Juntando alguns problemas crônicos impedientes da razoável prestação do serviço público municipal, separa-se o trânsito de veículos como exemplo da indiferença dos dirigentes das cidades na visualização do futuro, colhendo do descaso, os transtornos no presente causados à coletividade. O enfrentamento da questão que ameaça tornar-se insolúvel vem sendo tratada com doses paliativas para dotar às ruas e avenidas, outrora planejadas com largura insuficiente, adequadas para melhor acomodar a mobilidade veicular.
A incessante movimentação de veículos a cada dia mais lento e irritante quase não encontra espaço nas vias públicas a ensejar sua fluidez com normalidade. Sob a luz do dia, as vias de circulação imploram por maior espaço físico a fim de dar folga aos veículos espremidos entre eles, formando um cortejo vagaroso com motoristas agastados. O desconforto termina com a chegada da noite, ainda assim, após o encerramento das aulas das diversas escolas superiores. Se providência de fôlego deixar de ser implantada a curto prazo, não constituirá surpresa a saturação total do sistema viário obstaculizar o crescente número da frota de veículos lançado diariamente com a produção deixando as fábricas para a comercialização nas agências, e dali ganhando as ruas e avenidas, tudo com muita rapidez.
O problema com o enfastiado trânsito de veículos em quase todas as cidades teria solução se os municípios vivessem na abastança financeira para arcar com a incorporação de áreas particulares vizinhas das vias públicas mais congestionadas, propiciando o alargamento do leito de rolagem. No entanto, essa medida não pode ser utilizada em larga escala por falta de caixa, restando desapropriar áreas para resolver situações mais prementes. Enquanto uma ou outra via, isoladamente, recebe o benefício do alargamento, o setor municipal que responde pelo trânsito planeja como pode ações operacionais a racionalizar o fluxo de veículos, empenhando-se a deixa-lo menos dificultoso aos usuários. Se a experiência não responde ao esperado, pelo menos a esperança é para que não fique pior do que estava.
Informações transmitidas na semana passada na imprensa dizem sobre estudo da Emdurb na Av. Nações Unidas, voltado a desembaraçar a circulação de veículos em intervalo considerado crítico, com implantação prevista neste final de ano. O esboço gráfico mostrado no Jornal da Cidade, edição de 18 último, p. 05, causa espanto ao indicar que o motorista dirigindo por aquela avenida, entre a Av. Duque de Caxias e a Av. Rodrigues Alves, pretendendo retornar, fique obrigado a sair pela R. Borga Gato, convergir à esquerda na R. Conselheiro Antonio Prado, atravessar a Av. Nações Unidas (onde haverá um semáforo), dobrar à esquerda na R. José Ranieri, virar novamente a esquerda na R. Benjamim Constant, rodar 100 metros para finalmente ingressar na pista de retorno. Se a leitura desse percurso mostrando o comprimento da extensão do retorno planejada numa alternativa complicada enfastia o leitor, imagine-se o grau de insatisfação do motorista ao motorista a percorrê-lo.
Esse plano viário forçará o motorista a dirigir por um roteiro superior ao dobro. Se retornasse no semáforo, caminho mais curto, desimpedido e natural, economizaria um percurso de aproximadamente 250 metros dos 450 metros do esdrúxulo traçado. Com o sinal fechado para a Av. Nações Unidas e aberto para a Rua Constituição, não se explica um desvio escusado quando o atalho aberto com o semáforo faria o trajeto um meio mais racional e compatível com a ideia de desemperrar a circulação dos veículos.
A manobra demasiada contrária à racionalidade engrossará a circulação de veículos da R. José Ranieri, que é uma alternativa para escapar da Av. Nações Unidas, sem ficar longe dela.
O autor, Alfredo Enéias Gonçalves d?Abril, é professor universitário, aposentado