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Polícia terá reforço no 1º semestre

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 7 min

Até o final do primeiro semestre deste ano, a Polícia Civil de Bauru e região deverá contar com reforço de pessoal. A novidade foi anunciada ontem em entrevista exclusiva concedida pelo diretor do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior 4 (Deinter-4), Benedito Antonio Valencise, ao Jornal da Cidade.

João Rosan

O delegado Benedito Valencise: “Ainda não temos números, mas metade das vagas disponibilizadas nos concursos será reservada para o Interior do Estado”

O número de profissionais a serem destacados para atuar na cidade e na área abrangida pelo Deinter, no entanto, não foi antecipado. Além das contratações que integram a programação anunciada pelo governo do Estado, Valencise informou que há planos para instalação de uma escola de formação de policiais civis pelo núcleo de Bauru da Academia de Polícia Civil.

Desde o ano passado, diversos órgãos e entidades da sociedade se mobilizam para que a cidade ganhe, também, uma escola de formação de soldados, a ser implantada no espaço onde, hoje, funciona o Centro de Progressão Penitenciária (CCP) 3, antigo Instituto Penal Agrícola (IPA). A seguir, leia os principais trechos da entrevista, em que Valencise também destaca outros planos estratégicos da Polícia Civil para Bauru e região.


JC - No ano passado, o governo do Estado anunciou contratação recorde de policiais civis (2,8 mil servidores, além da criação de 1.865 cargos para a Polícia Científica). Qual a estimativa de homens que serão destinados a Bauru e à região do Deinter-4?

Valencise - Isso ainda não está definido. Mas serão realizados inúmeros concursos para delegado de polícia, investigador, escrivão, perito criminal, médico legista, entre outras carreiras. Para as três primeiras, acredita-se que metade das vagas será reservada para o Interior do Estado.

JC - Quando estas contratações serão efetivadas?

Valencise - A primeira fase é desenvolvida pela Vunesp e as demais, pela própria Polícia Civil. O objetivo é de que estes policiais já estejam trabalhando ainda no decorrer do primeiro semestre deste ano.

 

JC - Qual é o déficit de profissionais em Bauru?

Valencise - Não tenho condições de responder, porque o trabalho vem sendo otimizado nos últimos anos, com bons resultados. Tanto é que as estatísticas demonstram queda nos índices de criminalidade.

JC - Esta otimização também passa pela aglutinação dos trabalhos da polícia na Central de Polícia Judiciária (CPJ, inaugurada em abril de 2013)?

Valencise - Sem dúvidas, mas quero deixar claro que o objetivo da CPJ não é encobrir a falta de policiais, como muitos dizem. O objetivo é o melhor aproveitamento dos policiais, a integração, a troca de informações e a adequação do trabalho de inteligência. O policial deve assumir responsabilidade sobre todos os crimes que acontecem na cidade. Uma ocorrência de roubo ou homicídio, muitas vezes, está relacionada com o tráfico. A criminalidade tem de ser tratada de maneira global.


JC - Quais carreiras possuem maior déficit de policiais em Bauru?

Valencise - Com certeza, a de escrivão de polícia. As investigações não estão prejudicadas em razão deste déficit, mas a maior parte das contratações deve ser para esta função, o que nos permitirá maiores condições de trabalho.

JC - O sindicato dos investigadores reclamou muito, ao longo do ano passado, em relação a este déficit, que os levava, muitas vezes, ao acúmulo de funções.

Valencise - Isso não é verdade. O investigador de polícia tem obrigação de participar da elaboração dos boletins de ocorrência durante os plantões, já que o procedimento faz parte do processo de coleta de provas. Mas ele não vai lavrar, por exemplo, um auto de prisão em flagrante.

JC - O ano de 2013 foi marcado por uma série de mobilizações por parte dos policiais civis (a categoria paralisou as atividades em sete dias diferentes entre julho e setembro). Como este descontentamento poderá ser solucionado em 2014?

