Os comerciantes estão deixando de vender e a prainha de Arealva continua sem os cuidados mínimos. O mau cheiro impera e a praia, que poderia estar lotada, tem frequência 50% menor em comparação aos anos anteriores nessa mesma época. O comércio sente o prejuízo e a prefeitura pensa em reunir prefeitos das cidades ribeirinhas.
O prefeito de Arealva, Paulo Padanosque Pereira, diz que o prejuízo maior é emocional e moral. “Estamos assistindo tudo isso e nada podemos fazer. O Rio Tietê não é do município. Deveria ser como a terra que é daqueles que nela produzem. Não podemos fazer nada. Até a prainha é uma concessão da AES Tietê. Para fazer alguma coisa, temos que consultar inúmeros órgãos. O município não tem autonomia alguma”, lamenta.
Pereira alega que não gosta de falar de temas econômicos porque “parece vampiro”.
“Eu tenho que pensar na cidade como um todo. Mas o comércio foi bastante afetado. Não só aqui como nas demais cidades ribeirinhas. Se os donos de rancho estão deixando de vir, eles deixam de consumir. O movimento da cidade ficou bastante prejudicado em função do mau cheiro exalado pelo rio.”
Ele admite que a prainha está em estado lamentável. “Estou renovando o contrato com a AES Tietê. Pedi R$ 1,5 milhão para investir na praia. Tenho que arborizar e revitalizar a prainha. Pretendo fazer um píer, uns quiosques, reforma de banheiros, barreira de contenção de aguapé e uma área de camping. Uma área de embarque e desembarque de embarcações.”
Interdição
De acordo com Pereira, nem mesmo interditar a praia é possível. “Para interditar tem que ter laudo técnico. Mas as atenções não estão voltadas ao Tietê, ele vai ser um rio para ser explorado para pesca, piscicultura, lazer, uma série de coisas. O tratamento de esgoto de Itapuí, e no próximo passo Bauru, vai melhorar o rio que recebe esse esgoto diariamente. Vai se tornar um rio mais limpo, aí as atenções serão voltadas a ele.”
Ele pretende reunir os prefeitos do Vale do Rio Tietê. “Temos que nos unir para resolver a questão do rio. Tenho esperança de que um grupo francês que está vindo para o Brasil possa despoluir os rios, inclusive o Tietê chegue até nossa região. Não podemos ficar esperando as coisas acontecerem.”
Na opinião do prefeito, os municípios ribeirinhos deveriam receber uma fatia dos investimentos.
“O Rio Tietê é do Estado e foi terceirizado para a AES Tietê, que usa para a geração de energia e transporte. Os municípios não são contemplados com nenhuma fatia dos investimentos. A preservação do rio deveria ser feita por eles.”
Lucro pela metade
O comerciante Salvador Caride Neto tem um armazém no caminho da prainha de Arealva. O verão é a estação mais esperada por ele. É nesse período que o faturamento dobra todos os anos. Mas, a situação da prainha e o mau cheiro exalado pelas águas afugentaram os frequentadores, sinônimo de baixa nas vendas.
“Nessa época do ano, os ranchos estão cheios e a prainha também. Eu vendo muito carvão, gelo e bebidas. Este ano as vendas atingiram uma queda de 50%. Eu cheguei a vender 80 caixas de bebidas em um final de semana. Neste verão, não atingi nem 40 caixas.”