem em movimento não é uma brincadeira. Porém, a responsabilidade não é só das crianças. A concessionária que administra as ferrovias precisa investir para dar segurança. É sua obrigação.

Em nota, a ALL discorre muito sobre as campanhas de conscientização. Conscientização é importantíssimo, porém precisa vir junto com mais segurança.

No mesmo texto, a concessionária afirma que, caso cerque a linha férrea, a população irá danificar a proteção. É argumento para não cercar? Pelo bem coletivo, vale a reflexão de todos. 


Crianças que estavam com vítima na hora contam como acidente ocorreu

O JC conversou com dois garotos, com idades de 11 e 13 anos, que estavam junto de Izabelly Barga dos Reis quando a menina foi atropelada. Eles confirmaram que um grupo de seis crianças tentava subir no trem em movimento quando a criança acabou caindo na linha férrea.


“Eu estava lá. Ela estava no meio do trem. Tinha uma escadinha. Eu estava lá na frente. Escutei ela gritando. Quando vi, saí correndo e contei para uma mulher. Foi ela quem chamou a ambulância”, conta o menino de 13 anos.


Um dos garotos promete que não irá mais tentar a prática perigosa após o que ocorreu com a amiga. O outro, porém, questionado se vai voltar a subir em um trem em movimento, balança a cabeça afirmativamente.


 

Comentários

Comentários