Na próxima quinta-feira, 05/12, será celebrado o Dia Internacional do Voluntário, instituído pela ONU, em 1985, para valorizar e incentivar o serviço voluntário. A Pastoral da Criança, por exemplo, com 30 anos de atuação a serviço da vida, conta com a colaboração de quase 198 mil voluntários (88% mulheres) que atendem 1,3 milhão de crianças de 0 a 6 anos, bem como famílias e gestantes. Por essa razão, desde 2007, comemora-se, também, na mesma data, o Dia Nacional da Pastoral da Criança.
O fato é que, além da citada Pastoral, existem milhares de voluntários (as) a serviço da vida, agindo de forma discreta, humilde, silenciosa, gratuita e eficaz no mundo inteiro. São pessoas que fazem a diferença, motivadas pela responsabilidade ética e cuidado para com a vida, pois "o ser humano que sofre nos pertence" (João Paulo II). Sendo a comunidade, responsável pela vida, seus membros são movidos extrema solidariedade que promove e defende a vida por meio de ações concretas.
O serviço voluntário é a expressão do amor desinteressado e comprometido com a vida do semelhante, sobretudo os pobres e vulneráveis. O voluntário orienta sua vontade pessoal para a prática do bem, colocando a serviço do próximo e do bem comum seu tempo, talentos, valores, profissão e, sobretudo, o afeto que tem poder curador e transformador. Segundo Ban Ki-moon, Secretário Geral da ONU, "o trabalho voluntário é uma fonte de força comunitária, superação, solidariedade e coesão social. Ele pode trazer uma mudança social positiva, promovendo o respeito à diversidade, à igualdade e à participação de todos. Está entre os ativos mais importantes da sociedade."
O serviço voluntário é, também, fonte de realização humana, pois como disse Jesus: "Há mais felicidade em dar do que em receber" (At 20,35). Cristo aponta o serviço generoso como o caminho da felicidade autêntica e duradoura, ao afirmar, após lavar os pés dos discípulos: "Felizes serão se o praticarem" (Jo 13,17). O voluntariado comporta três dimensões: assistencial, promoção humana e transformação. Por essa razão fala-se hoje em "solidariedade crítica" (L. Selli e V. Garrafa), comprometida e transformadora da realidade. A solidariedade crítica, compreendida como valor, deve ser incorporado à prática do voluntariado.
Assim, a integração das duas faces da solidariedade, isto é, concreta e crítica, dribla o assistencialismo, conjugando realização pessoal e incidência social e política. Nesse sentido, é possível pensar o voluntário como um cuidador orgânico, cuja práxis tem forte incidência no tecido social, político e cultural. O cuidador é orgânico porque, além de fazer, desperta para a cidadania, conscientiza, educa e interage, ocupando espaços estratégicos que antecipam a necessária transformação da sociedade.
Portanto, o trabalho voluntário não visa substituir as obrigações e responsabilidade do Estado. Sabe-se que não basta apenas cobrar sem nada fazer e fazer sem nada cobrar. O voluntário é aquele que cobra fazendo, testemunhando que uma outra realidade é possível. Trata-se de uma prática cidadã que, conectada a outras práticas, certamente contribuirá para o advento da nova sociedade, tarefa da política, potencializada e melhorada pelo voluntariado crítico a favor da vida com qualidade e dignidade.
Queremos externar nossos sinceros agradecimentos a todos e todas que exercem com amor e por amor o serviço voluntário, de diferentes modos, muitos deles silenciosos e no anonimato. Por meio de nossas boas obras, Deus é glorificado e a "glória de Deus é o ser humano vivo" (Santo Irineu). Parabéns aos voluntários (as), gratidão pela atividade generosa e pelo testemunho de que sempre é possível fazer algo de bom para o semelhante, não obstante as preocupações e atropelos cotidianos.
Vamos celebrar o amor concreto dos voluntários e agradecer ao Bom Deus, fonte de todo amor, a vida e doação de todos (as), na Missa de Ação de Graças, 05/12, 20h, Igreja São Cristóvão. Vamos depositar no Coração de Deus nosso serviço voluntário e pedir a Ele a fortaleza e perseverança na prática do bem. Como afirma Tomás de Aquino, "para iniciar algo de bom o ser humano precisa ter confiança e magnanimidade e, para prosseguir, paciência e perseverança".
O autor, padre Luiz Antonio Lopes Ricci, é pároco da Paróquia de São Cristóvão e diretor da Faculdade João Paulo II