Valencise - O governo do Estado atendeu muitas das reivindicações, entre elas o reconhecimento da carreira jurídica para os delegados de polícia e do nível universitário para os investigadores e escrivães. Existe, ainda, um plano de reestruturação da Polícia Civil. Os salários já foram reajustados em janeiro deste ano e novo aumento será dado em 2015. Acho que isso já é objeto de motivação para os policiais continuarem a desempenhar bem suas funções.

JC - Quantos policiais civis de Bauru foram enviados ao Litoral, neste ano, para reforçar a segurança nas cidades praianas durante o verão? Este encaminhamento não provoca maior déficit de pessoal na cidade?

Valencise - Na área do Deinter, abrangida por 89 municípios, foram apenas seis policiais neste ano, sendo dois de Bauru. Eles ficam de 15 a 30 dias nestes locais. É algo que ocorre todo ano, por determinação do governo do Estado, e não prejudica em nada a continuidade dos nossos trabalhos.

JC - Os policiais civis que estavam na 5ª Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) já foram realocados para a CPJ? (O desligamento ocorreu porque, no ano passado, o Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP) deixou de integrar a Secretaria de Segurança Pública para se vincular à Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Regional).

Valencise - Já. Ao todo, foram quatro delegados de polícia, um escrivão e um carcereiro, que já foram realocados. O doutor Elizeu (de Freitas Costa, então delegado da Ciretran), por exemplo, ocupará a titularidade do 1º Distrito Policial, na CPJ. Apenas um investigador que realiza as vistorias deve permanecer por mais dois meses, até que o Detran destaque um técnico para desempenhar esta função.

JC - Quais são os principais projetos para 2014?

Valencise - Um dos objetivos é que os cursos de formação de policiais possam começar a ser realizados pelo núcleo da Academia de Polícia de Bauru. Assim, aqueles que residem na área do Deinter-4 poderão concluir a formação para escrivão, agente ou investigador num local mais próximo. A exceção seriam os delegados, que continuariam sendo formados em São Paulo. A mudança representaria economia para os policiais que frequentam os cursos, além de proporcionar uma formação mais alinhada com a realidade local.

JC - E o núcleo de Bauru possui condições estruturais para isso?

Valencise - Sim, possui professores totalmente preparados. Se for preciso, alugaremos um prédio para que este trabalho possa ser desenvolvido. Hoje, o núcleo já oferece inúmeros cursos de aperfeiçoamento, nas mais variadas áreas: investigação sobre drogas, sequestro e homicídios, procedimentos de busca e abordagem, curso de tiro, entre outros. Temos praticamente todos os cursos disponíveis e queremos trazer, agora, o de formação técnico-profissional.

JC - Mais algum plano na área do Deinter-4?

Valencise - Completar, ainda no primeiro semestre deste ano, o projeto de reengenharia idealizado pelo governo do Estado. Ele já foi implantado em Bauru, Lins e Assis. Para 2014, queremos estendê-lo para as demais sedes de seccionais – Marília, Tupã, Ourinhos e Jaú – em que as CPJs ainda não foram instituídas.

JC - Em relação às estratégias de atuação, a Polícia Civil focará no combate a algum tipo específico de crime?

Valencise - Intensificaremos ainda mais o trabalho de combate ao tráfico de drogas, que se relaciona intimamente com o crime organizado, com o índice de homicídios e latrocínios. Também atuaremos muito na fiscalização aos desmanches irregulares, que estão associados aos roubos e furtos de veículos. Outro crime que nos preocupa são os furtos e roubos a caixas eletrônicos, em que os alvos preferenciais são cidades com menos de 30 mil habitantes. Estamos desenvolvendo estudos junto às instituições bancárias para adoção de medidas que dificultem a ação dos criminosos.

JC - Em Bauru, três homicídios foram registrados nos primeiros seis dias de 2014? A estatística preocupa? O que pode ser feito para conter os índices?

Valencise - É evidente que preocupa. Antes, a maioria dos casos era por acerto de dívida de drogas. Agora, é surpreendente o número de mortes por motivo fútil, por desavenças banais entre homem e mulher, vizinhos ou funcionários de uma empresa. O que a gente vê é que as pessoas estão agindo de forma impensada, sem medir as consequências. Mas os casos estão sendo esclarecidos e os autores, presos.

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