Tribuna do Leitor

A cultura do ter


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O jovem hoje busca o ter para completar o vazio pela carência de amor. Se não amar a si, não há como ter equilíbrio emocional para resolver as dificuldades naturais da vida. A carência afetiva modifica o comportamento e compromete as relações. Inseguros criam regras onde agregam como verdade, ignorando a liberdade do outro. Isso é o fermento da violência entre os jovens, que procuram uma afirmação para sua relação afetiva. Exemplo: o namoro é uma condição de ter a posse sobre o outro e quase sempre acaba em tragédia. A obsessão inflama os jovens a serem cada vez mais violentos. Compara-se a uma fera quando está sob pressão. O instinto primitivo sobressai pela falta do amor na família, também não conhecem o amor de Deus. Defende-se de ameaças com violência: brigas, crimes e ameaças, tudo o que aprende em seu meio. Não há mais diálogo, faltam argumentos, por isso usam a força e a violência para preservar a vida. É cômodo condená-los sem saber a origem na formação de cada jovens. Uma coisa é certa. Esse é o resultado da ausência da família na educação do filho. Ele cresce inseguro por não saber como reagir nos momentos de dificuldade.

Sem respeito por si e pelos outros, avança na cultura do ter, onde busca segurança por tudo ser sua pertença, mas, ao perdê-la, vê o futuro terminar. Uma doença que afeta toda a sociedade. E nada se faz para restituir a dignidade dos jovens. Está clara a omissão dos órgãos federal e estadual, que têm leis frias, com força de coerção e leis que promovam a vida que é a obrigação do Estado. Mas o Estado está anêmico e, em sua fraqueza, não é capaz de ter programas de educação e outros eficientes para produzir a dignidade das pessoas. Isso condena o jovem à prisão perpétua, sem restituir o direito da sua dignidade para ser um homem digno no futuro. O Estado está na contramão dos interesses sociais, colabora para o continuísmo na formação de contraventores. E isso faz muito bem, quando assume a função paternalista. Sem saber o que é amar, interfere na família oficializando separações e ainda tira a autoridade dos pais na educação doméstica, sem dar uma educação eficiente e isso abre o caminho para a marginalidade dos jovens. Os jovens usam a liberdade oficializada como libertinos para vivenciar suas paixões, na ilusão de superar a carência afetiva, com violência, assim externam seus sentimentos para trazer a atenção para si porque sentem-se ignorados.

Não podemos mais nos omitir! A família deve lutar para retomar as rédeas da educação familiar. Filho não é objeto de uma paixão, e sim fruto do amor, por isso precisa ser amado para aprender que o amor é virtude de Deus e a família cristã sabe bem do dever de preparar os filhos parar viver as virtudes de Deus. Os pais são os primeiros pastores da Igreja doméstica. O Estado precisa exercer o seu dever, para isso devemos escolher governantes comprometidos com a política social para complementar a educação cultural dos jovens e adolescentes, para serem cidadãos dignos, para garantir no futuro um País para todos. Unidos por esse bem comum, certamente, derrotaremos o inimigo que ronda todos nós, para os nossos jovens reencontrarem a sua identidade de filhos de Deus e, usando a razão e o diálogo, saibam dirimir os conflitos decorrentes das circunstâncias da vida, mantendo a ordem, o respeito e a disciplina para a paz reinar em nossas comunidades.

José Carlos Bertolucci

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