Política

Tidei pode coordenar campanha

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Após contato telefônico feito por Eduardo Campos (PSB) na última terça-feira, Tidei de Lima pode ser o coordenador regional da campanha a presidente da República do atual governador de Pernambuco no ano que vem. O ex-deputado federal e ex-prefeito de Bauru, filiado ao PSB há dois anos, diz que analisa o convite.

“O Paulo Eduardo [vereador, presidente municipal do partido] já havia sugerido. Depois, a proposta foi reforçada em reunião com o Márcio França, que comanda a legenda no Estado. Ele já havia adiantado as diretrizes. Depois disso, na terça-feira, o Márcio me ligou às 7h30 da manhã e passou a linha para o Campos. Agora, eu preciso me organizar para dar a resposta”, conta Tidei.

Sim ou não, o ex-prefeito se colocou à disposição do presidenciável para acompanhá-lo em um tour pelo interior de São Paulo, com vistas à disputa, que deve acontecer no primeiro semestre de 2014. “Eu me coloquei à disposição para ajudá-lo, mesmo que não seja à frente da coordenação”, explica.

O desejo de Campos em disputar a presidência foi oficializado recentemente quando o PSB devolveu os cargos que tinha ao governo Dilma Rousseff (PT). O projeto do pernambucano, porém, está ameaçado pela filiação da ex-senadora Marina Silva a seu partido, após o insucesso da Rede Sustentabilidade, embora ambas as partes neguem fissuras internas.

A ambientalista aparece mais bem colocada nas pesquisas de intenções de voto. Ainda assim, Tidei enxerga grande potencial para crescimento de Campos durante a campanha. “Não há melhor nem pior entre essas duas personalidades de expressão na política nacional. Marina tem o recall da participação bem sucedida na eleição de 2010. Em contrapartida, Campos é uma figura consagrada na administração pública”, avalia.

O ex-prefeito lembra que Eduardo, além de governador de Pernambuco por dois mandatos, foi secretário da Fazenda do Estado e ministro do ex-presidente Lula. “Apesar de ser relativamente moço, tem cabedal de conhecimento e de serviço público muito significativo”.

Para Lima, o elo com a gestão do PT à frente do governo federal também será positivo, pois acredita que, caso eleito, Campo não interromperá programas e ações positivas dos seus antecessores.

Em 2014, devem disputar também a eleição presidencial o tucano Aécio Neves e Dilma Rousseff, que buscará o segundo mandato.

Para deputado

Tidei de Lima teve o nome ventilado como pré-candidato a deputado pelo PSB no ano que vem. O político, no entanto, garante que essa possibilidade não existe. “Está descartada”.

O partido quer lançar candidatos a federal e estadual em todos os municípios com mais de 200 mil habitantes. Tidei afirma que o vereador Paulo Eduardo de Souza é o nome natural para a disputa em Bauru.

“Ele sinalizou que pretende concorrer a federal. Possivelmente vamos lançar uma dobrada na cidade, mas o nome ainda está em discussão interna”.

No Estado de São Paulo, o PSB pleiteia a indicação de Márcio França, ex-prefeito de São Vicente, ao posto de vice na chapa de Geraldo Alckmin (PSDB). Uma corrente da sigla, porém, defende a candidatura própria. Tidei lembra que os socialistas contam com bons quadros para a briga pelo Palácio dos Bandeirantes, como a deputada federal e ex-prefeita de São Paulo Luíza Erundina.


Laços antigos

Tidei de Lima foi deputado federal por quatro mandatos. Em um deles, atuou junto ao avô de Eduardo Campos, Miguel Arraes, governador de Pernambuco por três vezes. “O Campos já me conhecia de nome”, diz.

O ex-prefeito de Bauru conta que, à época, atuava na mesma corrente de Arraes no PMDB. “A gente se encontrava muito, participando de reuniões. Ele era uma figura extremamente interessante e carismática. Queríamos sempre ouvir as suas histórias”.

Miguel Arraes foi deposto do governo pernambucano pelo golpe militar em sua primeira gestão. Foi exilado e se elegeu por mais duas vezes para o mesmo cargo. Morreu em 2005, aos 86 anos, enquanto exercia o terceiro mandato na Câmara Federal. É, até hoje, extremamente respeitado pelos militantes de esquerda, que, por sua vez, torcem o nariz para o neto presidenciável.

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