Polícia

Postos registram onda de assaltos 

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Postos de combustíveis de Bauru foram alvo, nesta semana, de uma onda de assaltos que deixou em alerta funcionários e proprietários de estabelecimentos do ramo. Somente entre domingo e quarta-feira, três roubos foram registrados.

No mais recente deles, um homem armado e usando capacete rendeu o frentista, levando cerca de R$ 800,00 que estavam no caixa. O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro) informou que irá reforçar aos empresários as normas de segurança preconizadas pela Polícia Militar (PM).

“Nossa preocupação maior é com a integridade física dos funcionários. Como, por regra, os postos trabalham com pouco dinheiro em caixa, há sempre a possibilidade de os criminosos se voltarem contra suas vítimas”, comenta o presidente da entidade em Bauru, José Antônio Reghine.

Embora a concentração de assaltos em poucos dias tenha gerado preocupação, ele lembra que existe uma tendência de aumento das ocorrências a cada início de mês, quando ocorrem os pagamentos de salários e mais dinheiro passa a circular no comércio.

“Não é possível afirmar que estamos em uma crescente (de roubos). Pode ser que, nos próximos dias, eles deixem de acontecer, ou em razão da prisão dos assaltantes ou por estratégia deles próprios”, analisa.

Nesta semana, o primeiro roubo foi registrado no domingo, na quadra 9 da avenida Elias Miguel Maluf, na Vila Industrial. Por volta das 21h, um homem invadiu a loja de conveniência do estabelecimento, onde estava a operadora de caixa, de 30 anos.

“Ele chegou perguntando se tinha cigarro e, em seguida, levantou a jaqueta, fazendo menção de estar armado e dizendo que era um assalto. Na hora, consegui manter a tranquilidade, mas, depois, fiquei muito nervosa, imaginando tudo o que poderia ter acontecido”, relembra a funcionária. Sob ameaça, ela entregou os R$ 30,00 que estavam no caixa e o criminoso fugiu sem deixar pistas.

Há três anos trabalhando como operadora de caixa, esta é a primeira vez que a mulher é assaltada no posto de combustíveis. Já a vítima de outro roubo, que trabalha como frentista em um posto localizado na quadra 8 da avenida Pinheiro Machado, no Jardim Rosa Branca, não teve a mesma sorte.

Sangria de caixa

Em apenas seis meses, o estabelecimento já foi assaltado duas vezes. O roubo mais recente foi registrado por volta das 19h da última segunda-feira, quando um homem armado invadiu a loja de conveniência, onde estava um dos frentistas, de 40 anos. Do lado de fora, um comparsa dava cobertura para a ação.

A abordagem ocorreu no momento em que o funcionário retirava parte do dinheiro do caixa para depositá-la no cofre do estabelecimento.

“Eu estava sozinho na loja, fazendo o que a gente chama de sangria de caixa, e o rapaz já entrou com o revólver na mão, anunciando o assalto”, relembra o frentista.

O prejuízo totalizou cerca de R$ 780,00, somando o dinheiro que estava no caixa e nos bolsos dos funcionários. “Ele me mandou ajoelhar no chão e abaixar a cabeça, ameaçando atirar. Mas, graças a Deus, não aconteceu nada”, comenta o frentista, que diz ainda estar assustado com a ação inesperada.

No terceiro assalto, registrado por volta das 21h30 de quarta-feira, um homem armado com revólver levou cerca de R$ 800,00 de um posto localizado na quadra 1 da rua Alto Acre, no Jardim Bela Vista.

Segundo boletim de ocorrência, o ladrão entrou no estabelecimento comercial usando capacete e, mediante ameaças, rendeu o frentista, de 26 anos, e roubou seu aparelho celular e uma corrente de ouro. Em seguida, o criminoso pegou todo o dinheiro que estava no caixa e fugiu.


Um já foi preso, diz PM

No início desta semana, três criminosos foram presos na cidade e um deles, comprovadamente, estava envolvido em pelo menos dois assaltos a postos de combustíveis ocorridos desde o início do ano.

“Isso deve contribuir para a redução dos índices daqui para frente”, salienta o comandante do 4º Batalhão de PM do Interior (4º BPM-I), tenente-coronel Walter Oliveira.

Ele salienta, no entanto, que as ocorrências registradas desde o início de ano em Bauru estão dentro dos parâmetros considerados normais. Portanto, nenhuma ação especial será adotada pela PM, além de reforçar as medidas de segurança a serem adotadas pelos proprietários de postos.

Entre as recomendações, Oliveira cita que os empresários devem evitar manter grande quantidade de dinheiro em caixa e guardar os valores arrecadados ao longo do dia em cofres. “Outra dica é orientar os funcionários a não ficarem aglomerados em um mesmo espaço. Se estiverem espalhados, fica mais difícil o criminoso dominar todo o ambiente”, ensina.


Lei proíbe uso de capacetes

Desde fevereiro de 2010, vigora em Bauru uma lei que proíbe o uso de capacetes ou de “qualquer tipo de cobertura que oculte a face ou dificulte a identificação do usuário” dentro de estabelecimentos comerciais. A norma, no entanto, foi sancionada sem que fossem definidas as formas de fiscalização para o devido cumprimento das regras estabelecidas.

O texto estabelece, ainda, que os estabelecimentos públicos e privados deverão afixar cartazes informativos em seus locais de entrada.

Na época, o vereador Roberval Sakai, autor do projeto de lei, comentou que a prefeitura não teria condições de efetuar a fiscalização e que os próprios donos de postos deveriam orientar os clientes sobre a regra.

Estadual

Em março do ano passado, lei semelhante foi instituída em âmbito estadual pelo governador Geraldo Alckmin. A regulamentação também não definiu como a fiscalização seria realizada.

Comentários

Comentários