Regional

Avaí: quadrilha atira em policiais militares e explode caixas eletrônicos

Por Marcus Liborio com Paola Patriarca | Colaborou Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 5 min

Douglas Reis

Caixas eletrônicos de Avaí foram alvos de quadrilha fortemente armada

Mais de 10 minutos de tiros, explosão e ataque a policias militares. Esse foi o saldo de mais um roubo a caixas eletrônicos na região de Bauru, ocorrido na madrugada desta terça-feira (28), no Centro de Avaí (39 quilômetros de Bauru). Uma quadrilha fortemente armada levou um dos equipamentos do Banco do Brasil, após detonar uma dinamite, que deixou destruída a frente da agência, localizada na rua Rio Branco.

Douglas Reis

Viatura da PM foi alvejada pelos criminosos

Os bandidos, armados com fuzil e pistolas, atiraram contra a base da Polícia Militar (PM), uma viatura policial e três PMs, que se abrigaram atrás de postes e árvores para não serem alvejados. Residências e carros foram atingidos pelos disparos e um dos policiais sofreu ferimentos leves após se arrastar pelo chão.

Na fuga, uma viatura de inspeção de tráfico da Concessionária Via Rondon, que trafegava pela vicinal de acesso à rodovia Marechal Rondon (SP-300), foi atingida por um dos quatro tiros efetuados pelos criminosos, que fugiram em dois Honda Civic prata. O motorista da viatura, que estava sozinho, não se feriu.

Os veículos usados pela quadrilha, que são produtos de roubo em Campinas, foram abandonados a cerca de dois quilômetros da cidade, em outra vicinal que liga Avaí a Duartina. Um dos carros estava com placas diferentes na frente e atrás.

A Polícia Militar (PM) da região de Bauru e o helicóptero Águia da PM foram acionados para o atendimento da ocorrência e realizam buscas pela área para localizarem os bandidos, mas ninguém ainda foi preso.

Ação

A ação ocorreu por volta das 5h. Segundo o relato do soldado da PM, a quadrilha já chegou atirando contra a equipe e a guarnição precisou se abrigar para não ser atingida. “Eu e meu colega chegávamos de uma patrulha. Depois que descemos da viatura, vimos os dois Honda Civic subindo a rua da frente da base em alta velocidade. Eles deram a volta no quarteirão e, quando olhamos para a outra quadra, já estavam próximos da gente e desceram a rua atirando”, conta.

Um sargento da PM, que chegava em seu veículo particular para assumir o plantão, também foi surpreendido pelos bandidos. A viatura policial que estava em frente à companhia ficou parcialmente destruída. Vidros foram quebrados e parte da lataria ficou com marcas de tiros.

'Só pensava em me proteger’

O soldado, que teve a identidade preservada pela reportagem, contou que já trocou tiros com bandidos em uma ocorrência de roubo em Piracicaba, mas nunca havia passado por nada parecido como a situação de hoje. “Só pensava em me proteger e pedir para Deus que nada de ruim acontecesse”, desabafa.

As marcas de sangue no braço direito retratam os momentos de tensão vividos por ele durante o ataque da quadrilha. “Rastejamos no chão e nos abrigamos atrás de postes e árvores. A ação durou cerca de 15 minutos e todo o tempo eles atiraram contra nós”, lembra.

Segundo o policial, parte da quadrilha efetuava os disparos enquanto o restante dinamitava os caixas. “Eu ouvi o barulho e vi uma fumaça. Logo após, eles entraram nos carros e fugiram”.

De acordo com o gerente do banco, havia três caixas eletrônicos na agência. Um teria sido levado pelos bandidos e os outros dois ficaram danificados. O equipamento roubado é terceirizado e, por armazenar mais dinheiro, acaba sendo alvo das quadrilhas.

A agência ficou totalmente destruída e algumas cédulas ficaram pelo chão do estabelecimento. Não há informações da quantia levada.

Uma dinamite não chegou a explodir e ficou presa em um dos equipamentos. A equipe do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) de São Paulo foi acionada para retirar o explosivo sem oferecer risco à população.

Em frente à agência, sobre a calçada de um estabelecimento comercial, havia diversos cartuchos de fuzil - calibre 762 - e de pistola.45. A cena, que remete a filmes de guerra, chamou a atenção de todos que passavam pelo local.  

Douglas Reis

Um dos explosivos não detonou e ficou em um dos caixas eletrônicos

‘A casa chegou a tremer’

“A casa chegou a tremer”, disse uma  vizinha do banco sobre a explosão. Ela dormia em uma das residências que fica de frente à agência. “O barulho foi muito alto e dava a impressão que tudo ia cair”, lembra.

Ela trabalha em Bauru e está passando férias na casa da mãe, de 74 anos. No momento do ataque, ela, a mãe e sua filha, de apenas 4 anos, se trancaram em um quarto nos fundos do imóvel. “Acordamos com o barulho dos tiros e tentamos entender o que acontecia. Fiquei com medo que os disparos viessem na direção da casa”, conta.

O barulho dos tiros e da explosão também puderem ser ouvidos pela dona de casa Alice de Fátima da Silva Mateus, 50 anos, que mora a aproximadamente um quilômetro da agência, no bairro Cohab. “Eu fazia o café da manhã quando ouvi os tiros. Fiquei com medo, pois não sabia o que era. Nunca aconteceu isso aqui. Abalou todo mundo”, lamenta.

Avaí tem cerca de 6 mil habitantes e a ação da quadrilha mobilizou todos os moradores. O movimento de populares em frente ao banco foi intenso durante a manhã. 

Douglas Reis

Viatura da PM também foi alvo dos bandidos em Avaí

Investigações

De acordo com o delegado Silberto Sevilha Martins, que responde pelo expediente da delegacia de Avaí, uma “falha na execução do plano” pode ter feito com que a quadrilha fugisse sem conseguir levar nada.

“Pela dinâmica, o que nós presumimos é que eles cometeram algumas falhas na execução do plano. Uma das dinamites não chegou a explodir e a outra explodiu numa potência absurda. Tanto é que eles deixaram para trás munição, dinheiro”, afirma.

Ele revela que o grupo colocou bananas de dinamite no primeiro e no terceiro caixas, mas apenas a última explodiu. Este equipamento, que havia sido abastecido anteontem, ficou completamente destruído.

“A explosão foi tão forte que desintegrou o equipamento, o que fez com que o dinheiro ficasse espalhado. Por essa razão é que eles não levaram as gavetas. A gente acredita até que, de repente, não teve nenhum prejuízo patrimonial”, diz.

Em relação ao segundo caixa, que também foi bastante danificado, a polícia não conseguiu precisar se a gaveta onde fica o dinheiro foi levada. Ainda segundo o delegado, as investigações para tentar chegar aos autores do crime serão conduzidas pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Bauru.

 

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