Raquel Sebe Müller é especialista em desenvolvimento de produtos femininos e possui 18 anos de experiência no varejo, liderando grupos de desenvolvimento de produto e criação em empresas como C&A, Marisa e Daslu. É antenada nas mais diversas tendências internacionais de moda. É dela a seguinte frase: “As estampas animais não vão cair de moda tão fácil, é o novo pretinho básico”. Foi o que ela afirmou à reportagem do JC.
A consultora esteve em Bauru apresentando palestra Temas e Tendências - Inverno 2014, para lojistas e estudantes do assunto. Além de apresentar informações mercadológicas, mostrou uma prévia do que se pode esperar das próximas coleções, seguindo as tendências vistas na Europa, em agosto último. No hemisfério norte o mês referência na moda europeia e especial na apresentação das coleções de inverno que tanto as europeias, quanto as norte-americanas começam a usar. São essas referências que vão ditar a moda aqui no Brasil.
Novas padronagens
A expert lembra que quatro temas predominam na estação mais fria do ano: Galeria do Rock, tempos modernos, opulência folk e filme noir serão as tendências seguidas.
As cores mais promissoras são o preto e branco, vermelho, cinza, laranja, azul e dourada.
Na área do rock, são as padronagens e estamparias mostradas pelos ícones da música, traduzidas para a passarela. É como se o desejo de ser uma popstar descesse dos palcos para invadir pistas de dança, bem como o dia a dia, com o preto luminoso misturado com muito dourado e prata. E também há uma tendência punk com muito xadrez, saias kilt (estilo escocês) e calças justas.
Pinturas florais e estampas animais marcam o verão
Mas se engana quem pensa que a brasileira espera o inverno de 2014 para colocar as tendências em prática. Ao contrário. Essas referências já aparecem no próprio verão 2013/2014. Como as estampas florais (que são destaque no folk europeu) e as padronagens de animais, com onças e cobras coloridas. “Elas estão revisitadas, feitas de um novo jeito, com misturas de cores, mas não tem jeito, esta é uma moda que caiu no gosto da brasileira e não vai sair da tendência tão já”, aposta Raquel. Outras tendências que não sairão de moda: o preto e o branco e brilho, muito brilho!, com muito bordado nas roupas. Mas não pense em pegar a mesma blusa de cinco ou seis anos atrás. Agora, o bordado é igual, mas diferente, entende? É preciso prestar bem atenção no que vem nas vitrines. E reciclar o que você já tem no guarda-roupa, se quiser, com a nova tendência.
É o BICHO!
Raquel lembra, claro, que há mudanças nos tecidos (aqui muito mais leves) e somem as mangas compridas, dando uma repaginada na tendência com um visual também mais sensual para a brasileira porque as formas ficam em evidência. Outros destaques ficam por conta do xadrez, do preto e branco e dos grafismos, que aparecem em todas as tendências.
E a prova disso é que na mesma noite em que ela falava para um seleto público no Senac, um desfile de modas, o Social Bauru Fashion Show, em outro canto da cidade, já mostrava o que está à venda nas vitrines bauruenses para o verão. As roupas são da Universo Fitness, Carmelina, Chica Brasil, SLA Fashion com bolsas e sapatos da Carmen Steffens.
Nas calças justas, nos biquínis e maiôs estruturados, muita estampa de onça e cobra... e às vezes até a mistura de estampas. O grafismo está presente também na moda praia.
‘A mulher bauruense é criativa e mixa referências de estilos’
Para Odil Zepper, o Juba, consultor de tendências e estilo para o varejo de mora e shopping centers, “de forma geral, a mulher bauruense usa: blusas, calças, sapatilhas e sandálias abertas (salto). Dividem-se em fãs da praticidade (malharia) e adeptas da elegância (tecidos finos)”. Ele que também é professor de graduação e pós-graduação em moda e diretor da Unikaroom, define de forma fácil a bauruense “é criativa e mixa referências dos estilos: esportivo, elegante e leves pitadas sexy (roupas justas, decotes e transparências)”.
Nas ruas
Final de tarde e o que mais se vê nas ruas bauruenses é o estilo Mulher/Moda/Malha definido pela professora do Senac, Ekaterina Barcellos. Se o jeans é o uniforme, a calça legging, especialmente a preta, não pode faltar.
Maria de Fátima Frugoli, gerente de restaurante:
“Gosto de legging. Para mim é a melhor opção. Deixa a gente mais magra e é bastante confortável”. Ela combinou com uma malha bem solta. Sapatos de salto médios e bolsa tornam o visual mais condizente com a profissão.
Ana Claudia Simões, operadora de caixa:
“Sou bastante básica. A legging preta para mim que sou mãe (ela estava acompanhada da filhinha Ana Clara, de 2 anos) é fundamental porque combina com tudo”. Ela também usava uma camiseta branca com inscrições douradas, uma tendência muito comum nas ruas. E o mais importante: como a legging é mais justa, a camiseta ampla contrabalança a silhueta.
Caroline Alves da Silva Milani, 19 anos, estudante:
“Gosto de moda, sou de me produzir bastante, mas hoje eu peguei a primeira que encontrei. O shortinho é bem confortável, além disso eu gosto de eu mesma refazer as peças ou seja, customizar, costumo cortar e reciclar minhas camisetas. Este short é uma calça que eu cortei”. Ela encarna o visu jovem e descolado, bastante próprio das teens bauruenses.
Milene Rafael Floriano, 28 anos, operadora de caixa
“Gosto muito de moda. Hoje coincidiu de eu combinar a camisa com o tom dos sapatos. Mas isso não é fundamental para mim. No trabalho eu me visto assim, jeans e camisa. Mas nas baladas gosto mais de saias, short e vestidinhos” - exatamente como dizia a consultora do Senac; para trabalhar, a bauruense ama jeans e camisa.