Política

Viaduto para fevereiro já é dúvida

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

Éder Azevedo

Nem 80% do serviço contratado para o viaduto inacabado foram feitos, segundo cálculos da Prefeitura de Bauru

O terceiro prazo estipulado pela Prefeitura de Bauru para a conclusão do viaduto inacabado dificilmente será cumprido. O secretário de Obras, Sidnei Rodrigues, esperava a entrega da obra em fevereiro. Agora, diz que se dará por satisfeito se o serviço chegar ao fim no mês de março, quando termina o prazo do contrato entre o município e a Bema Construções, que já foi alvo de aditivo de tempo.

O motivo do novo atraso não será, no entanto, de responsabilidade dos 16 trabalhadores que, ontem, cruzaram os braços no canteiro de obras, até que recebessem salários atrasados pela empreiteira. (Leia ao lado)

Rodrigues afirma que a última medição do serviço apontou que a produtividade da construtora caiu pela metade. “Vamos pagar apenas R$ 79 mil referentes à medição de dezembro. No mês anterior, foram R$ 200 mil. E já houve ocasiões que esse valor chegou a R$ 400 mil. Calculo que tenhamos 20 dias de atraso”.

De acordo com a prefeitura, nem 80% do serviço foi executado. Além disso, o número de trabalhadores na obra é inferior ao de 25 previamente combinado. “Falta uma parte  complexa. Fazendo a concretagem do último vão, o serviço restante é relativamente simples”.

A situação, porém, é preocupante, segundo o secretário. Representantes da Bema, sediada em Piracicaba (SP), teriam admitido que a empresa “trabalha no vermelho”, mesmo com os pagamentos da prefeitura em dia.

Além de já ter “chamado a atenção” da empreiteira, Sidnei conta que o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), por meio da Secretaria Municipal de Finanças, adiantou em uma semana o pagamento referente à última medição. Ele teme ainda que a Bema insista no pedido de realinhamento de preço por conta da longa duração de tempo dos serviços. A empreiteira já reivindicou R$ 250 mil por esse motivo, mas a solicitação foi negada.

A previsão inicial era de que o viaduto inacabado fosse entregue à população em março de 2013. O atraso, portanto, pode superar o intervalo de um ano. O prazo contratual entre as partes terminava em agosto do ano passado, mas foi estendido para março. O prefeito já avisou ao secretário que não aceitará novo aditivo de tempo.

A reportagem entrou em contato com a Bema, que sugeriu entrevista com o engenheiro responsável pela obra. O profissional, porém, argumentou não ter autorização para falar com a imprensa.


Impasse anterior

Até outubro do ano passado, a Secretaria Municipal de Obras e a Bema Construções, de Piracicaba, viviam um impasse. O poder público oferecia aditivo de R$ 800 mil para a execução de obras complementares, mas a empreiteira não aceitava a oferta. Depois de muita negociação, a prefeitura decidiu fazer os serviços por conta própria e gastará cerca de R$ 300 mil com material. O valor inicial da obra era de R$ 5,9 milhões.

Os serviços adicionais vão garantir a construção de acessos do viaduto até a avenida Nuno de Assis, com 61 metros de prolongamento, e até a praça Espanha, com 360 metros. Além disso, estão previstas as construções de calçamento para esses acessos e guarda-rodas de concreto para evitar colisão e queda de veículos do viaduto.

O sistema de iluminação em led, custeado pela prefeitura, será o fator que mais vai encarecer a obra. A instalação custará mais de R$ 500 mil e o edital de abertura da licitação para contratação de empresa deve ser publicado em breve.


Trabalhadores paralisam as atividades por um dia

Após paralisação pelo período da manhã, os funcionários da Bema Construções, empreiteira vencedora da licitação para executar a obra do viaduto inacabado na avenida Nuno de Assis, retomaram os trabalhos, na tarde de ontem.  A mobilização dos funcionários sobre a alça do viaduto para cobrar o acerto de salários atrasados teve início às 7h.

Segundo o diretor de organização e mobilização do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, Josefino Cândido de Oliveira, o Mineiro, a reivindicação foi motivada pela falta de pagamento desde dezembro.

“Éramos para receber um adiantamento no dia 20 de dezembro e não foi feito. Além disso, o pagamento de janeiro também não entrou. Queremos uma solução e, até alguém nos explicar os motivos pelos atrasos, ficaremos aqui”, afirmou.

As atividades foram retomadas após a Bema ter efetuado os pagamentos, no início da tarde. “Quem recebe por cheque, já conseguiu descontar. A empresa também já depositou na conta dos trabalhadores que recebem dessa forma”.

No Legislativo

Trabalhadores contratados pela Isamix Trading, vencedora de licitações para a execução de duas obras na Câmara Municipal de Bauru, também estão com salários atrasados, inclusive o décimo terceiro. A informação é do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, que já solicitou diligências de fiscalização ao Ministério do Trabalho.

“A mesma empresa também não está honrando com pagamentos a funcionários que atuam em obras de Agudos e Macatuba”, alega Mineiro.

O JC fez contato telefônico pelo número da empresa, localizada em Mauá, divulgado na internet. Uma funcionário alegou, no entanto, que o setor de RH respondia apenas por outra empresa do mesmo grupo econômico e se recusou a informar outro telefone.

Por sua vez, a Câmara Municipal informa que a Isamix não receberá os valores referentes à próxima medição de obras caso não apresente certidão de regularidade referente a obrigações trabalhista. “Há a possibilidade de pagarmos os salários diretamente aos trabalhadores da empresa”.

A Isamix executa as obras de recuperação das fundações do prédio do Legislativo, pelo valor de R$ 176 mil, e de reforma dos banheiros, por R$ 85 mil.

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