A trégua estabelecida entre opositores e o governo da Ucrânia foi encerrada ontem à tarde sem incidentes, depois dos confrontos violentos em Kiev que haviam deixado quatro mortos um dia antes. À meia-noite local, desafiando a temperatura abaixo de zero e envoltos pela neve acumulada pelos dias anteriores, manifestantes permaneciam na praça da Independência, palco dos protestos.
Paralelamente, circulavam pela Internet os relatos e os registros de vítimas de violência, que acusavam o governo de práticas brutais. Jornalistas criaram um grupo de apoio para monitorar colegas e denunciar abusos.
A trégua fora proposta pelo influente líder opositor e ex-boxeador, Vitaly Klitschko, para dialogar com o presidente Viktor Yanukovich.
A oposição pede a convocação de novas eleições presidenciais, a renúncia do gabinete do primeiro-ministro e a retirada da nova lei que limita ações nos protestos.
“Nosso objetivo é acabar com o derramamento de sangue. As chances são muito grandes”, disse Yatsenyuk após quatro horas de negociações com Yanukovich.
Alarme no Exterior
A turbulência na Ucrânia vem causando preocupação no exterior. Um porta-voz da Casa Branca alertou para possíveis sanções contra o país e disse que as tensões eram o resultado direto de um governo que fracassa em reconhecer as “legítimas” reivindicações de seu povo. A chanceler alemã, Angela Merkel, expressou revolta com a repressão aos manifestantes. O presidente francês, François Hollande, apelou às autoridade ucranianas que “busquem rapidamente o diálogo”.
O ex-líder soviético Mikhail Gorbachev pediu que os presidentes da Rússia e Estados Unidos ajudem a mediar negociações e disse que a Ucrânia está diante de uma possível “catástrofe”.