Procuramos alternativa se a vida na Terra ficar muito difícil. Temos que encontrar um planeta semelhante onde possamos aplicar o conhecimento na montagem de um novo mundo. Se enviarmos pessoas do bem e inteligentes, farão bem melhor, mas se como os portugueses mandarmos apenas degradados e prisioneiros para as colônias, passaremos as mesmas dificuldades.
Os programas espaciais descobriram que existem planetas parecidos com a Terra, mas ficam muito longe, em outras galáxias, fora da nossa Via Láctea! Nem daria para visitar a Terra nas férias e fazermos um “rolezinho”. Estamos procurando planetas parecidos, mas em nossa galáxia. Não pode ser tão próximo do Sol (seria muito quente) e nem muito longe (seria muito frio). Um requisito: deve ter água na superfície.
Estamos procurando outros planetas para fugir, criar filiais, explorar ou construirmos algo melhor? Confesso, tenho muitas dúvidas. Precisamos tanto da água que temos, mas não cuidamos: urina-se em piscinas, praias e rios, joga-se esgoto não tratado e os navios cargueiros e luxuosos transatlânticos, que tantos curtem, são os maiores emporcalhadores das águas marinhas. Quando alguém aciona a descarga não pensa para onde irá o que foi jogado fora?
Fico observando as notícias sobre enchentes, desmoronamentos e outras tragédias semelhantes. Nenhum repórter ou comentarista questiona o que e quem entupiu os bueiros: talvez seja medo de incriminar amigos e parentes. Alguém jogou papel, plástico, sofás, cadeiras, pneus, absorventes e outras coisas na ruas e a chuva levou para a esquina ou baixada entupir o escoamento normal da água.
Se, nas calçadas, metade da superfície fosse obrigatoriamente de gramas ou vegetais com exposição da terra, a maior parte das águas ficaria por ali mesmo no quarteirão, não iria para as galerias pluviais: uma calçada ecologicamente correta. Claro que dá trabalho! Quem não fizesse seria mensalmente multado. Claro que teríamos que conscientizar os donos de animais a coletar os dejetos assim que evacuados!
Se em cada esquina obrigatoriamente tivéssemos bueiros para as galerias, e nestes fossem apenas as águas da chuva, não haveria entupimentos nem enchentes. Mas nas reportagens e comentários ninguém fala sobre isto: talvez para não incriminar parentes e amigos, ou ainda, talvez, para não se sentirem culpados, pois nas próximas horas estarão fazendo isto em suas casas e bairros.
Em cada avenida deveria estar escrito assim: “esta cidade é limpa porque não sujamos!”. Pelo cocô fossilizado de animais e homens, sabe-se exatamente como viviam e pelo lixo também! Existe a ciência do lixo: pelo lixo sabe-se precisamente quem tu és! O lixo deveria ter confidencialidade, é coisa séria. O preço da água deveria ser mais em conta, mas a taxa do recolhimento de lixo deveria ser pelo peso e o preço por quilo propositadamente muito caro. Produzimos demasiadamente muito lixo!
Se em Ceres existe vida consciente, os seres devem estar preocupados. Na revista “Nature”, a Agência Espacial Europeia, liderada por Michael Kuppers, publicou as últimas descobertas sobre o planeta-anão Ceres no nosso sistema solar.
Um astro para ser considerado planeta deve ter um determinado tamanho, senão deve ser chamado de asteroide, cometa ou, quiçá, meteorito. Ceres tem 950 km de diâmetro e recebeu este nome em homenagem à deusa da agricultura. Plutão posou de planeta muito tempo, mas descobriu-se que não era tão grande assim e foi rebaixado para planeta-anão, uma humilhação!
Entre Júpiter e Marte está Ceres, numa região conhecida como Cinturão dos Asteroides. Em linha reta temos o Sol, depois Mercúrio, Vênus, Terra, Marte e Ceres está antes de Júpiter. Em Ceres tem água na superfície como revelou o telescópio infravermelho Herschel, embora na forma de vapor. O vapor sai do planeta em dois pontos diferentes advindo do gelo de crateras em forma de vulcões ou criovulcões! Como dois umidificadores de ambiente, incrível, eles têm gelo no lugar de larva, mas a sonda espacial Darwin em 2015 checará tudo isto.
Será que achamos o local para nossa primeira filial? Pobre Ceres! Por aqui já devem estar discutindo quem vai ganhar cada licitação e dividindo o seu solo em verdadeiras capitanias hereditárias! Pelo menos, que a avenida central de lá não se chame ironicamente “Nações Unidas” nem viva afundada em problemas!
Alberto Consolaro é? professor titular da USP - Bauru. Escreve todas as segundas-feiras no JC.
Email: consolaro@uol.com.br