Tribuna do Leitor

Saresp: o espetáculo


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"O Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo ? Saresp ? é um verdadeiro espetáculo, de deixar o Cirque du Soleil no chão. Se vocês pensam que os preparativos serão feitos em cima da hora, se enganaram. Os mesmos vêm sendo milimetricamente preparados desde o início do ano, igual ao carnaval: mal termina um e outro já é preparado, e os seus organizadores esperam ser mais uma vez campeão ou superar o ano anterior. Não muito distante disso, faz a escola, seus agentes (professores, diretores, coordenadores), mas com uma ressalva: a Escola diferente da escola de samba, já pega seu samba-enredo pronto, acabado, apenas terá que ensaiar e treinar...

E assim o faz, treina, ensaia, tenta, faz mais um pouco, recorta aqui, pega ali, puxa daqui, puxa ali e tenta, simplesmente tenta...

Nos dias que antecedem a sua execução, se vê uma verdadeira mistura de sensações: angústia, ansiedade, estresse, agonia, medo, impaciência e tantas outras. Afinal, é um grande espetáculo... Espetáculo esse, que tem como atores principais inúmeros alunos, os quais se depositam uma carga enorme de responsabilidade. Digo isso, pois nas mãos desses pobres coitados, estão não meramente seus futuros, uma vez que, se o futuro de cada aluno dependesse do Saresp, tenho até dó de imaginar o que seriam deles, mas sim, de uma comunidade escolar toda. Isso mesmo!

Você já deve ter sido convidado para comemorar o aniversário de um amigo, parente ou conhecido num restaurante, barzinho e no final, a conta chegou e você teve que pagar o que consumiu. Já? Isso é muito comum nos dias de hoje... E isso se faz na escola. Convida-se os alunos a participar, insistem e até imploram por suas presenças. E tudo ocorre em sua maioria na normalidade prevista, afinal tudo foi bem preparado, ensaiado, treinado e bem orquestrado. E no final, o que acontece?

No final meus caros, a conta chega para os alunos e nela vem o valor total, expressado não em moeda corrente, mas em forma de esperança. Esperança de que os mesmos tenham alcançado a perfeição em sua execução. E mais uma vez, diferente do carnaval, não conseguimos saber o resultado da execução tão rápido como é para as escolas de samba. O resultado só se sabe no ano seguinte, ano em que já estão todos ensaiando e treinando mais um novo espetáculo. E quando sai esse resultado, nossa... que medo que dá! Agora as sensações e emoções são outras: tristeza, decepção, sofrimento, discórdia, brigas, confusões. Procuram-se culpados e julgam-se uns aos outros. Se acharem que estou exagerando, é só perguntar para qualquer professor ou aluno.

Na verdade, considero que muitas perguntas deveriam ser feitas, mas não aos professores, aos alunos ou à equipe gestora, mas sim para os nossos governantes. Quando o espetáculo está se aproximando o convite é entregue aos alunos, professores, pais de alunos, equipe gestora e a toda a comunidade escolar. Só que se esquecem de chama-los para a elaboração, o planejamento, a avaliação, a discussão dos resultados. A eles, cabem apenas: ensaiar, treinar e executar.

Mas nem de todo mal é o Saresp... Em determinado momento até se apresentava e até vem se apresentando como algo bom para educação. Batem muito na tecla de que "o Saresp avalia o sistema de ensino paulista para monitorar as políticas públicas de educação".

Se isso acontece hoje, fica muito difícil de nota-las, a meu ver, em sua implementação em 1996, o mesmo até possuía tal característica, mas dos anos 2000 em diante, tal coisa, se perdeu, entre as políticas de bonificação e de meritocracia, o que vem, desencadeando na rede estadual de ensino uma política de desigualdade. Se o Saresp é um norteador para políticas públicas, me desculpe, mas isso só nos tempos de outrora.

Uillians Eduardo Santos, graduando de pedagogia, da Unesp

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