A queda de árvores, principalmente de eucaliptos, é a principal causa das interrupções no abastecimento de energia elétrica em Tibiriçá e da área rural em seu entorno. Ontem pela manhã, mais uma vez, os moradores do distrito e arredores sofreram com a interrupção no fornecimento de energia elétrica.
Depois de ficar 20 horas sem energia na semana passada, ficaram desabastecidos por aproximadamente três horas. Porém, desta vez, o corte foi programado pela concessionária para manutenção da rede, evitando possíveis maiores transtornos, revela Otaviano Pereira, presidente do Conselho Municipal do Desenvolvimento Rural.
“Hoje (ontem) foi provocado o desligamento, não foi acidente. Eles precisaram desligar para fazer a retirada de um eucalipto que poderia cair sobre a rede e causar uma interrupção longa no abastecimento de energia”, explica Otaviano Pereira, presidente do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural.
Na última terça-feira, o órgão reuniu-se com representantes da CPFL para discutir os constantes problemas de falta de energia elétrica na zona rural de Bauru.
Luiz Antônio de Campos, gerente de negócios da CPFL, e Clauber de Marques Bazin, gerente de serviços de campo da concessionária, explicaram aos integrantes do conselho que o principal problema que ocasiona as interrupções no fornecimento é relacionado à queda de galhos ou de árvores, sobretudo eucaliptos, sobre a fiação.
“Enquanto foram cultivados café, pastagens, cana-de-açúcar nunca houve problemas. Mas com a questão dos eucaliptos, que é uma cultura que cresce muito mais, existe o constante risco”, relata Pereira. Na reunião, os representantes da CPFL mostraram fotos de um eucalipto que poderia cair sobre a rede e causar uma interrupção longa no abastecimento de energia. A companhia decidiu, então, fazer a manutenção, cortando a energia ontem para a retirada da árvore.
Pereira explica que o conselho apresentou proposta à CPFL para minimizar o problema.
“Nós propusemos ter uma intensificação maior na fiscalização destas árvores e, como não existe legislação que proíba o plantio de eucalipto próximo à rede, quando a árvore atingir um determinado tamanho que possa comprometer, o proprietário rural ou empresa são notificados a cortar”, pontua.
O presidente do conselho destaca que o órgão já está tomando providências para estreitar o canal de relacionamento e comunicação com os produtores para que eles mesmos se encarreguem de notificar o proprietário ou empresa para retirar a árvore que ocasione risco à rede elétrica antes de um transtorno. Além disso, prega um patrulhamento mais intensivo para evitar furtos de fiação.
Aviso
O conselho pretende também facilitar o aviso aos produtores rurais quando as interrupções forem ocorrer.
“Nós acordamos na reunião que vamos munir a CPFL de contatos, telefones, e-mails dos produtores, associações e comunidades de um modo geral para que eles possam avisar quando estão previstos os desligamentos. O aviso não resolve o problema, mas o transtorno pode ser amenizado”, acredita Pereira.
O órgão se dispõe a fazer a intermediação entre produtores e CPFL. Para isso, Pereira solicita que os produtores encaminhem seus contados para o órgão, que encaminhará, posteriormente à companhia, para futuros informes sobre a interrupção de energia elétrica na região. Os produtores devem entrar em contato com o conselho no telefone (14) 3279-1218 ou pelo e-mail otavianopereira@bauru.sp.gov.br.
Sagra lamenta reincidência
Chico Maia, secretário municipal da Agricultura, lamentou os constantes transtornos relativos ao desabastecimento de energia elétrica na zona rural de Bauru, lembrando que vários produtores que têm estufas, dependem de irrigação ou têm criação de peixes ornamentais, que não podem ficar sem oxigênio, são diretamente atingidos.
“É um problema que nos constrange muito, porque o produtor nos procura e pensa que a secretaria pode intervir. Na verdade, é uma empresa privada (CPFL), que faz seus investimentos, tem alegações, mas, para nós, o serviço não está sendo prestado a contento”, pontua.
O secretário afirma que o agravante é a lentidão no retorno da energia, que aumenta prejuízos e incômodos de centenas de proprietários da região de Tibiriçá.
“Tem propriedades que ficam 15, 20 horas sem energia. Isso é um problema tanto para a produção quanto para o bem estar. É uma série de transtornos e estamos ao lado do produtor”, ressalta.
Maia relata que alguns produtores já manifestaram interesse em comprar geradores de energia, que têm custo médio entre R$ 15 mil e R$ 20 mil.
“O pessoal já não acredita mais na seriedade de uma empresa que tem deixado a desejar. Não dá para ficar perdendo produção, produto já colhido”, conclui.
CPFL confirma fatores externos
Contatada pelo Jornal da Cidade, a CPFL, em nota, informou que realizou um levantamento das ocorrências registradas na região das unidades consumidoras no distrito de Tibiriçá de 1º de outubro a 7 de novembro de 2013.
De acordo com a concessionária, neste período, foram registradas seis ocorrências, todas elas provocadas por fatores externos à rede de energia elétrica da empresa, como interferência de galhos ou árvores de grande porte na rede e descargas atmosféricas (raios).
A interrupção que ocorreu ontem, entre 10h24 e 13h36, afetando 627 clientes, foi devido ao trabalho de retirada emergencial de galhos de árvore que afetavam a rede elétrica. Já a queda de energia iniciada no dia no dia 4 deste mês, às 23h16, e finalizada às 16h50 do dia seguinte, foi causada pelo furto de cabos da rede elétrica, segundo a CPFL.
Na nota, a CPFL ainda argumenta que cerca de 2/3 do tempo em que o cliente fica sem energia corresponde a interrupções emergenciais, provocadas por fatores externos como os temporais, colisões de veículos contra postes e objetos que atingem a rede – pipas, balões e galhos de árvores, por exemplo.
Queimadas e furtos de cabos são outros fatores que podem provocar tais desligamentos. O outro terço corresponde a desligamentos programados, informados previamente aos clientes, e organizados para que a empresa possa executar obras de melhoria na rede elétrica, tornando-a cada vez mais confiável.