A Tepco (Tokyo Electric Power) iniciou ontem a operação de retirada do combustível radioativo usado nos reatores da usina nuclear de Fukushima, parcialmente destruída após um terremoto seguido de tsunami em 2011.
A previsão é que o processo dure um ano.
Em vídeo divulgado no site da Tepco, o presidente da empresa, Naomi Hirose, disse que “a operação é um importante passo para desativar Fukushima, o que deve levar de 30 a 40 anos”.
O primeiro passo da Tepco será a retirada de todo o combustível nuclear do reator 4, o menos afetado pelo vazamento de hidrogênio radioativo e que possui menor nível de radiação.
As pilhas, feitas de dióxido de urânio, serão transferidas das piscinas da usina para outro recipiente - um tonel de armazenagem seco.
Todo o processo será feito por um guindaste, instalado na piscina do reator, que é operado por controle remoto e fará a transferência. A operação será realizada embaixo d’água, para evitar que o urânio aqueça e transmita radiação ao exterior.
Os 1.533 feixes de combustível serão retirados em grupos de 22 e colocados nos contêineres. Cada vez que os tonéis ficarem cheios, serão removidos para uma outra piscina da usina, considerada mais segura.
A expectativa é que essa primeira etapa seja concluída até o final de 2014.
Os técnicos da operadora afirmam que a retirada é segura, embora haja preocupação com um vazamento radioativo.
O prédio foi parcialmente destruído durante o vazamento de hidrogênio após o terremoto e, devido a isso, parte do entulho caiu dentro da piscina do reator.
O temor é que alguma dessas peças possa cair dentro de um dos contêineres, o que pode gerar uma grave emissão radioativa.
Grupos antinucleares afirmam que a Tepco não está devidamente preparada para a realização do procedimento e consideram a operação muito arriscada.
Sequência
Se essa primeira parte da operação for concluída com sucesso, será a vez de descartar a água da piscina do reator 4, que abriga resíduo radioativo suficiente para encher cerca de 160 piscinas olímpicas.
Em seguida, a Tepco terá de retirar as pilhas dos reatores 1 e 3, que se fundiram e liberaram muita radiação.