Política

Lombada eletrônica volta à Nações

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

Quase um ano depois de terem saído de cena, as lombadas eletrônicas retornarão à avenida Nações Unidades, na altura do Parque Vitória Régia. A licitação para locação dos equipamentos já foi concluída. A Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) deve recebê-los em até 10 dias úteis para que sejam instalados até o final de janeiro. A novidade é que a velocidade máxima permitida nos pontos das lombadas será de 40 quilômetros por hora. Nos demais trechos da via, a velocidade máxima permitida continua  a mesma.

Aceituno Jr. 

Antes de serem retiradas da via, as lombadas eletrônicas permitiam veículos passar a 60 quilômetros por hora

Quando funcionavam até abril do ano passado, as lombadas registravam os veículos que passavam pelo local a mais de 60 quilômetros por hora, limite imposto para o restante da avenida.

A explicação para o aumento do rigor é conceitual. Gerente técnico de infrações da Emdurb, Gustavo Cardoso explica que as lombadas eletrônicas têm a mesma função das tradicionais.

“Não é a de garantir que os veículos respeitem o limite de velocidade na via, mas sim que eles a reduzam. Em todas as cidades do País, essas lombadas eletrônicas impõem limites que variam de 30 a 40 quilômetros por hora”, pontua.

A medida é desaprovada pela maioria dos motoristas. Auxiliar de recursos humanos, Bianca Perez, 24 anos, acredita que a lombada eletrônica trará impactos negativos ao tráfego. “É péssimo. Não tem cabimento uma velocidade tão baixa em uma avenida como a Nações Unidas. O movimento lá já é suficientemente complicado”.

No primeiro semestre de 2013, o JC publicou que a Emdurb cogitava reduzir para 50 quilômetros por hora o limite de velocidade quando as lombadas voltassem a operar na avenida.

Na ocasião, diversos setores se posicionaram contrariamente à proposta, inclusive vereadores na tribuna da Câmara Municipal. Raul Gonçalves Paula (PV) foi o mais enfático à época.

Por outro lado, pedestres comemoram a notícia. Valérica Cristina Beltrame, 45 anos, conta que, depois da retirada das lombadas eletrônicas, caminha até a Praça da Paz para atravessar a rua.

“É muito perigoso ir de um lado para o outro da Nações. Os carros vêm em alta velocidade. Além do que também dirijo e acho bastante razoável o limite de 40 quilômetros por hora dentro da cidade”.

Mudança de local

Antes da desativação, as lombadas eletrônicas operavam na quadra 23 do lado ímpar e na quadra 21 do lado par da Nações Unidas. Agora, em ambas as pistas, os equipamentos serão instalados na quadra 23, na altura do restaurante Lalai.

“Mudamos para garantir que os pedestres possam atravessar os dois lados da avenida com segurança”, explica Gustavo Cardoso, gerente de infrações.

O contrato firmado pela Emdurb também prevê a instalação das lombadas eletrônicas nas duas pistas da quadra 55 da avenida, em frente ao Hospital Estadual, onde há intensa movimentação de pedestres.

Vai parar?

A estimativa da Emdurb é que 19 mil veículos passem pela avenida Nações Unidades todos os dias. A pergunta feita pelos motoristas que dirigem pela via é: a redução da velocidade máxima permitida no trecho em frente ao parque Vitória Régias aumentará a lentidão no tráfego?

Professor de Engenharia de Tráfego da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Archimedes Raia Júnior garante que sim. “Evidentemente que, nos horários de pico, haverá atrasos e congestionamentos”.

O especialista observa que a instalação das lombadas eletrônicas resolve problema da segurança na via, especialmente a dos pedestres. A medida, no entanto, compromete a fluidez no trânsito. “Por outro lado, a lombada eletrônica é mais pedagógica que os radares”.

Uma alternativa apontada por Raia Júnior é a construção de uma passarela no trecho da Nações Unidas de fronte para o Vitória Régia. A obra foi cogitada pelo prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) em janeiro do ano passado. “Seria uma opção para aliar segurança e fluidez”, avalia o engenheiro.

55% mais caro

As lombadas eletrônicas de Bauru foram desativadas em abril de 2013 em função do desinteresse da empresa que ganhou pregão presencial em 2009 de renovar contrato para a continuidade do serviço por R$ 11 mil mensais. A Splice, de Votorantim, tinha dois funcionários na cidade para implantação do sistema, manutenções preventiva e corretiva das lombadas.

Para a nova implantação dos equipamentos, a Emdurb pagará mais de R$ 17 mil ao mês, valor 55% superior ao do contrato anterior. A empresa que locará as lombadas eletrônicas é a TalenTech, sediada em Santana do Parnaíba (SP).

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