Tribuna do Leitor

Os novos desafios da USP


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A posse do novo reitor da USP, Marco Antonio Zago, no próximo sábado, dia 25, será realmente um marco para a Instituição e também para o Brasil. Isso porque a solenidade acontecerá numa data especial para a USP, que estará comemorando 80 anos e, para a cidade de São Paulo, que completará 460 anos.

Mas a partir da cerimônia, o trabalho do novo reitor será intenso e em busca de uma relação mais justa com a sociedade brasileira. Afinal, não é possível admitir que a melhor universidade brasileira, mas apenas a 226ª melhor do mundo, usou 100% dos R$ 4,3 bilhões que recebeu do governo do Estado de São Paulo apenas com salários de seu quadro de funcionários. Este orçamento é maior que o de 95% dos municípios brasileiros que, no cotidiano, ajudam diretamente a manter os privilégios da USP.

Digo isso porque as universidades públicas paulistas são mantidas exclusivamente com recursos do ICMS, imposto pago diariamente por todos os paulistas, mesmo àqueles que jamais terão acesso à USP, Unesp e Unicamp. No caso específico da USP, há uma grande injustiça social, realidade também vivida pelas demais universidades públicas.

Mesmo bancada pelo ICMS pago por todos os paulistas e repassado pelo Estado, 69% dos calouros estudaram em colégios particulares, uma inversão de valores que causa indignação para uma tradicional e conceituada Instituição de Ensino mantida com recursos públicos. Na verdade, este percentual deveria ser inverso, ou seja, 69% de calouros vindos do ensino público.

No atual modelo, a sociedade paga cada vez mais impostos para garantir o acesso privilegiado e restrito às universidades públicas brasileiras e paulistas. Além de ser mais reconhecida internacionalmente e reduzir a burocracia, acredito que o principal desafio do novo reitor será trabalhar para ampliar a integração da USP à sociedade, promovendo maior justiça social.

José Eduardo Amantini - jornalista e prefeito de Itapuí - SP

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