Fotos/João Rosan |
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Para evitar atrasos, Jhuan preparou o material que será utilizado a partir de hoje |
O aumento do fluxo de carros e ônibus nas ruas e a pressão do relógio sobre pais e filhos marcam hoje a volta às aulas de aproximadamente 70 mil estudantes de Bauru.
A ansiedade do reencontro ou da mudança, o desconforto com horário e a preocupação com os novos compromissos são sentimentos que permeiam tanto os 51.400 matriculados em escolas estaduais do município, quanto os cerca de 20 mil que frequentam instituições particulares na cidade.
Sejam crianças ou adolescentes, o fim dos quase dois meses de férias exige nova postura, comportamento que abarca toda a família.
Nesta nova fase, iniciada em ano de Copa do Mundo, o calendário escolar não deve passar despercebido. Nas escolas estaduais, a Secretaria da Educação do Estado elaborou um cronograma especial. Não à toa, o início das aulas antes tradicionalmente marcado para o primeiro dia letivo de fevereiro foi antecipado.
As férias do meio do ano também acontecem mais cedo, entre 12 de junho e 13 de julho, período dos jogos.
“Sempre temos 15 dias de férias dos professores e mais 15 dias de recesso. Neste ano, não será tudo centralizado em julho. As férias começam uma quinzena mais cedo”, reitera a dirigente de regional de ensino, Gina Sanchez. De acordo com ela, o calendário das escolas estaduais sofrerá mais uma alteração no segundo semestre, quando Bauru sediará os Jogos Abertos.
Por conta do evento esportivo, a semana de recesso que acontece em todo o território paulista entre os dias 13 e 19 de outubro, no município será de 3 a 7 de novembro, período em que os atletas estarão em Bauru para a competição.
O Estado garante, porém, os 200 dias letivos. “Só concluiremos o ano na segunda quinzena de dezembro”, acrescenta Gina Sanchez. No caso das escolas particulares, cada uma delas fará seu próprio calendário. É preciso que os responsáveis pelos alunos busquem informações junto às diretorias.
Comportamento
Além de prestar atenção nas datas, os estudantes precisam organizar o tempo com a mudança na rotina. O corpo humano demora alguns dias para se adaptar às mudanças. Por isso, especialmente para os alunos que estudam no período matutino, a sugestão da dirigente regional de ensino é dormir mais cedo. A medida virou obrigatória na casa do estudante Jhuan Carlos Alessandro de Freitas, 12 anos.
A partir deste ano, ele passou a estudar pela manhã, embora já estivesse acostumado com o horário da tarde.
Apesar da dificuldade em acordar, terá de pular da cama às 6h para não atrasar. Jhuan deixou justamente para hoje a descoberta sobre o melhor horário de circulares para levá-lo até a escola estadual onde está matriculado. “Vou ter que acordar na marra”, comenta, sorridente.
O estudante que prefere as aulas de ciências diz que, durante o ano letivo, conta os dias para a chegada das férias, mas durante o recesso do final do ano não vê a hora que as aulas retornem para reencontrar os amigos.
A expectativa dele é idêntica à de Luísa Vieira, 10 anos, matriculada em uma escola particular da cidade. Ontem, ela ainda escolhia uma mochila que combinasse com o estojo que tem.
“Dá gosto de comprar material para ela porque é uma excelente aluna”, conta a mãe, Franciane Vieira. A filha dela também mudará o horário de aula para a manhã, alteração que mexerá com a rotina da família, embora Luísa já estivesse acostumada a acordar cedo.
Adolescentes
Apesar de o sofrimento ser imensurável e variar de acordo com a faixa etária, os jovens tendem a sofrer mais. É nessa fase que os adolescentes formam grupos, que são fundamentais na construção de sua identidade e autonomia. Nesse período, acontece o fortalecimento dos laços com os amigos e, consequentemente, o rompimento das relações com os pais.
“Propor o afastamento do grupo pode parecer-lhes trágico, mas também nessas circunstâncias são os pais os responsáveis pela decisão e, caso decidam mudar os filhos adolescentes de escola, vale também o apoio. Pode-se propor uma reunião com os novos colegas da classe em casa para facilitar o entrosamento”, sugere a educadora.
Para Anita, o envolvimento dos educadores também é fundamental nessa fase delicada. “Os professores têm como tarefa profissional ajudar no processo de adaptação. É preciso que alguém da escola apresente o novo colega aos demais e conte sua história ao corpo docente. Atitudes como aproximar-se do novato, mostrar os diferentes ambientes da escola e colocar-se à disposição para ajudá-lo em momentos de dificuldade são iniciativas que dão resultado”, recomenda.
Mediante todos os esforços, se o aluno ainda apresentar dificuldades em adaptar-se, a decisão pode ser repensada. A pedagoga Anita Adas aponta dois caminhos: ou decide-se por uma nova mudança, ou tenta-se, junto ao filho, encarar a frustração como processo de amadurecimento.
Mudança sem angústia
Muitos alunos estão ansiosos para rever os amigos, os professores e para conhecer os novos alunos, na primeira semana de volta às aulas.
