Percorrer o trajeto rodoviário entre Bauru e Iacanga não exige só perícia e redobrada atenção ao volante, mas também sorte para escapar de armadilhas de estrutura da estrada, o que a torna ainda mais perigosa. Em fase de duplicação no trecho entre Bauru e o Aeroporto Moussa Tobias, a estrada combina os já conhecidos riscos da pista simples com depressões no pavimento e locais com “surpresas” como o afunilamento na saída do trevo de Iacanga (50 quilômetros de Bauru), para quem vai em direção a Ibitinga, e dificuldades em alças de acesso.
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Éder Azevedo |
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Armadilhas assustam em trevo e pista |
A Bauru-Iacanga, chamada de rodovia Cezário José de Castilho (SP-321) e que está com canteiro de obras em andamento até o acesso ao aeroporto, apresenta para o motorista as imperfeições do piso logo após o acesso para a Vila São Paulo.
A reportagem percorreu a estrada no domingo. Até o trevo do aeroporto é uma sequência de sinalização ruim e muita trepidação no veículo, - saldo acumulado do velho asfalto e das rachaduras – trecho finalmente em fase de recape.
Mas, logo após a entrada para o aeroporto, a rodovia apresenta um paradoxo: a sinalização em bom estado e o pavimento recentemente recapeado trazem “no pacote” solavancos que podem gerar perigo ao motorista menos atento. Em algumas dessas depressões, que acompanham o motorista até a entrada para Ibitinga, o carro parece querer saltar do solo, o que exige constante correção ao volante.
As duas surpresas mais delicadas, entretanto, estão no trevo de acesso a Iacanga. O motorista é convidado a fazer, ao final do trevo, sentido Bauru-Iacanga, uma manobra com razoável risco para retomar a trajetória da pista. O traçado parece contrariar o bom senso do desenho de engenharia rodoviária. O afunilamento da pista em pleno trevo, com grau de inclinação repentino para continuar na rodovia, é perigoso.
Espectador “privilegiado” do local, o comerciante Marcelo Abud administra um restaurante ao lado desta parte final do trevo e convida engenheiros do Departamento de Estradas e Rodagem (DER) para acompanhar as “aventuras neste trecho da pista”. “Durante a semana é intenso o movimento de veículos e, mesmo reduzindo a velocidade, muitos motoristas têm muita dificuldade para fazer a correção do veículo. Isso aqui precisa ser visto por especialista, não é possível que esta saída do trevo esteja correta, é muito perigoso”, avalia.
O aposentado Marcelo Abud compartilha da posição do comerciante. “Olha, acho que estão esperando acontecer algo grave aqui para fazer alguma coisa porque o motorista não consegue se manter em sua linha de caminho para terminar o trevo. Ele tem de se arrumar na pista, de repente, para não sair dela. É um absurdo isso aqui. Em linha reta o carro iria dar no barranco. Como infelizmente tem muita gente que não reduz a velocidade no trevo, isso aqui fica ainda mais perigoso”, aborda.
Mas os moradores de Iacanga apontam outro problema no mesmo trevo. “É só esperar e observar os treminhões que precisam acessar a alça de saída do trevo para a cidade. O tamanho da área não comporta os caminhões e isso trava o trânsito aqui”, conta. A área de desaceleração e entrada não comportam treminhões e, próximo dali, há uma usina de álcool, o que torna o acesso bastante utilizado. (veja quadro abaixo)
Outra reclamação dos motoristas é que o recapeamento não garantiu a terceira faixa após o trevo. “Fizeram a terceira faixa entre o aeroporto de Bauru e Iacanga, mas daí em diante parou. Logo após Iacanga tem a usina e é um trecho onde é fundamental ter a faixa adicional em razão de muito tráfego de treminhões. Mas não só não foi feita a faixa adicional nessa parte como ainda colocaram uma espécie de cordão de asfalto perto da usina para que os caminhões não liberem passagem pelo acostamento, o que acontece muito aqui”, conta Vicente.
Mas se os motoristas acham que as surpresas se limitam aos problemas no trevo, à ausência de terceira faixa após Iacanga e às constantes depressões ao longo de todo o trajeto, tem mais surpresa: “Da usina para cá, no sentido Iacanga, tem uma curva onde a pista joga o carro para fora dela, como se fosse desenhada errado. Essa sensação acontece com todo mundo que passa por aqui. É só perguntar”, finaliza Abud.
Mesmo para um leigo o que merece ser verificado é se o ângulo da pista na curva não gerou o chamado efeito da força centrífuga sobre o ponto, onde o carro é “jogado para fora”, quando a engenharia de instalação deveria funcionar com forças inversas, para manter o veículo na rodovia.
DER aponta investimento de R$ 181 milhões no trecho
O Departamento de Estradas de Rodagem (DER) informou, através da assessoria de imprensa, que os pontos levantados por usuários em relação à rodovia Bauru-Iacanga estão sendo objeto de investimentos pelo governo do Estado de São Paulo que somam, em duas etapas, R$ 181,4 milhões.
A assessoria comenta que os apontamentos de engenharia, de eventuais intervenções de correção, serão vistoriados pelo setor competente após a conclusão dos dois projetos em execução na rodovia.
“O primeiro projeto da SP-321, rodovia Cezário José de Castilho, contempla o recapeamento da pista e dos acostamentos existentes, além da pavimentação de alguns trechos dos acostamentos em terra e implantação de faixas adicionais”, cita a assessoria.
O DER esclarece que as faixas adicionais serão implantadas em três lotes, abrangendo ao final a extensão do km 356 ao km 411,92. O lote 1 terá a terceira faixa do km 356,62 ao km 383,5, o lote 2 do km 383,5 ao km 405,98 e o lote 3 do km 405,98 ao km 411,92.
As obras cobrem uma extensão de 55,92 quilômetros, do trecho Bauru, Arealva, lacanga e Ibitinga, ao valor total de R$ 90,5 milhões neste projeto. O término das obras está previsto para abril deste ano.
O segundo projeto na rodovia situa-se mais próximo de Bauru, da saída da cidade até o aeroporto Moussa Tobias. A extensão é de 11,8 quilômetros e o valor total desta etapa foi contratada por R$ 90,9 milhões pelo governo do Estado. O término da duplicação até o aeroporto deve acontecer em junho de 2014, segundo o DER.
“Cabe esclarecer que problemas detectados pelos usuários serão sanados com a conclusão das intervenções. O objetivo do DER na realização de obras de recuperação e modernização é garantir melhores condições de segurança aos motoristas e usuários da rodovia”, finaliza a assessoria de imprensa.
