Polícia

Janeiro já chega ao 7º homicídio e iguala a marca violenta de 2010

Por Vitor Oshiro | Com Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Malavolta Jr.

Júlia Keine estava sentada no degrau da porta de casa quando foi atingida na cabeça

Juntamente com 2010, este mês de janeiro, faltando ainda dois dias para acabar, já é o mais violento dos últimos sete anos. A vítima mais recente da triste estatística foi Júlia Aparecida Keine, de 52 anos. A mulher, que foi atingida no último dia 18 por um projétil destinado ao seu filho, morreu na madrugada de ontem.

O crime ocorreu na quadra 20 da rua Santos Dumont, no Jardim São José, região do Jardim Bela Vista. Conforme o JC publicou, Júlia tomou um tiro na cabeça quando estava sentada no degrau da porta de sua casa. O disparo partiu de um Golf preto, que fugiu na sequência.

De acordo com a polícia, o tiro era endereçado ao filho da vítima, Silvio Carlos Keine de Souza, 31 anos. O rapaz teria dívida de drogas com o acusado (leia mais abaixo).  

Quando a viatura policial chegou ao local, ela já havia sido socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhada à Unidade de Terapia Intensiva do (UTI) do Hospital de Base (HB), onde estava internada. Ontem, porém, não resistiu e morreu.

Com base no relato de testemunhas, uma equipe da Força Tática da Polícia Militar (PM) conseguiu localizar o autor dos disparos. Claudemir Teixeira da Luz Junior, 29 anos, foi detido em sua residência, na quadra 2 da rua Tertuliano de Andrade Bueno, na Vila Bom Jesus, próximo à casa da vítima, e confessou o crime.

O velório de Júlia ocorreu no Centro Velatório Municipal Liberato Tayano e o corpo foi sepultado ainda ontem no Cemitério Cristo Rei.

Difícil prevenção

Com o homicídio de Júlia, 2014 começa com uma marca triste e preocupante. De acordo com levantamento extraoficial do Jornal da Cidade, nos últimos sete anos, somente em 2010 o primeiro mês do ano havia atingido a marca de sete assassinatos.

“O homicídio é um crime que consideramos algo pontual. É algo de difícil prevenção. Na maior parte dos casos, o assassino é um criminoso eventual e não em potencial. Então, não podemos falar em tendência para o ano”, pondera o delegado seccional de Bauru, Ricardo Martines.

Contudo, faltando ainda dois dias para o mês acabar, a média já assusta. Trata-se de um homicídio a cada quatro dias.

Em entrevista recente ao JC, o major Flávio Jun Kitazume, comandante interino do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPMI), também comentou o mês com violência acima da média. “É algo que nos preocupa. Vemos que muitos homicídios de 2014 foram por motivos fúteis”, disse.


 

Divulgação

Claudemir relatou que não conseguia receber o dinheiro

Motivo foi dívida de drogas; atirador e filho da vítima cumpriram pena juntos

O sétimo homicídio de 2014 foi motivado por uma dívida de drogas. Claudemir Teixeira da Luz Junior, 29 anos, contou à polícia que, em 2006, cumpriu pena na mesma unidade prisional onde o filho de Júlia, Silvio Keine, ficou preso.

Na ocasião, segundo a versão de Claudemir à PM, Silvio teria contraído uma dívida com ele relacionada à compra de entorpecentes, que não foi paga.

Claudemir relatou aos policiais militares que, nos últimos meses, vinha tentando receber o dinheiro, sem sucesso.

Como as ameaças não surtiram efeito, ele teria decidido matar o desafeto. Claudemir diz que avistou Silvio na casa e desceu do carro com a arma engatilhada.

Ele alegou que, no momento em que efetuou o disparo, Silvio saiu correndo e o tiro acabou acertando a cabeça da mãe do alvo. A arma do crime não foi localizada.


Tempestade após a calmaria

2014 começa bastante violento após o ano anterior ter apresentado considerável redução no índice de homicídios. Conforme o JC trouxe ontem, dados da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) mostram que os assassinatos haviam caído 25% em comparação a 2012.

A estatística oficial aponta que, em 2013, foram 35 homicídios. São 12 casos a menos do que no ano anterior.

Para se ter uma ideia, com apenas 28 dias, 2014 já soma 20% do total de assassinatos de 2013.

Antes de Júlia Keine, que morreu ontem, a última vítima fatal havia sido um homem encontrado com 60% do corpo carbonizado. Ele, que ainda não foi identificado, estava na linha férrea, nas proximidades do Terminal Rodoviário.

 

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