Daniela Lima
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), já está cotando nomes junto a líderes de partidos aliados para substituir ao menos sete secretários que hoje integram sua equipe.
Como noticiou a Folha de S.Paulo na semana passada, ele decidiu fazer uma grande reforma em seu secretariado, antecipando a saída de auxiliares que desejam disputar as eleições para deputado federal ou estadual deste ano.
As mudanças serão efetivadas entre o fim de janeiro e o início de fevereiro, embora, pela legislação, a saída de secretários candidatos pudesse ser feita até abril.
A antecipação das mudanças também atende à pressão de integrantes da cúpula do PSDB. Nas últimas semanas, eles sugeriram antecipar as trocas como forma de minimizar o desgaste da administração com as acusações de que secretários tiveram relações com empresas acusadas de participação no caso Siemens, que investiga cartel em licitações de trens e pagamento de suborno a agentes do Estado.
Um delator do caso citou três secretários do governador nas investigações. Edson Aparecido (Casa Civil), José Aníbal (Energia) e Rodrigo Garcia (Desenvolvimento Econômico). Os dois primeiros são filiados ao PSDB e Garcia pertence ao DEM. Todos negam as acusações.
Mas as trocas podem afetar até dez pastas. Oito são ocupadas por políticos (Casa Civil, Desenvolvimento Econômico, Energia, Gestão, Habitação, Meio Ambiente, Planejamento e Saneamento).
Dessas, há dúvida sobre substituição apenas na Casa Civil. Principal interlocutor de Alckmin com a Assembleia Legislativa, Aparecido não decidiu se será candidato e tem apoio dentro do partido para permanecer no cargo, apesar de ser citado nas denúncias. Há ainda expectativa de substituição em outras duas pastas do governo: Agricultura e Justiça.
O DEM, que comanda a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, já discute abertamente sua indicação. O atual titular da pasta, deputado Rodrigo Garcia, indicou o nome de Marcos Cintra, mas encontrou resistências dentro de seu próprio partido.
Para a secretaria de Planejamento, hoje nas mãos de Julio Semeghini (PSDB), são cotados os nomes de Francisco Luna - que ocupou a pasta na gestão de José Serra (PSDB) - e Barjas Negri, hoje na FDE (Fundação para o Desenvolvimento da Educação).