Douglas Reis |
|
|
Tatiana Pereira Alves: “Nem durmo direito pensando em ficar sem o leite” |
A família da pequena Lara, de apenas 3 anos, enfrenta um drama. Com intolerância à lactose, a pequena, segundo a mãe, depende de um leite em pó especial fornecido pela Secretaria Municipal de Saúde, para conseguir resistir a viroses, problemas respiratórios e intestinais. Mas o fornecimento do produto foi interrompido pela prefeitura desde o início do mês, deixando Lara e outras 59 crianças no prejuízo.
“Ela até come, mas muito pouco. Sempre está abaixo do peso. O forte mesmo da alimentação tem sido o leite. Sem ele, a resistência cai muito e ela fica doente. Não dá para ficar sem”, apela a mãe da criança, Tatiana Pereira Alves, de 35 anos.
Desempregada, a mulher que sofre ainda de epilepsia e mora na casa do pai, aposentado, revela o drama dos últimos dias.
“Nem durmo direito pensando nisso. O leite sem lactose é o único que ela toma e não temos condições de comprar”, completa a mulher, mostrando a última lata que recebeu como doação de uma amiga. “Amanhã (hoje) ele acaba, e não sei o que faremos”, frisa.
Segundo ela, uma lata do leite em pó em questão custaria R$ 180,00. Por mês, Lara chega a consumir até 15 latas do produto.
Na última quarta-feira, após nova negativa da secretaria, a mulher denunciou o fato ao promotor da Infância e Juventude, Lucas Pimentel de Oliveira, que enviou à Secretaria Municipal de Saúde uma ordem judicial para que o fornecimento volte a acontecer nos termos da Constituição Federal.
Apesar da medida, o fornecimento continua interrompido.
“Ninguém sabe explicar o motivo da falta. Com esse mandado de segurança, eles deveriam ter entregue, em até 24 horas, a metade da quantidade latas usadas no mês. Não sou só eu, milhares de mães estão sofrendo com isso”, reclama Tatiana.
Outro lado
A Secretaria Municipal de Saúde informa que, devido ao atraso na celebração do convênio da Secretaria Estadual de Saúde com Bauru, não houve o repasse de recursos financeiros do Estado, o que ocasionou o desabastecimento momentâneo do leite Neocate. “A Secretaria Municipal de Saúde de Bauru, porém, está buscando alternativas para regularizar a situação o mais breve possível”, concluiu.
Em nota, o Departamento Regional
de Saúde de Bauru esclareceu que o processo de formalização de convênio entre o município e a Secretaria de Estado da Saúde está em fase de finalização e a situação deve se normalizar nos próximos dias.
