No final de 1973 a Sabesp assumia as atividades em São Paulo. Quatro décadas depois, celebramos uma trajetória de avanços que posicionam o Estado entre os mais bem colocados no ranking do saneamento brasileiro. Isso significa fornecer água a 28 milhões de paulistas de 365 municípios, coletar 83% do esgoto e tratar 77% dessa carga poluidora. Vamos atingir, em 2014, a universalização nas sedes das cidades do interior e, até 2020, no litoral e grande São Paulo. Estamos próximos de um feito inédito no país.
Em pleno século 21, a falta de saneamento aprofunda o fosso entre o Brasil dos discursos oficiais e o Brasil real, onde metade do esgoto não é coletada e pouco mais de 30% disso recebe tratamento. O resultado: aumento das filas nos hospitais, baixo desempenho educacional, degradação ambiental e a renúncia ao desenvolvimento.
Há quatro décadas, São Paulo decidiu não fazer parte deste cenário. Criada no governo Laudo Natel, um dos períodos mais importantes teve início em 1995, com o empenho do governador Mário Covas pelo reequilíbrio financeiro e criação das unidades por bacias hidrográficas, aproximando as bases de operação dos clientes.
Outro capítulo marcante, do qual participei, em 2002, foi a entrada no novo mercado, exigindo maior transparência, governança corporativa e eficiência operacional, resultando em mais capacidade de investimentos e geração de benefícios para a sociedade e seus acionistas, muitos dos quais fundos de pensão e poupadores individuais. Em 2007, as estratégias direcionadas à universalização consolidaram nova fase no saneamento paulista.
O índice da mortalidade infantil caiu 62% em 20 anos, o que diz muito dos avanços no saneamento que, ao lado da educação, garante condições para uma infância com saúde e perspectivas. A sensibilidade socioambiental também está presente em programas como o Onda Limpa, a maior ação de saneamento do litoral brasileiro. Com o Se Liga na Rede, estamos conectando gratuitamente as casas de 192 mil famílias às tubulações de esgoto. Rios voltaram a ter vida e o Projeto Tietê já reduziu a poluição em mais de 160 km.
Ainda são grandes os desafios ? sobretudo em um setor demasiadamente tributado e dependente da parceria de municípios e consciência dos cidadãos. Mas a ocasião é para ser celebrada. Parabéns à família sabespiana e aos paulistas, afinal a Sabesp é um patrimônio de todos nós.
O autor, Geraldo Alckmin, é governador do Estado de São Paulo