Mas quem está mudando de escola vive a angústia, mais intensa entre adolescentes do que crianças, de imaginar como será o ano em uma nova realidade.
A alteração – à primeira vista traumática – deve ser vista como um processo de adaptação e receber total apoio dos pais, destaca a pedagoga Anita Adas, mestre em educação escolar.
De acordo com ela, os pais sempre devem expor os reais motivos da escolha de uma nova escola, como troca de endereço, incompatibilidade da família com a proposta da escola, não adaptação da criança ao projeto escolar, entre outros. “A mudança pode ser vista de uma forma benéfica, porque a vida é assim, nada é estático ou imóvel. Sejam verdadeiros e comuniquem os reais fatores que os levaram à decisão”, explica.
No entanto, nem sempre as justificativas convencem os pequenos. Nesse caso, deve ficar claro que o poder de decisão é dos pais, porque a criança não tem condições de avaliar se uma escola é melhor ou não.
“Ela (criança) pode externar mal-estar e manifestar sofrimento, mas se os pais estiverem seguros de que a decisão foi a melhor, não devem ceder às birras. Muito diálogo, muita escuta e amparo são importantes nesse momento. Levar a criança ao novo ambiente, deixar que ela os veja abraçando os educadores e conversando com eles e até frequentar a escola por alguns dias são dicas que costumam dar certo”, orienta Anita.
Aos pais cabe a percepção de que na vida acontecem diversas situações de adaptação, por isso essa fase deve ser respeitada.
“Os filhos precisam perceber que os pais confiam nos educadores e no projeto da nova escola. As crianças comunicam-se e criam laços facilmente, basta observá-las em uma praça ou parque. Logo farão novos amigos”, acrescenta a pedagoga.
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A aluna Luísa Vieira escolhia ontem uma mochila para o primeiro dia de aula |
Material escolar
Na semana da volta às aulas, cabe aos pais ajudar os alunos a organizar o material utilizado no dia a dia, de modo a estabelecer uma rotina para o ano. A orientação é da dirigente regional de ensino, Gina Sanchez. Segundo ela, a conservação do material particular do aluno, assim como o que será entregue pelo Estado, deve começar desde o primeiro dia de aula.
Os estudantes matriculados entre o 6º e o 9º anos receberam da Secretaria do Estado da Educação o material conhecido como Caderno do Aluno. “É como se fosse uma apostila com o conteúdo de todas as disciplinas do primeiro e segundo semestres”, informa a dirigente de ensino.
Já o caderno pessoal, lápis e borracha, por exemplo, ficam por conta da família, sendo que a Associação de Pais e Mestres (APM) atende os alunos com maior dificuldade financeira.
Aulas da rede municipal começam dia 3
As aulas dos alunos da rede municipal de ensino fundamental e do Centro de Educação para Jovens e Adultos terão início na próxima segunda-feira, dia 3 de fevereiro.
Já os alunos da educação infantil (Emeis, Emeiis e creches conveniadas) retornam às atividades normais um dia depois, terça-feira, em virtude da necessidade de organização de todas as escolas, principalmente aquelas que serviram como polos durante o período de atendimento especial de férias.
De acordo com levantamento realizado no final do ano passado, 9.280 alunos estavam matriculados na rede municipal de educação infantil, em 62 escolas.
Outros 8.478 eram atendidos nas 16 escolas da rede de ensino fundamental, além de 3.240 alunos atendidos pelas creches conveniadas.
Bem-vindos
As escolas estaduais recebem da Secretaria da Educação do Estado material com diretrizes para o ano letivo, onde consta pedido aos diretores para que orientem seus professores a receberem de modo diferenciado os novos alunos.
“A ideia é que mostrem o espaço físico, apresentem o aluno à turma e compartilhem as normas da escola para uma convivência saudável”, explica a dirigente regional de ensino, Gina Sanchez.
De acordo com ela, a orientação é dirigida tanto para quem muda de escola, quanto para as crianças que iniciam o 1º ano do 1º ciclo do ensino fundamental.
Mas, independentemente da situação, principalmente nesta, a participação da família é considerada fundamental. “Os pais precisam se interessar pelo professor de seu filho, pelas atividades da escola, precisam fazer uma parceria com a escola”, acrescenta.
Dicas para uma mudança menos traumática
Ficar ao lado (física e emocionalmente) dos filhos diante do novo
Ser verdadeiro e comunicar os reais fatores que levaram à decisão
Acompanhar os passos da mudança
Encorajar os filhos diante dos primeiros temores
Conversar com os professores e solicitar uma comunicação mais próxima
Perguntar sobre os desafios de cada dia
Ajudar nas primeiras tarefas, que podem parecer estranhas
No caso das crianças, propor um período de adaptação
Incentivar novas amizades
Promover uma “noite do pijama” em casa e convidar os novos amigos
Observar a cultura escolar e segui-la para a criança não se sentir deslocada
Ficar sempre alerta: se os sinais de sofrimento não diminuírem, procurar ajuda junto à escola

