Fernando |
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Todos têm um celular na mão. Muitos, um smartphone. Todos, de certa forma, estão conectados seja por mensagens, redes sociais, e-mails e outras ferramentas do mundo virtual. Com as plataformas digitais completamente consolidadas, a democratização do acesso e nosso tempo cada vez mais escasso, as relações virtuais muitas vezes substituem o contato direto, proporcionando interação com amigos à distância e ampliando redes de relacionamento.
Mas como funcionam as regras de educação com as tecnologias recentes e no mundo virtual. Todos têm noção do que é educado ou não fazer? A etiqueta digital é necessária assim como no off-line. “O ambiente virtual é uma extensão da sociedade. Não é ‘café com leite’ e a pessoa tem que seguir as mesmas regras que segue na convivência social”, aponta o advogado José Antonio Milagre, especialista em direito digital. Portanto, vale a regra: nunca faça online o que não faria publicamente off-line.
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A etiqueta digital faz parte de um conceito mais abrangente de educação digital e trata desde comportamentos relativos ao uso das tecnologias até atitudes no ambiente virtual. Ferem a etiqueta digital, por exemplo, ter aquela conversa sobre assunto privado em alto som enquanto sobe no elevador com outras pessoas, causando constrangimento nos ouvintes involuntários. Ou mesmo ligar para alguém e perguntar à queima-roupa “onde você está?” O correto seria indagar se a pessoa pode falar naquele momento e não invadir a privacidade alheia, a não ser em caso de extrema intimidade. Quem nunca foi incomodado pelos “DJs” que teimam em ouvir suas músicas prediletas em seus celulares e “esquecem” de usar os fones de ouvido?
Com aplicativos de mensagens cada vez mais práticos e ágeis, é quase impossível resistir a ficar conectado o tempo todo, trocando ideia com os amigos distantes, certo? Mas em uma reunião com amigos presentes ou no ambiente profissional não é uma boa ideia ficar completamente ausente e deixar de interagir.
Mandou um SMS e não foi respondido? Calma, não vá enlouquecer seu “alvo” com uma avalanche de mensagens em seguida. Atenção com a maneira como se comunica. Mandar texto em caixa alta é o mesmo que gritar. Sair durante uma conversa no Facebook sem avisar é legal? E quando, e se ainda, usar e-mail - esta é velha, mas não morre, nunca, nunca mesmo - não repasse correntes. Ninguém, acredite, gosta disso. De acordo com a etiqueta digital, prevalece o respeito, educação, gentileza nas relações permeadas por itens tecnológicos e ambiente digital. Os mesmos valores que valem no contato físico são desejáveis no virtual.
Mais do falta de educação ou gafe, alguns maus hábitos no mundo digital podem causar problemas mais sérios do que perturbar os amigos ou irritar quem está por perto. A exposição de fotos de relacionamento amoroso ou situações íntimas com amigos podem comprometer a imagem do autor da publicação e das pessoas que aparecem nas imagens profissionalmente e socialmente, alerta Milagre. “Todo o tipo de foto íntima que eu posto, hoje em dia, é monitorada. Por mais que eu exerça as configurações da minha privacidade sempre tem alguém que consegue ter acesso e compartilhar esta informação com pessoas que eu não gostaria que visualizassem”, alerta.
A autoexposição excessiva contribui para um perfil desabonador, o que fatalmente será prejudicial, aponta o advogado. “As pessoas precisam ter a noção dos riscos desta superexposição que fazem, principalmente com fotos íntimas, mudando status de relacionamento a todo momento. São situações que levam a traçar determinado perfil desta pessoa e ela pode ser prejudicada desde uma relação social até uma relação de trabalho”, observa Milagre, lembrando que praticamente todas as empresas, hoje, buscam informações nas redes sociais antes de contratar um funcionário.
Fotos em situações mais íntimas, como festas com amigos alcoolizados, também quebram a etiqueta digital e, mesmo sem intenção, podem causar prejuízos à imagem alheia, de acordo com Milagre. O mesmo vale para montagens ou fotos constrangedoras.
