Diariamente estamos sendo bombardeados por notícias terríveis sobre acidentes ocorridos no trânsito nas cidades e nas estradas, ceifando vidas preciosas e tirando precocemente do nosso convívio pessoas que conhecemos e que queremos bem. No primeiro semestre deste ano a Revista Veja publicou uma estatística tenebrosa citando que no ano de 2012 morreram 65.000 brasileiros vítimas de acidentes fatais no trânsito e mais de 300.000 foram feridos, muitos com sequelas irreversíveis (somente durante um ano). Na Guerra do Vietnã, em 10 anos, morreram 50.000 soldados norte-americanos, numa guerra marcada pela violência e que provocou uma tremenda mobilização da sociedade americana pedindo o fim do conflito. No entanto, o trânsito no Brasil tem matado mais do que as guerras pelo mundo afora, estamos sofrendo perdas diárias, silenciosamente, sem a mobilização das forças vivas e sem a intervenção das autoridades da nossa nação.
Os motivos da maioria dos acidentes sabemos de sobra: a falta de educação e civismo, a falta da direção defensiva, o excesso de velocidade, alcoolismo e outras drogas, dirigir muito próximo ao veículo da frente, falar ao celular enquanto dirige, imperícia, imprudência, negligência com veículos sem manutenção, sono ao volante e vai por aí afora.
É preciso que nós, como povo, clamemos aos nossos governantes por soluções urgentes, leis mais severas e multas que doam na parte mais sensível do ser humano que é o bolso, e mais, muito mais fiscalização. A Austrália sofria com problema semelhante e após uma campanha educativa com filmes mostrando nua e cruamente acidentes e suas conseqüências conseguiram diminuir sensivelmente a tragédia do trânsito. Timidamente, as autoridades têm divulgado algo semelhante, mas é muito pouco diante da enormidade do problema.
Faz parte da nossa cultura empurrarmos as coisas desagradáveis para debaixo do tapete, mas chega uma hora em que não dá mais. O número de acidentes nas ruas e nas estradas chegou a níveis alarmantes. E Bauru faz parte dessa cruel estatística. É preciso criar uma força tarefa na qual todo cidadão consciente participe e cobre das autoridades as providências a curto, médio e longo prazo. É urgente, estamos perdendo a guerra.
O autor, Olivo Costa Dias, é médico e colaborador de Opinião