A presidente Dilma Rousseff incluiu na reforma ministerial a Secretaria de Comunicação Social (Secom), uma das pastas mais importantes em ano eleitoral, responsável por toda a liberação de verbas publicitárias do governo. O objetivo da presidente é ter “ordem unida” na comunicação institucional das ações de governo de olho na reeleição em outubro.
Ontem, Dilma oficializou o nome dos três primeiros ministros da reforma ministerial, todos petistas. Nomeou Aloizio Mercadante para a Casa Civil, Arthur Chioro para o Ministério da Saúde, e José Henrique Paim, para a Educação. O anúncio dos nomes estava sendo aguardado para anteontem, mas acabou adiado para ontem porque Alexandre Padilha, que deixou a Saúde para se candidatar ao governo de São Paulo, precisava aparecer em cadeira de rádio e TV em um pronunciamento, cuja justificativa era informar sobre o início da vacinação de HPV, que só começa em 10 de março.
Na Secom, a mudança ocorre semana que vem. O porta-voz Thomas Traumann, 46 anos, substituirá a ministra Helena Chagas, 52 anos. O porta-voz já cuidava da estratégia de comunicação digital de Dilma, que nem sempre era a mesma decidida pela ministra para outras áreas.
A presidente optou por nomear um “operador” de mídia que, na definição de pessoas próximas a Dilma, trata-se de alguém que, de um lado, estreite a relação do Planalto com a chamada grande imprensa e, de outro, contemple mais órgãos regionais de comunicação na divisão do bolo publicitário oficial.
O PT, que defendia a substituição desde 2012, guarda ainda outra expectativa: um realinhamento editorial na definição dos patrocínios federais. O desejo é que o ministério contemple mais os veículos alinhados à defesa da administração petista.
A mudança também é uma vitória do ex-ministro da pasta nos anos Lula Franklin Martins, que vem ganhando poderes junto a Dilma desde os protestos de junho de 2013. Helena e Franklin não se davam bem nos últimos tempos devido a diferenças de visões e, com Traumann, o ex-ministro passa a ter mais influência no governo.
O poder de fogo da Secom não é desprezível: gerencia e monitora a execução de aproximadamente R$ 1,9 bilhão do Executivo e de estatais. No dia a dia, comanda as assessorias de imprensa dos demais 38 ministérios e estatais.
Tem autonomia para convocar redes obrigatórias e para contratar as agências de publicidade em campanhas institucionais do governo.
Traumann teve rápida ascensão no Planalto. Em 2011, fora convidado a ficar após a queda do chefe, Antonio Palocci, da Casa Civil. Aos poucos ganhou confiança de Dilma. De assessor, tornou-se porta-voz e, agora, ministro. Ele e Helena Chagas jamais foram próximos.
Mudanças já eram conhecidas
As outras mudanças no ministério eram conhecidas. Aloizio Mercadante, que era o titular da Educação, substituirá Gleisi Hoffmann, que sairá candidata ao governo do Paraná pelo PT neste ano. José Henrique Paim, que era secretário-executivo do Ministério da Educação (MEC), assumirá o posto.
No lugar de Alexandre Padilha, pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, ficará Chioro, atual secretário de Saúde de São Bernardo do Campo. Todos devem tomar posse na segunda-feira (veja quadro).
Trata-se da primeira etapa de uma reforma ministerial. Dilma tem sofrido pressão de partidos da base, em especial do PMDB, maior sigla da coalizão, para ceder mais espaço.
Ao longo da semana que vem, Dilma pretende dar um segundo impulso na reforma ministerial, que deverá ser feita em pelo menos três etapas. A última etapa só deverá acontecer em abril, prazo máximo para a saída de candidatos dos seus cargos públicos.
Acertada a primeira etapa da reforma, a menos problemática, Dilma dará prosseguimento às conversas com o PMDB e os demais partidos da base aliada, que querem ampliar seu poder na Esplanada. Com esta primeira etapa, ela deixa claro que algumas áreas do governo ficarão longe da cobiça dos políticos aliados, como a Educação.