A possibilidade de Bauru, Agudos e Pederneiras contarem com uma unidade de conservação denominada Refúgio de Vida Silvestre Bauru-Aymorés resultou na criação de uma subcomissão que estudará o assunto. A decisão foi deliberada anteontem, em reunião realizada na sede da diretoria de Bauru do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), onde cerca de 30 pessoas estiveram reunidas.
Na oportunidade, os presentes acordaram que a subcomissão será formada por entidades como o próprio Ciesp, o Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Condema) e a Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Bauru (Assenag), cujos representantes estiveram presentes no encontro de anteontem, além de outras entidades que ainda serão convidadas a participar do trabalho, como é o caso do Sindicato da Construção (SindusCon) e o Sindicato da Habitação (Secovi), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma).
A reunião ainda contou com membros de associações rurais, associações de moradores e representantes das cidades de Agudos e Pederneiras, municípios que acompanharão os trabalhos em Bauru, mas que também saíram com a incumbência de elaborar documentos com demandas específicas de suas áreas. Conforme o Jornal da Cidade divulgou, a proposta de demarcação de áreas de cerrado em Bauru, Agudos e Pederneiras provocou resistências.
Desenvolvimento
O trecho de Bauru inclui área da Universidade Estadual Paulista (Unesp); do Jardim Botânico; Instituto Lauro Souza Lima; Jardim Manchester, Vale do Igapó; assentamento Aymorés; e outras propriedades particulares. Nos trechos em questão, além da flora, foi constatada a presença de 35 espécies de anfíbios, 27 mamíferos e 183 aves, sendo que apenas 1% da vegetação natural de cerrado no Estado foi preservada.
Mas a preocupação dos presentes na reunião é que a demarcação, aliada à lei do Cerrado e às Áreas de Proteção Ambienta (Apas), seja capaz de travar o desenvolvimento do município, explica o Diretor regional do Ciesp, Domingos Malandrino. De acordo com ele, o tipo de unidade de conservação proposta para Bauru, Agudos e Pederneiras também prevê uma área de amortecimento entre cinco e dez quilômetros em todo o entorno da unidade de conservação.
A zona de amortecimento é trecho onde as atividades humanas estão sujeitas a normas e restrições com o propósito de minimizar os impactos negativos sobre a unidade. Ela foi prevista para servir de filtro aos problemas ambientais que o meio externo pode gerar. “A reunião foi proveitosa”, conclui Malandrino, informação confirmada com presentes como os vereadores Lima Júnior (PSDB) e Sandro Bussola (PT).
Nova reunião
O estudo que a subcomissão fará envolvendo as implicações e impactos da unidade de conservação em áreas de Bauru, Agudos e Pederneiras será apresentado em nova reunião a ser realizada no Ciesp, a partir das 17h, do próximo dia 3. Na ocasião, todos os interessados estão convidados a participar para que suas contribuições sejam incluídas na proposta que será discutida dia 12, quando uma audiência pública sobre o tema será realizada na Câmara Municipal.
Antes, porém, no dia 5 de fevereiro, o advogado e coordenador de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Ciesp, Kláudio Cóffani, vai a São Paulo tratar do mesmo assunto. Na oportunidade, já estará ciente das demandas de todos os segmentos locais envolvidos na criação da unidade de conservação, que serão novamente discutidas na audiência pública assinada pelos vereadores tucanos Arildo Lima Júnior e Fernando Mantovani. O debate, inclusive, foi sugerido pelo próprio secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Bruno Covas.
“Ele se comprometeu a parar o processo para que a cidade fizesse uma contraproposta”, informa Arildo. De acordo com ele, a ideia é que o estudo seja remetido à Capital já no próximo mês. Diante do prazo, na última reunião do PSDB realizada no escritório político do deputado Pedro Tobias (PSDB) ficou definido que as mobilizações em torno do tema fossem desencadeadas.