Convivo diariamente com empresários, diretores e gerentes de bancos, profissionais que prestam serviços às organizações, funcionários de empresas, enfim, o que denominamos em economia de agentes econômicos, e todos são unânimes em afirmar: não há nem sinal de redução do ritmo de trabalho neste período do ano.
Leitura equivocada de quem imagina que estamos em ritmo de festas. O que há são comemorações de final de ano, mas as organizações estão analisando o desempenho do ano, elaborando seus orçamentos, discutindo metas, buscando recursos para honrar o décimo terceiro e aquelas que atuam no comércio, trabalhando em ritmo acelerado para dar conta do aumento de consumo natural deste período.
Existiu ao longo do tempo um comportamento em que dezembro se apresentava como mês das férias. Isso é verdadeiro para muita gente, mas em mundo globalizado, no formato (questionável até) atual, não há espaço para se comportar como se as coisas pudessem ficar para ao ano que vem.
Além disso, vem outra leitura importante: como o calendário escolar de 2014 será antecipado em função da Copa do Mundo e o carnaval será em março, tudo está apontando para um janeiro, mesmo que seja a partir da segunda quinzena, também em ritmo forte.
Alguns já devem ter ouvido a frase que qualifica as empresas que atuam atualmente no mercado: não é mais "o maior que engole menor", mas sim o "mais rápido que ultrapassa o mais lento", portanto, quem não focar nos negócios nesta virada de ano e não se preparar para o ano desafiador que será 2014 já a partir de janeiro, poderá ficar para trás.
Talvez o comportamento mais passivo quanto ao final de ano e início do ano que vem venha do setor público brasileiro. Os políticos entrarão em recesso e muitos deles terão obrigações com horários somente em fevereiro do ano que vem. Neste momento estarão focados em suas "bases" como dizem, portanto, para estes, as férias chegaram, mas insisto, esta não é tônica do mundo dos negócios, mesmo com a proximidade das férias escolares. A frase "cobra que não anda não engole sapo" demonstra bem como está o ambiente empresarial. Vale a pergunta-título deste artigo: ritmo de festas? Para quem?
O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, diretor regional do Corecon e articulista do JC