Rivaldo está convencido: vamos passar vergonha. O craque do Brasil na conquista de 2002 fala em tom de desabafo sobre a Copa de 2014. E diz que a dinheirama seria mais útil em setores essenciais, como saúde e educação.
O risco existe: há gastança e, por muitos anos ainda, poderemos ter revelações múltiplas sobre os bastidores estruturais do torneio. E provavelmente alguns escândalos virão à tona após a entrega da taça. Precisamos, sim, investir mais em saúde, educação, etc.
É um dilema a triste realidade dos homens em contraponto ao lado lúdico e mágico que é ver um capítulo da história acontecer na nossa grama. Futebol é o mais praticado esporte do mundo, a paixão nacional, o jogo da inteligência bruta e do bailado competitivo. É bacana sediar a Copa e ser contemporâneo disso.
Como o papel da maioria é de "apenas" torcida, resta cruzar os dedos para que os escândalos não venham e o título, sim. O estado de alerta crítico do discreto Rivaldo, no entanto, merece ser levado a sério.
Durante a semana vi algumas barbaridades cometidas pela organização da Copa de 78 na Argentina e a elegância em preto e branco da final de 54. Ninguém ali, sendo vilão oculto ou herói assistido, quer passar vergonha.
Passar vergonha é uma das coisas que mais aflige o ser humano desde que o homem ficou com cara de tacho ao fracassar nas primeiras cavérnicas tentativas de fazer fogo com gravetos. Coloque-se isso em proporções continentais, globais, "onlaines". Não queria estar na pele da cantora da abertura: será a bobinha Cláudia Leitte?
Vergonha será cair nas oitavas. Mas a maior de todas será aquela que Rivaldo teme: fazer a Copa com os direitos do cidadão no banco de reserva. Será que teremos protestos da massa? Volto à minha condição de torcida: que a seleção ganhe tudo, que os safados roubem nada. Que a utopia vença a vergonha.
O autor, João Pedro Feza, é editor executivo do JC