Quando entra no ônibus que leva a delegação de sua equipe até os jogos fora de casa, é possível observar o técnico Elton Carvalho carregando o fone de ouvido como elemento indispensável na viagem. É que o treinador bauruense tem um gosto musical que foge ao que estamos acostumados no meio do futebol e do futsal: ele curte mesmo é rock’n roll.
Se a esmagadora maioria dos atletas e pessoas envolvidas na modalidade tem como estilos prediletos o samba e o pagode, Carvalho seguiu por um caminho bem diferente, e responde sem titubear que o gosto pelo metal veio da época de infância, quando assistia aos clipes da MTV. “Cresci curtindo rock, isso veio desde a infância mesmo. E continuo gostando até hoje, já fui ao Rock in Rio, Lollapalooza, a alguns outros festivais, sempre que vem algum show aqui em Bauru eu vou também”, comenta. Entre as bandas preferidas estão o Slipknot, Metallica e AC/DC.
Aos 29 anos, Elton Carvalho já entrou para a história do futsal bauruense ao ser o primeiro treinador da era profissional da modalidade na cidade. Ele comandou o time da FIB/Semel entre 2007 e 2013, período em que conquistou o acesso para a Divisão Especial do Campeonato Paulista e também a sexta colocação no Paulistão de 2012.
Agora, o treinador assume um novo desafio. Ele deixa a FIB para ser auxiliar técnico de Lucas Chioro no recém-fundado L.O. Bauru F.C., que disputará o Paulistão e a Liga Futsal (Brasileiro) a partir de 2014.
Futuro da modalidade
Elton Carvalho acredita que o futsal ainda chegará ao patamar de esporte olímpico, algo tão almejado pela categoria, mas no momento uma realidade distante. “Na verdade as pessoas que hoje comandam o futsal não estão interessadas muito nisso. Para quem comanda, não faz diferença, está bom desse jeito. Mas eu acredito que a modalidade possa chegar ao Pan-Americano, como foi no Rio em 2007, e aos Jogos Olímpicos”, defende o treinador.
Outro ponto questionado é sobre o atual sistema do Campeonato Nacional. A Liga Futsal não possui um campeonato de acesso e descenso, como existe no voleibol (Superliga B, que terá inclusive a participação do Preve/Concilig, de Bauru), e que deve começar também no basquete (Divisão de Acesso do NBB).
“O futsal hoje já comportaria um campeonato desse tipo, que permita o acesso de outras equipes. Na verdade esse é o motivador dos times que estão começando. Nas nossas primeiras temporadas na FIB, o grande objetivo era subir para a Especial do Paulista. Conseguimos isso em 2010, e um ano depois já foi implantado o sistema de franquias em São Paulo também. É um modelo que está predominando, com pouco espaço para acesso e descenso”, pondera Carvalho.
Ele ressalta ainda que aquele acesso em 2010, conquistado com o vice-campeonato da Série Prata, foi o momento mais marcante na FIB. “Com certeza foi o principal. Era um objetivo subir, enfrentar grandes equipes do estado. Brigamos até o final pelo título também, acabamos sendo vice na final com o Rio Preto, mas valeu pelo acesso, que nos credenciou à Especial”, pontua.
Família no esporte
Toda a família de Elton sempre esteve diretamente envolvida com o esporte. Celso, o pai, foi jogador no amador e funcionário da secretaria municipal de esportes, enquanto o irmão Ewerton “Alemão”, com quem compartilha o gosto pelo rock, trabalhou com Elton durante vários anos na FIB e voltará a compor a mesma comissão técnica agora no Bauru F.C.
O outro irmão de Elton é o ex-zagueiro Emerson, que foi titular da Portuguesa de Desportos e do São Paulo no final da década, atuando ainda na Seleção Brasileira. Ele, porém, não chegou a trabalhar junto com Elton. “Quem sabe no futuro. Foi mais pelo fato de eu ter ido para o futsal e ele sempre ter trabalhado no futebol. Mas um dia pode acontecer sim, todos os irmãos e a família de uma maneira geral possuem um ótimo relacionamento”, afirma.