A escola é boa? Para quem e para quê? Um bom dirigente escolar minimamente inteligente pode direcionar todas as atividades para satisfazer os quesitos previamente estabelecidos pelos órgãos e empresas avaliadoras: suas notas serão as melhores e a escola destacada na opinião pública.
A dinâmica da escola pode fazer com que os alunos passem em todos os testes e olimpíadas do mundo com medalhas e orgulho para os pais. Alguns países tem melhorado muito o desempenho de seus alunos em um curto espaço de tempo, destacando-se a Finlândia, Coreia do Sul e o Vietnã. São culturas e localizações totalmente diferentes e os modelos de melhora também.
Na Finlândia, um país escandinavo do norte da Europa e terra do Papai Noel, os alunos vão para a escola em uma jornada curta/normal e conseguem um grau sofisticado de elaboração do pensamento sem competição excessiva e interferência dos pais. Assim também foi observado em outros países no topo dos índices como Alemanha, Holanda e Canadá: os alunos são bons, mas felizes.
Na Coreia do Sul, as jornadas escolares são longas com até 16 horas. Além do horário normal, alunos frequentam aulas de reforço, uma repetição das aulas anteriores. O aluno se sente em uma panela de pressão e, em geral, são tristes. No Vietnã, como na Coreia do Sul, as crianças estudam dia e noite!
A carga horária dos alunos na escola não deveria ser para mantê-los ocupados, mas para aprender e se deliciar com as atividades. As tarefas escolares não deve ser para os filhos ter o que fazer em casa, mas para aprender algo mais com alegria e consciência de sua importância. Sim, os alunos devem levar a escola a sério, mas não como atividades a cumprir por imposição, mas por prazer.
As horas na escola devem ser bem aproveitadas, saudáveis e alegres. O que importa é a qualidade do que se faz no tempo que você passa com seu filho e não grande quantidade de horas que pode ser de qualidade duvidosa. Na escola também deve-se ser assim: o que vale é qualidade e não a quantidade de horas na escola!
Algumas destas observações constam do estudo publicado no livro “The Smartest Kids in the World” ainda a ser lançado no Brasil. No livro “As crianças mais inteligentes do mundo”, além de analisar os resultados de vários sistemas educacionais nacionais, a jornalista Amanda Ripley de 39 anos acompanhou o intercâmbio de três estudantes estadunidenses em três países: Finlândia, Coreia do Sul e Polônia.
O estímulo à competição e a busca dos primeiros lugares nas escolas geram seres predatórios: o que vale é vencer, ser o melhor e superior a uma média estabelecida sabe-se lá por quem! Se esquece o lado humanístico: não somos máquinas, temos sentimentos, precisamos de divagações e muito afeto. Para a estudiosa Amanda Ripley não há dúvida: o mais importante na educação está no método criativo e principalmente na ação de professores muito bem preparados. O professor é o fator intraescolar mais importante na educação com o foco no aprendizado. A tecnologia ajuda, mas não é fundamental; ter ipads na mão não leva necessariamente a um melhor aprendizado!
Não se enganem: os melhores profissionais e os que tem maior respeito em suas famílias e sociedades não são os de melhores notas e que estudam necessariamente nas melhores universidades! Os mais bem sucedidos e felizes são os medianos no desempenho e, ao mesmo tempo, campeões na interação social! Sinto muito, mas estimular filhos para obter os melhores lugares, quase sempre significa criar um ser humano competitivo e predatório!
A autora do estudo foi questionada se o modelo educacional sul-coreano deveria ser copiado? - Há lições a serem aprendidas, mas não é o modelo ideal para nenhum país. O caminho é extremamente infeliz, muito eficiente, mas muito doloroso! Na Coreia do Sul, todos me diziam que o modelo finlandês é o melhor para o mundo.
Questionada se faria seu ensino médio na Coreia do Sul? - Definitivamente não, o sistema é muito esgotador. Uma das melhores decisões na vida foi estudar na juventude na França, que não tem um forte sistema educacional em relação ao topo, mas me fez entender que o mundo é um lugar muito grande!
Os competitivos predatórios e campeões das salas de aula tendem a achar que o mundo gira em torno do seu umbigo e que ele é bem pequeninho! O sistema educacional deve formar o homem como um todo, um cidadão completo, e não apenas como um profissional e instrumento do sistema produtivo!
O que queremos no Brasil?