A base aliada deflagrou ontem uma operação para blindar o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) - a Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara foi impedida de convocá-lo a prestar esclarecimentos sobre a conduta do presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Vinicius Carvalho.
O PSDB quer explicações sobre Carvalho ter omitido que trabalhou no gabinete do deputado estadual Simão Pedro (PT-SP). Foi Simão Pedro quem repassou a Cardozo documentos que apontavam a a existência de um cartel nas licitações de metrô e trens durante os governos do PSDB em São Paulo.
O requerimento foi apresentado pelo deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP) e também tratava de suposto vazamento de informações do Cade. Com a tropa de choque do governo a postos, a comissão rejeitou a convocação.
Anteontem, as principais lideranças do PSDB dispararam fortes críticas ao ministro e o acusaram de politizar as denúncias do cartel para minimizar o impacto político das prisões do mensalão.
O PSDB tem defendido que Cardozo se afaste das investigações sobre o cartel revelado pela multinacional alemã Siemens ao Cade. Tucanos devem protocolar, na tarde de hoje, uma representação contra Cardozo na PGR (Procuradoria-Geral da República) por improbidade administrativa.
Mais cedo, o vice-presidente Michel Temer (PMDB) classificou como campanha eleitoral a troca de acusações entre PSDB e PT em torno das investigações sobre o caso.
“Lamentavelmente se antecipou muito a campanha. Acho que temos que seguir o calendário legal, e o calendário legal exige que a partir do ano que vem se pense na campanha. Lamentavelmente é um clima de campanha, e eu não acho útil isso”, disse Temer na saída da sessão solene da Câmara relativa aos 25 anos da Constituição.