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Tapa-buracos está com atraso de 1 mês

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 5 min

Certamente, você já ouviu a expressão “o buraco é mais embaixo” quando determinado problema tem uma causa mais complexa do que a imaginada. Com o perdão do trocadilho, essa é a condição dos buracos em Bauru. Agora, não é só a chuva que atrasa a operação de reparos. Por conta de uma pendência na empresa que fornece um dos componentes da massa asfáltica, o tapa-buracos está um mês atrasado.

O contexto foi confirmado pelo titular da Secretaria de Obras, Sidnei Rodrigues. O componente que teve o fornecimento comprometido e que atrapalhou o tapa-buracos é o cimento asfáltico de petróleo (CAP).

“O fornecedor desse componente é uma das empresas da Petrobras. Foi ela quem ganhou a licitação e passou a fornecer o CAP para nós. Mas essa empresa entrou em manutenção interna”, explica o secretário.

A empresa em questão é uma filial da Petrobras em São José dos Campos. Com a manutenção, a solução oferecida foi que o fornecimento do CAP continuasse por meio de outra filial, porém, de Paulínia. “Apesar de ainda ser da Petrobras, era um CNPJ diferente. Então, teve que passar pelo nosso setor jurídico para ser aprovado”.

Como já se sabe, o poder público é revestido de burocracia. A partir daí, um ponto leva ao outro: a demora em resolver a pendência, a falta no fornecimento do PAC, a impossibilidade de confeccionar a massa asfáltica, o atraso nos reparos. Resultado: buracos e mais buracos que se abrem e não são tapados.

“O problema foi resolvido agora. Estimamos que houve um atraso de 30 dias. Ou seja, um atraso de 20% dos reparos de todos os buracos. Estamos correndo atrás para recuperar esse tempo perdido (leia mais abaixo) durante o mês de dezembro”, promete o secretário.

No período em que o fornecimento do CAP foi interrompido, alguns buracos continuaram sendo tapados. Porém, bem longe da proporção ideal. Enquanto a pendência se arrastava, a prefeitura adquiriu, por ata de registro, massa asfáltica já pronta. Além de gastar mais do que quando faz o asfalto aqui, a aquisição da massa já pronta foi bem aquém do necessário.

“Não se compra na mesma proporção. Para se ter uma ideia, quando fazemos o asfalto aqui, gastamos R$ 13 mil por quadra padrão. Por ata de registro, a prefeitura gasta R$ 20 mil. Então, essa massa asfáltica só foi comprada para reparos em grandes avenidas e nos cortes feitos pelo DAE  (Departamento de Água e Esgoto)”, finaliza Sidnei Rodrigues.

Mais afetados

Se as grandes avenidas foram recuperadas nesse período em caráter emergencial, o mesmo não se pode dizer dos bairros. O titular da Obras reconhece que há localidades que foram muito afetadas pelo atraso no tapa-buracos, como o Bauru 16, Bauru 2000, Jardim da Grama, Vila Independência, Redentor e Geisel.

E ele nem precisaria dizer isso para quem passa pela quadra 1 da rua Lino Quatrina, no Bauru 16. Ali, uma cratera de um metro de profundidade, bem em uma curva e em frente a um ponto de ônibus, assusta. Foi colocado até uma porta de guarda-roupas para sinalizar.

“Faz mais ou menos uma semana que esse buraco está ali. Os motoristas já até sabem dele. Eles passam e desviam. Mas tem aqueles que não conhecem ainda”, conta Edilma dos Santos, 61, dona de uma barraca de garapa.

A reportagem esteve em outras partes de Bauru e notou que o problema não está localizado. Na quadra 1 da Antônio Antunes, no Jardim Panorama, um grande buraco prejudica o fluxo dos veículos. Também na quadra 1 da João Batista Garcia Filho, no Jardim Contorno, é a quantidade de pequenas depressões que castiga quem passa de carro por ali.

O mesmo ocorre na quadra 2 da rua Maria Benedita Cury, no Jaraguá, onde há, nada menos, que sete buracos. De todos os tamanhos e tipos, eles tiram o sono dos moradores. “Passa o ônibus no buraco e treme toda a casa”, conta Cristian de Brito, 27.

O pedreiro, que precisa manobrar ainda mais seu carro para estacionar e escapar dos buracos, conta que comprou o veículo há apenas um mês. “Já dá pra ouvir os barulhos no carro por ter que andar em tantos buracos nessa cidade”, critica.


Operação tem hora extra e mais um caminhão

Reconhecendo o atraso e a necessidade rápida de reparos em vários bairros, o titular da Secretaria de Obras, Sidnei Rodrigues, afirma que já foi traçado um plano estratégico para “correr atrás do prejuízo”.

“Nossos funcionários irão fazer um pouco de horas extras e também trabalharemos com caminhões a mais para a operação tapa-buracos”, promete.

Segundo Rodrigues, nove caminhões irão operar para tentar amenizar o problema. Quatro veículos da Obras (um a mais do que o normal), quatro do DAE e ainda um da Secretaria das Administrações Regionais (Sear).

“É exatamente para conseguirmos resolver esse atraso. A Sear, por exemplo, não fazia esse serviço. Ela vai começar a fazer agora para darmos conta dessa demanda”.

O cronograma prevê terminar os reparos necessários na região central e as grandes avenidas até a próxima semana. Depois, a Obras promete que o serviço será levado aos bairros mais emergenciais, como Bauru 16 e Bauru 2000.


Uma quadra de buracos

Os moradores da quadra 7 da Ramiz Tayar, no Bauru 16, também reclamam dos reflexos do atraso da operação de reparos nas vias. Lá, vários buracos incomodam. As depressões ainda acumulam a água de vazamentos.

“Faz uns seis meses que está assim. Estamos com medo de o asfalto ceder ainda mais”, aponta a servente de limpeza Márcia Colacino, 48 anos, que tem um desses buracos na porta de casa.

Apesar de os moradores afirmarem que o problema se originou há meses, a assessoria do DAE informou que o registro do problema só foi feito ontem, às 13h23. “Os reparos deverão ser efetuados até a próxima semana”, alegou a autarquia, em nota.


O buraco que queria ser rotatória

Na Vila Industrial, outro grande buraco criou uma situação perigosa, porém, inusitada. Entre as movimentadas vias São Roque e São Sebastião, a cratera passou a funcionar quase como uma rotatória.

Os veículos manobram ao redor dela para fazer as conversões e até voltar pela via. Em horário de rush, o grande fluxo, entretanto, gera situações de risco.

“Faz uns três dias que esse buraco está aqui. E passam muitos carros, que precisam desviar dele. E isso é perigoso. Atrapalha tanto quem vem quanto quem vai. Atrapalha por todos os lados”, aponta Fabrício da Silva, 24 anos, que, após conceder entrevista, precisou manobrar para passar e “escapar” da cratera.

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