Esportes

Noroeste: muita coisa mudou

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 5 min

Amanhã completará um ano do último grande momento do Noroeste, o título da Copa Paulista de 2012. No dia 25 de novembro do ano passado, o Alvirrubro bateu o Audax por 1 a 0 em São Paulo – já havia vencido por 2 a 1 em Bauru – e sagrou-se campeão pela segunda vez da competição, assegurando o direito de participar pela terceira vez da Copa do Brasil.

Foram apenas três derrotas nos 24 jogos, e apenas 17 gols sofridos. Nos seis jogos do mata-mata, nenhum revés. Logo após a histórica partida no Estádio Nicolau Alayon, o elenco acabou se desfazendo, pois um ciclo se encerrava no clube: era o fim da Era Damião Garcia, que já havia passado o cargo para Toninho Gimenez, que teve a honra de ser o presidente do título. Dez dias depois, Anis Buzalaf Júnior foi eleito e 2013 acabou não trazendo boas recordações ao torcedor, com o rebaixamento à Série A-3, e as eliminações na Copa do Brasil e na Copa Paulista.

Se hoje o Norusca tenta se reconstruir, sob a batuta do novo presidente Emílio Brumati, com o técnico Luciano Sato, aquele time campeão não sairá da cabeça do torcedor. Nomes como o capitão Lima, o maestro Velicka, o atacante Diogo (autor do gol do título), o prata da casa Mizael, o cerebral Gilsinho e os eficientes Johnnattan, Helio e Kasado estão marcados naquela conquista, que teve o técnico Moisés Egert e o gerente João Gonçalves à frente.

Mas coube ao goleiro Walter, único a disputar na íntegra os 24 jogos da vitoriosa campanha, o papel de protagonista. Seguro na meta noroestina, ele foi jogar o Paulistão no União Barbarense, despertando o interesse do Corinthians, onde hoje é titular, com contrato até o final do ano que vem. Natural de Jaú, ele foi revelado pela base do XV e passou por vários clubes até chegar ao Norusca, para jogar a Copa Paulista do ano passado. O JC conversou com o jogador nesta semana. Confira os principais trechos da entrevista.

Jornal da Cidade – Qual sua maior lembrança do Noroeste e também de Bauru?

Walter – Eu comecei no XV, aí perto, então esse título da Copa Paulista foi muito importante para chegar a uma Primeira Divisão do Paulista. Tive o carinho da torcida e de todos que acreditaram em mim, e fiquei feliz pelo campeonato que eu fiz.

JC – Claro que a final contra o Audax foi marcante, mas teve algum outro jogo que o elenco considerou decisivo na campanha do título, um divisor de águas?

Walter – Eu acho que aquele jogo com o América. Não pela mudança de treinador, todo mundo gostava do Amauri (Knevitz, demitido um jogo antes), mas a gente sabia que se perdesse a partida poderia ficar fora ainda na primeira fase. Mas sabíamos que tínhamos grupo para chegar e, infelizmente, as coisas não estavam dando certo. Ali a gente viu que poderia chegar, começamos a arrancada naquele jogo.

JC – Depois do título o elenco se desfez. Você continuou acompanhando o Noroeste? Sabe como estão as coisas por aqui?

Walter – Fiquei acompanhando sim, até por ter amigos que permaneceram neste ano. O Magrão e o Yuri são grandes amigos que ficaram em 2013 aí, então a gente sempre estava se falando. A gente fica triste com o que aconteceu, porque essa parte financeira pesa no futebol. Tomara que as coisas melhorem para o Noroeste.

JC – Em relação a sua saída, você foi para o União Barbarense jogar o Paulistão, e mesmo com o rebaixamento da equipe, foi para o Corinthians. Muita mudança em cinco meses, como foi a adaptação?

Walter – Quando fiz o campeonato no Barbarense foi complicado, teve algumas situações que aconteceram para que a gente acabasse caindo. Acabei indo para o Corinthians, me adaptei rápido, fui muito bem recebido. E agora jogando já muda tudo, a proximidade do torcedor com a gente já é outra. E temos que manter o foco até o final do Campeonato Brasileiro.

JC – Você entrou no time devido a uma lesão do Cássio, e na segunda partida já teve uma disputa por pênaltis na Copa do Brasil. O time não se classificou, mas a sua atuação foi boa, acabou agradando a torcida...

Walter – Eu vinha treinando forte, fazendo meu trabalho. Eu até imaginava que seria o Danilo Fernandes que entraria, pela hierarquia que o Tite usa, mas tive a felicidade de jogar. Aquela partida contra o Grêmio está na minha memória ainda. Infelizmente, não conseguimos vencer nas penalidades.

JC – E o relacionamento com o Cássio, que era o titular do gol e foi campeão da Libertadores e do Mundial?

Walter – É tranquilo. Ele é muito parceiro, e me ajuda bastante fora de campo, dando dicas, orientando. Ele é um ídolo da torcida e a gente respeita muito isso. O Cássio está batalhando, está machucado e logo vai voltar. Depois que cheguei, conquistamos a Recopa juntos (final contra o São Paulo).

JC – Em relação ao Tite, como é o treinador longe dos jogos, nas concentrações?

Walter – Nem tem o que falar dele, é um cara do bem, que trabalha sério, não gosta de brincadeiras e foi campeão de tudo aqui no Corinthians. Em três anos foram cinco títulos expressivos, ele já está na história do clube, e vai ficar na memória de todos os torcedores.

JC – O Corinthians já tornou público que o Tite deixa o clube ao final do Brasileirão. O nome mais forte para substituí-lo é o do Mano Menezes (que já treinou o Corinthians). Como o elenco recebeu isso?

Walter – Os dois são grandes treinadores. Um ganhou tudo aqui, o outro foi técnico aqui e da Seleção Brasileira. Não sei se será ele (Mano), mesmo estando aqui dentro a gente não sabe quem será o treinador. Claro que a gente fica triste pela saída do Tite, a maioria gostaria que ele ficasse. Mas, se vier o Mano, o pessoal vai gostar também.

JC – Para finalizar, qual o peso de vestir a camisa do Corinthians, que tem a segunda maior torcida do País e maior do Estado?

Walter – O peso é diferente. Em todos os lugares onde eu trabalhei, se você vai bem pode se tornar herói. Mas aqui o peso é grande, você tem que trabalhar bem todos os dias e o erro tem que ser mínimo. Eu estou feliz aqui, o que mais importa é poder jogar tranquilo.

 

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