Como pode um país ser governado com 40 diferentes ministros, cujo critério de escolha é político e precisa atender os apelos de uma base aliada que é uma enorme coxa de retalhos? A importância de cada ministério é diretamente proporcional ao orçamento que administra. E é daí que cada partido consegue o seu funding para bancar campanhas e outras coisas indecentes.
Este país, nos últimos 10 anos, vem sistematicamente acabando com a indústria nacional de transformação. A indústria promove a inovação tecnológica, empregos de qualidade, agrega valor aos recursos naturais que são fartos no Brasil, projeta a imagem do país, estimula esforços voltados para a qualidade e produtividade além da importante contribuição na renda das famílias e impostos arrecadados.
Por razões estruturais como infraestrutura, burocracia, tributação, formação técnica de pessoas, escola de qualidade, crédito barato e confiança no governo, a indústria está perdendo o espaço e o Brasil perde uma grande oportunidade de ser expoente e grande player mundial nesta área.
Entretanto, o nome do jogo é a falta de confiança. Confiança maior evitaria uma depreciação tão forte do real e ampliaria os fluxos de capital e o interesse (externo) pelo Brasil, ajudando no combate à inflação.
Confiança é a forma mais barata de estímulo. Nosso governo é duro com os EUA, Europa, etc... e mole com Bolívia, Venezuela, etc.. Precisamos deixar claro que não dependemos do Mercosul. E este acordo com Cuba envolvendo médicos e investimentos do BNDES? Pode ser explicado?
O Brasil está maduro para ter um Banco Central independente. Isto seria muito bom para a nossa economia. A sociedade quer a troca de critérios que medem a quantidade por critérios que medem a qualidade. Isto vale para o ensino, saúde e vários outros indicadores. Queremos o padrão FIFA, certo?
Tivemos grande mudança no padrão salarial na última década. Como temos uma economia com fortes premissas e conceitos de indexação, o novo padrão salarial corrói a nossa competitividade relativa com o mundo.
A "taxa" do mundo é nossa! Conquistamos, de novo e com folga, o título da maior taxa de juros do mundo.
Na arrogância e prepotência deste partido governante que fez questão de trazer os grandes eventos como a Copa do Mundo e Olimpíada para o Brasil, esqueceram que no mundo globalizado todos acompanham as tensões e realidades do país em foco. Portanto, nossos problemas são muito mais conhecidos e divulgados. Todo o mundo está de olho no Brasil, onde matam mais pessoas que em países que estão em guerra.
Poderíamos falar mais do câmbio, gastos públicos que crescem numa taxa superior a arrecadação, falta de investimentos públicos e privados, a Petrobras que tem déficit de produção onde precisamos importar petróleo etc... O viés natural deste governo é estatizante. A Petrobras e os Correios são bons exemplos da influência marcante e negativa do estado.
Depois de 11 anos começaram a fazer concessões de serviços públicos por pressão mundial e responsabilidade com relação aos eventos Copa e Olímpiada. Tudo atrasado e pouca coisa estará funcionando no prazo conforme previsão. Além dos custos absurdos.
Precisávamos de 12 arenas de futebol para a Copa? Claro que não, 5 estaria ótimo. E os programas sociais? Interessa muito porque, principalmente, da voto.
Por estas e outras razões o país não é mais competitivo, não se confia e tem o seu futuro comprometido e dependendo de mudanças radicais na forma de conduzi-lo. Este governo deixará nenhum legado. Empurra com a barriga o modelo econômico herdado e o modelo esgotou. Temos nenhuma reforma estrutural com visão e impacto de médio e longo prazo.
Perdemos milhões de empregos de qualidade na faixa de 2,5 a 6 salários, principalmente da indústria, e estamos nos transformando numa economia de serviços e comércio.
Este país tem futuro? Os jovens estudantes veem oportunidades neste cenário? O debate é agora porque a eleição vem aí...
O autor, Ricardo Marques Coube, é Engenheiro e empresário