Minhas idas e os meus retornos da vizinha cidade de Piratininga, onde estive a fim de participar de reuniões noturnas em duas sextas-feiras alternadas, ressalte-se que nenhuma delas foi 13 de agosto, fizeram-me, eu, motorista cuidadoso, experimentado e habilitado há meio século, passar por momentos de muita tensão, apesar dos radares, no curtíssimo percurso da rodovia "Elias Miguel Maluf" e na av. Castelo Branco, esta um verdadeiro gargalo. Ciente da proteção divina de que nada me aconteceria e redobrando os cuidados, consegui concluir essas duas viagens que constituíram verdadeiras epopeias e que, certamente, também o são para centenas, talvez milhares de motoristas que por essa rota trafegam. O que me causou inesperada surpresa foi a existência de um pernilongo que, sem o saber estava em meu carro e vendo a minha apreensão, tentando me acalmar, falou-me: "Joaquim, não fique nervoso, pois você não é o primeiro e nem o único a ficar apreensivo com estas viagens noturnas, pois durante o dia é a mesma coisa. Com os outros acontece igual. De vez em quando dou uma esticada voltando de Bauru em outro carro e vejo que a maioria dos motoristas fica como você. Já vi muita coisa nesta estrada e um dia vai acabar esse martírio. Tenho certeza de que as palavras de um pernilongo divulgadas por você também são importantes e merecem crédito dos homens".
Foi então, graças a esse colóquio com o inesperado amigo pernilongo, que me acorreram algumas ideias que talvez mereçam crédito. Aqui vão. Assim como existe atualmente a Grande São Paulo, com seus 12 milhões de habitantes aglutinando os municípios ABCD, no futuro, lá pelos anos de 2043, existirá a "Grande Bauru", com seus 1,5 milhão ou mais de habitantes, conhecida pela sigla ABP, Agudos, Bauru e Piratininga. E, se a situação agora é caótica nessa rodovia, no gargalo e em outras partes da cidade de modo geral, imaginemos como será naquele ano e nos que o sucederão muito embora estejam sendo duplicadas duas rodovias chamadas atualmente "da morte", mas que, sem dúvidas, virarão avenidas urbanas. Além da obrigação e compromissos que os homens públicos, prefeitos, vereadores e forças vivas devam ter com os problemas atuais como saúde, educação, violência e outros que não preciso enumerar, indiscutivelmente, tendo em vista a proximidade destas cidades, devem ter visão, olhar para o futuro levando em conta a herança a ser deixada às futuras gerações. Todos os municípios têm problemas, sempre tiveram e sempre terão. Será que não chegou o momento histórico dos homens públicos do ABP deixarem de lado o bairrismo e o partidarismo para sentarem juntos e projetarem o futuro? Não de construírem de imediato, mas projetarem a interligação entre as três cidades com amplas avenidas de várias faixas como a av. Nações Norte, considerando-se que ainda há espaços que estão sendo tomados por construções de condomínios residenciais e de outras obras?
Porque depois que esses espaços disponíveis forem tomados por esses e outros projetos, estas interligações tornar-se-ão inviáveis pelo alto custo das necessárias desapropriações às futuras gerações. Exemplo de visão de futuro temos, como exemplo, embora muito distante de Bauru, a cidade de Corumbá (MS), que recentemente comemorou o seu 236.º aniversário. Iniciada em época quando o transporte era unicamente por tração animal, foi traçada e urbanizada somente por amplas e belas avenidas. Afinal, esta matéria é um sonho ou utopia, por ser fruto de um colóquio imaginário por um cidadão professor que nada entende de urbanismo? Sim, se hoje é uma utopia, dependendo do presente o sonho poderá se tornar uma realidade, pois os nossos vizinhos estão incrivelmente perto, próximos. Assim como muitos, não estarei naquele ano para conferir se as necessidades e os direitos das futuras gerações foram atendidos, porém aquele ano irá dizer.
Prof. Joaquim Eliseo Mendes ? membro efetivo da ABLetras