“O Facebook, as redes sociais, são uma grande lousa. Cada um tem a sua e o grande problema é que você pode permitir que terceiros escrevam na sua lousa. Quando você marca alguém em uma foto, você está escrevendo na rede social desse alguém e isso pode gerar um dano para esta pessoa, porque todos que são amigos, todos que estão na timeline dele vão ter contato com este conteúdo”, destaca o advogado.
Taguear (marcar) amigos em fotos de situações privadas sem o conhecimento ou consentimento do marcado também fere a etiqueta digital, declara Milagre. “Primeiro ponto: fotos íntimas, de momentos privados, quando se está bebendo... não se aconselha este tipo de imagem em rede social”, reitera o advogado.
“Se por acaso alguém postou, você pode usar os recursos para remover esta foto. E jamais aceitar as marcações automáticas. O Facebook implementou um recurso que permite que você avalie se deseja ser marcado ou não. É importante que as pessoas façam este tipo de configuração para evitar que um dia você abra seu Facebook e veja uma foto sua em uma situação íntima que você não desejava, mas permitiu que fosse publicada na sua timeline do Facebook”, ressalta o especialista.
Cheque antes de compartilhar
A etiqueta digital exige ainda cautela com o compartilhamento instantâneo de notícias, publicações e críticas. E com as curtidas. Aquilo que você curte e compartilha acaba expressando sua visão de mundo e sua filosofia de vida. O advogado especialista em direito digital José Antonio Milagre aconselha a checagem antes de propagar informações, pois o resultado pode ser um processo na Justiça. “É comum uma pessoa ir à rede social e denunciar que em determinada empresa o atendimento é péssimo. Por exemplo: ‘fui tomar um suco em uma empresa A, B, C e eles fazem isso com água da torneira’. Sem qualquer fundamento. Postar no achismo. E dezenas de pessoas compartilham sem verificar a idoneidade. Já temos casos no Brasil que condenaram esta informação falsa posta na rede social. Aquele que partilhou está potencializando a ofensa e pode também responder”, avisa o advogado.
Milagre revela que casos assim são comuns. “As pessoas podem pensar ‘foi um e-mailzinho, um twit, um comentário’, mas diversos casos foram parar na Justiça por causa de um comentário. As pessoas devem pensar duas vezes antes de compartilhar o que não conhecem a fonte, compartilhar opiniões que não são verídicas ou teceram opiniões que acabam difamando ou ofendendo a imagem de uma empresa ou pessoa”, alerta. O advogado explica que o argumento de que apenas compartilhou e não criou o conteúdo não prospera na Justiça. “A partir do momento que você compartilha, no mínimo deu publicidade a um fato indevido”, define Milagre.
Cuidado com a linguagem
Mesmo em grupos de amigos nas redes sociais a linguagem usada deve ser motivo de cautela para não abrir margem para interpretações erradas do que se quis de fato dizer. “As pessoas costumam deixar a mensagem no ar no Facebook. ‘Tempos novos virão’, “uma mudança a partir da semana que vem’, ‘chega do velho, que venha o novo’. As pessoas adoram jogar estas mensagens no ar e elas são perigosíssimas. Elas podem ser mal interpretadas, podem chegar um processo trabalhista, administrativo e a pessoa pode ser convidada a explicar o que está acontecendo”, aponta o advogado José Antonio Milagre, especialista em direito digital.
Outro ponto a ser evitado são postagens exageradas ou ofensivas. Milagre aconselha a objetividade e educação, além de evitar comentários que possam constranger o alvo, soar como preconceito ou causar uma superexposição da própria pessoa que comenta. Jamais poste algo que não falaria publicamente off-line. Lembre-se: internet não é sinônimo de anonimato. “É sempre bom não deixar nada no ar, evitar termos pejorativos e fazer menções não autorizadas e, principalmente, como no mundo real, no mundo virtual não se tolera palavrões”, conclui.

