Um dos jogadores mais habilidosos do futebol mundial descansou no final da noite de segunda-feira. Pedro Virgilio Rocha Franchetti nasceu em Salto, no Uruguai, e brilhou com a camisa do Peñarol, onde foi oito vezes campeão nacional.
A notícia foi confirmada por Marco Aurélio Cunha, que conviveu com o ex-jogador durante sua passagem pelo São Paulo. “Um maestro, que deixou a história marcada no São Paulo, um dos quatro uruguaios que fizeram história no clube e, definitivamente, o mais técnico deles”, lamenta o ex-dirigente do clube tricolor.
Contratado em 1970 pelo São Paulo Futebol Clube, tornou-se ídolo no Tricolor do Morumbi, ao levantar por duas vezes o troféu de campeão paulista, em 1971 (ao lado do bauruense Toninho Guerreiro) e em 1975. Participou ainda do primeiro título brasileiro do clube, em 1977.
Depois, foi para o Coritiba, onde foi campeão paranaense em 1978, e no Palmeiras. Também se destacou com a camisa da seleção do Uruguai, atuando em 57 jogos, com 17 gols, e é considerado por Pelé, o Rei do Futebol, um dos cinco melhores jogadores de todos os tempos. Pedro Rocha faleceu na segunda-feira na Capital Paulista, aos 70 anos, vítima de uma doença cerebral degenerativa. Com uma aposentadoria de R$ 1.800,00, ele recebia ajuda do São Paulo.
Após encerrar a carreira como jogador, no começo da década de 1980, Pedro Rocha passou a trabalhar como técnico. Dirigiu clubes como Guarani, Mogi Mirim, Botafogo de Ribeirão Preto, Coritiba, Ponte Preta, XV de Piracicaba, entre outros. Em 1992, foi treinador do Noroeste na Série B do Campeonato Brasileiro e no Paulistão. Quando comandou o Internacional, em 1996, foi o responsável por lançar Amauri Knevitz como treinador (era seu auxiliar técnico). Knevitz veio a dirigir o Norusca em 2010 e 2012.
Disse, certa vez, que “atleta de verdade é aquele que pôs na cabeça que o importante é vencer”. Pedro Rocha foi um atleta de verdade.
Tour no Sul e derrota em Avaí
O radialista Jota Augusto, da Rádio Auri-Verde, se recorda do período em que Pedro Rocha esteve à frente do Norusca. “A viagem mais marcante foi no Campeonato Brasileiro da Série B contra o Criciúma. O elenco ficou concentrado em um hotel fazenda na região de Tubarão, e a imprensa ficou no mesmo hotel, fizemos um jogo contra a comissão técnica. O Noroeste acabou perdendo aquela partida em Criciúma”, lembra. O jogo terminou em 4 a 0 para os catarinenses.
Outro cronista esportivo que tem uma lembrança marcante da passagem de Pedro Rocha em Bauru é Jota Martins, atualmente na 87 FM. “Esse jogo em Criciúma pelo Brasileiro realmente foi marcante, foi o momento em que nós da imprensa tivemos mais contato com ele. O time jogou lá e depois em Joinville, então foram vários dias no Sul do Brasil, e vimos que o Pedro Rocha era uma grande pessoa”, aponta Martins.
E foi naquela época que Jota Martins, noroestino declarado, acabou torcendo contra o time pela única vez, garante o radialista. “Foi em um jogo festivo antes do Campeonato Paulista que o Noroeste fez contra o time de Avaí, e eu era o técnico da Avaiense. Foi a única vez que torci contra o Noroeste (risos). Ganhamos por 2 a 1, o gol do Noroeste foi do Charles, e o Pedro Rocha mandou todo mundo subir no ônibus e voltar para Bauru, afinal tinham perdido para um time amador. O churrasco ficou só para o pessoal de Avaí”, recorda-se Martins.