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Bauru está livre de temporais neste final de semana. É o que afirma o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp).
Após a onda de chuvas intensas que devastou a cidade e municípios da região, na última semana, a previsão do instituto aponta que a possibilidade de chover pelos próximos cinco dias é praticamente nula.
“A probabilidade de chuva é muito pequena, inferior a 30%, o que indica que está praticamente descartada. Também nesta sexta, sábado e domingo teremos pouca nebulosidade e muito calor. Deve chover forte apenas a partir do dia 5 de fevereiro, quando essa probabilidade aumentará para 70%”, detalha Fernando Tavares, meteorologista do IPMet.
A temperatura máxima prevista para hoje é de 34ºC e a mínima é de 21ºC. Amanhã e domingo o sol e o calor terão ainda mais intensidade, deixando a temperatura máxima em torno dos 35ºC e a mínima em 22ºC.
O período de pico do calor deve acontecer entre 14h e 17h, horários em que a umidade também deve ficar próxima ou até mesmo inferior aos 30%.
“Ontem (anteontem) registramos 25%, que já é estado de atenção. O final de semana não será tão seco, mas mesmo assim é preciso tomar cuidado com o excesso de atividades físicas nos horários de mais calor”, alerta Tavares.
Mais seco do século
A previsão do instituto reforça o fenômeno que o JC havia antecipado em edições anteriores: janeiro de 2014 deve ser o mais seco desde o início deste século.
Até ontem, penúltimo dia do mês, o acumulado de chuvas na cidade chegava a 104,04 milímetros, registro que pode ser conferido no site do instituto.
A média histórica, contudo, previa ao menos 290 milímetros de precipitação para este mês em Bauru.
Para fins comparativos, 2002 foi o único ano em que a precipitação registrada em janeiro se aproximou do acumulado atual e, mesmo assim, passou longe, chegando a 158,2 milímetros. Em 2013, janeiro registrou 284 milímetros e no ano anterior, foram 262,1 milímetros.
O recorde do acumulado de chuvas desde 2001 em Bauru foi registrado em 2011, quando janeiro atingiu índice de precipitação de 496,1 milímetros.
201 raios
Durante a chuva do dia 23 de janeiro, a maior precipitação do mês, 201 raios atingiram o solo de Bauru, segundo dados do Grupo de Eletricidade Atmosférica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Elat/Inpe).
A incidência é considerada alta, embora os casos raros estejam classificados acima do patamar de 500 raios.
Já ao longo da chuva de 24 de janeiro, o segundo maior acumulado do mês, Bauru foi acometida por 48 raios. Um deles, inclusive, foi registrado pelo fotógrafo Alex Mita especialmente para o JC.
Ainda segundo o Elat, a média histórica da cidade é de 6,18 raios por quilômetro quadrado por ano, abaixo do índice do Estado de São Paulo, que é de 9,29 raios/km² ao ano. A influência sobre o índice de raios costuma acontecer apenas em cidades com mais de 500 mil habitantes.
Serviço
A queima ou defeito de aparelhos elétricos, em decorrência da instabilidade na rede provocada pela queda de raios, deve ser comunicada à CPFL.
Para solicitar avaliação com vistas ao ressarcimento, o consumidor deve entrar em contato com a companhia em um prazo de até 90 dias depois da ocorrência.
A rede de atendimento da CPFL Paulista pode ser contatada pelo site www.cpfl.com.br ou ainda pelo telefone 0800-0101010.
Dias mais chuvosos
Com o acumulado de chuvas abaixo da média, janeiro de 2014, além de consagrar-se como um marco nos estudos meteorológicos, também demorará a cair no esquecimento de muitos bauruenses e pederneirenses.
O temporal da madrugada do dia 23 de janeiro, que em apenas duas horas registrou 23% do total de chuvas acumuladas no mês todo, causou acidentes, deixou carros e ônibus submersos em ruas e avenidas, trem descarrilado, casa e veículos destruídos por raios, quase matou pessoas em enxurradas, causou desabamentos, erosões, alagamentos e fez rios e córregos transbordarem.
Os danos resultaram em mais de uma semana de trabalho intenso da Secretaria Municipal de Obras para a recuperação dos estragos.
No dia seguinte, uma sexta-feira, voltou a chover forte, o segundo maior acúmulo de precipitação do mês (17,5 milímetros), mas, dessa vez, a chuva castigou Pederneiras.
A cidade sofreu alagamentos, teve registro de carros submersos e de ruas destruídas pela enxurrada e pela força da água que transbordou de um córrego no Centro da cidade. Na ocasião, a Defesa Civil do município avaliou o temporal como o pior registrado na história.
Inesquecível
O temporal que marcou janeiro de 2014 deixou nove famílias desabrigadas em Bauru, um total de 37 pessoas. O número refere-se a moradores que perderam quase todos os bens que tinham, além das casas.
A estatística, contudo, não computa o total de pessoas que sofrerão nos próximos meses recuperando todos os bens perdidos ou danificados pela chuva.
Na casa de Bento Emanuel de Mello, no Jardim TV, um carro e parte de uma moto que estavam na garagem da residência, além de um dos cômodos da casa, ficaram completamente destruídos pelo fogo, após um raio atingir o veículo que estava estacionado. “Vou demorar bastante para conseguir recuperar tudo”, lamentou o morador.
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Alex Mita |
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Flagrante mostra raios na região da Vila Aviação, próximo à avenida José Vicente Aiello: muitos raios, pouca chuva |

