"Nunca antes neste país", como diria o ex-presidente da República Lula, ouvi falar tanto a frase "é o que temos para hoje". De simples, a frase assume dimensões que nos fazem refletir sobre o seu real significado.
Em alguns momentos este "o que temos para hoje" reflete o conformismo em relação à falta de qualificação profissional dos colaboradores das organizações, tanto pública como privada, indicando que o produto ou serviço não obteve a qualidade desejada ou então a tarefa atribuída não foi efetuada a contento ou até mesmo, mais radical, o mercado está assim mesmo, nivelado por baixo.
A frase também é aplicada à falta de processos nas organizações. Retrabalhos, improvisações, o jeitinho brasileiro, têm sido a tônica quando não há investimentos em sistemas, em inteligência nos negócios (conhecidos com BI), enfim, quando a produtividade não é o centro das decisões.
Ouve-se a frase quando não há foco nos resultados. Empresas e organizações desestruturadas não planejam, não estabelecem suas estratégias e os gestores as administram apagando fogo e deixando que as não-conformidades prevaleçam sobre os planos traçados.
A coisa se agrava quando citamos a frase "o que temos para hoje" no sentido de não nos indignarmos com a corrupção, com a violência, com a gastança pública, com o descaso no gerenciamento do patrimônio público e quando já não vemos mais luz no fim do túnel.
O conformismo que a frase nos remete vai ao sentido contrário de tudo que se imagina quando se pensa proatividade, em fazer mais com menos, que mudar a história, de tornar as organizações eficazes, de motivar equipe, de construir riqueza, de, em última instância contemplar a qualidade de vida.
É preciso refletir sobre o que fazemos e o que queremos e iniciar pequenas revoluções que auxiliem a mudar o encaminhamento das questões importantes deste país, passando, inclusive pelo mundo do trabalho e nesta área pela educação e qualificação profissional. O que temos para hoje é muito pouco e para fazermos mais é preciso no mínimo sair da zona de conforto. É preciso ter uma nova atitude, em tudo.
O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, diretor regional do Corecon e articulista/colunista do JC