Tribuna do Leitor

Jésus Gonçalves


| Tempo de leitura: 2 min

Nesta época o nome de Jesus é pronunciado por cristãos de todo mundo. Crianças e adultos, estes com louváveis exceções, lembram-se muito pouco do aniversariante do dia 25 de dezembro. Ficam entretidos com o desembrulhar dos multicoloridos presentes. O "publicitário" Noel se encarrega de proporcionar a remoção das lojas de seus estoques de brinquedos e o nome de Jesus fica para ser lembrado no próximo ano. O JC nos Bairros trouxe no último domingo reportagem onde pessoas com o nome de Jesus deram seus depoimentos sobre a razão desse batismo e um breve histórico de seus feitos históricos. No pensar deste subscritor, faltou alguém de Bauru, falar sobre a personalidade de Jésus Gonçalves.

Nascido em Borebi no dia 12 de julho de 1902 e com esse nome batizado. Viveu seus primeiros anos entre essa cidade e Agudos e posteriormente seus pais chegaram em Bauru para residir à Rua Cussy Júnior esquina com Ezequiel Ramos. Por certo não o conheci pessoalmente. O historiador e pesquisador Eduardo Monteiro, em sua obra "A extraordinária vida de Jésus Gonçalves" ? Editora Espírita Correio Fraterno, 5ª Ed. de 1987 de São Bernardo do Campo, relata com uma riqueza de fatos e de fotografias a vida desse Espírito de Luz, que aos 20 anos de idade trabalhou como tesoureiro da Prefeitura local, casou-se e teve filhos, foi clarinetista da "Banda da Prefeitura de Bauru", também conhecida àquela época como "Jazz Band de Bauru".

Jésus Gonçalves era poeta, historiador, autor de peças teatrais, músico/clarinetista, jogador de futebol, jornalista, fundador e articulista dos jornais "Correio da Noroeste e "Correio de Bauru". Em 1930 é acometido do Mal de Hansen e afastado do convívio da família e da sociedade. Aposenta-se no serviço público e vai residir à Rua Campos Sales, em Vila Falcão. Seu compadre João Martins Coube cedeu-lhe o usufruto de um sítio nas proximidades de Bauru, mas em 16 de agosto de 1933 é internado no recém-inaugurado Asilo-Colônia Aymorés, Instituição sucessora da "Liga de São Lázaro de Bauru".

Mesmo em regime de internação compulsória, criou o jornal "O Momento", participou da criação do "Jazz Band de Aymorés" e da equipe de futebol Aymorés. Em 21 de setembro de 1937 é transferido para Hospital de Pirapitingui, cidade próxima a Itu.

Nesse Hospital fundou a "Sociedade Espírita Santo Agostinho", idealizador e seu primeiro presidente, e escreveu o livro "Flores de Outono". Foi fundador da Rádio PRC-2, Rádio Clube de Pirapitingui, e fundou o jornalzinho interno "O Nosso Jornal". Devido a um pedido feito pelo próprio Espírito, já desencarnado, seu nome passou a ser Jésus, pois ele se considerou indigno de ostentar o mesmo nome do Rabi da Galiléia. Em 16.2.47, regressou à Pátria Espiritual. Em Bauru, reside sua filha Jandira e um seu neto, meus conhecidos.

Roque Roberto Pires de Carvalho

Comentários

Comentários