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Giedren Inácio, 23 anos, faz sucesso como modelo internacional na China |
Nome de celebridade ela tem: Giedren. O “n” faz toda a diferença. É normal encontrar moças de nome Giedre, mas Giedren é superdiferente. “Não me pergunte de onde vem, essa história nem mesmo minha mãe sabe contar”, diz a bela jovem bauruense. Aliás, deixando claro: ela é jovem, 23 anos, linda, negra e alta, tem 1,84m! E evidente que, com esses atributos, se destaca em qualquer lugar que chega. Não precisa nem falar seu nome, o que também a destaca, evidentemente, mas o melhor mesmo é a imagem. Imagina o rebuliço que Giedren Inácio causa lá na China. Isso mesmo, lá do outro lado do mundo, onde a média de altura é de 1,60m entre as mulheres (dados de 2008) e onde quase não há negros.
“Até hoje é a coisa mais normal do mundo encontrar as chinesinhas, os chineses, querendo tirar fotos comigo e passar a mão nos meus braços para sentir minha pele”, conta bem-humorada. “Isso acontece em todo lugar que vou. Lá todo lugar é sempre muito lotado de gente, então, acontece muito. Até já me acostumei”.
‘Aventura’ chinesa
Giedren deixou Bauru – mais especificamente, o Jardim Bela Vista, onde morou desde a infância – no último dia de 2012. “A passagem do ano para 2013 foi dentro do avião”, destaca. Ela iria se aventurar em busca de uma carreira internacional de modelo “para valer” por lá. E não é que até agora deu tudo certo?
E não faltam histórias para contar na vida dessa modelo bauruense. Há um ano, Giedren está morando em Guangzhou Shi, uma grande metrópole na província de Guangdong, na República Popular da China. O nome da cidade se pronuncia Guanzu.
Passando férias, e cuidando de um problema de saúde (“que no fundo não era nada”), Giedren retorna depois do dia 10 de fevereiro à China. Até lá, mata saudades. “Deu tempo até de fazer um trabalhinho por aqui, uma campanha fotográfica”. E, claro, divide com a gente suas experiências. Confira a entrevista:
*** Sonho de adolescente
Aos 15 anos, Giedren tinha certeza de que queria ser modelo. Já tinha mais de 1,70m e fez inscrição para o tradicional concurso Faces. Ficou entre as finalistas. Gostou da experiência. Dali para cá, não parou mais de procurar um lugar ao sol na carreira.
*** Estudos interrompidos
De classe média, pais separados, vivendo com a mãe e mais três irmãos (uma irmã de 20 anos, um irmão de 25 e outra de 30 anos), Giedre concluiu o segundo grau no Moraes Pacheco e foi à luta. Não conseguiu custear uma faculdade. “Pensei até em fazer moda, mas não deu”. Trabalhou como vendedora e até em telemarketing. Mas não desistia do sonho.
*** O esporte deixado de lado
Como era alta, Giedren frequentou escolinhas de vôlei. Não deu. Fazia trabalhos esporádicos, desfiles aqui e na região e disputava cada vez mais concursos. Largava o vôlei para trás fácil, fácil. Mostrava suas fotos e seu portfólio sempre. Ela lembra, de forma divertida, de um técnico que sempre falava para as outras jogadoras: “Quem ela pensa que é, modelo?”
*** A chance no final de 2012
Foi através de um concurso da agência Latin Artistic de Florianópolis que ela se destacou. Foi uma das selecionadas num teste feito pelo Facebook. Uma agente entrou em contato com ela e pediu para ela mandar um vídeo. Ela mandou e foram seis meses de silêncio.
*** A ida em cima da hora
No dia 14 de dezembro de 2012, a agente ligou falando que ela deveria embarcar no dia 16. Impossível. Giedren não tinha nem passaporte. Mas conseguiu arrumar toda a documentação, pediu demissão de vendedora num emprego novo que acabara de arrumar em um shopping e correu atrás de tudo. Embarcou no último dia, na última hora: dia 30 de dezembro.
*** O medo de tráfico internacional
Quando a ida internacional surgiu, a novela Salve Jorge, exibida a partir de outubro de 2012, estava no auge. Falava-se muito do tráfico internacional e exploração de garotas. Hoje, Giedren brinca que sempre falava “com a Vanda (personagem de uma aliciadora do tráfico) eu não vou”. Mas claro que sempre bateu um medo, por mais que tivesse confiança na agência e no trabalho sério que pareciam fazer.
*** A reação da mãe
Na família, ao mesmo tempo em que os irmãos e amigos exultavam, teve de comunicar à mãe sua decisão. E a reação foi o que tinha que ser. “Ela me apoiou e disse vá ser feliz, até porque te conheço e sei que se falar para você não ir você vai do mesmo jeito”. Hoje, mãe e filha matam a saudade através do Skype, programa que a mãe teve de aprender a usar.
*** Sem falar nem inglês, que dirá o chinês
Giedren encontrou um casal de modelos brasileiros que também ia fazer o mesmo trabalho no aeroporto e os três foram sem falar nada de inglês. Em Guanzu, felizmente, tinham o apoio de uma tradutora, mas sempre mais com o inglês, porque lá a maioria dos modelos selecionados são de origem russa. Agora começa a se virar melhor com o inglês, mas de chinês não sabia nada. E ainda pretende estudar a língua que considera “muito difícil”.
*** Chegou trabalhando: fashion show em baladas
Nem bem chegou e a jovem bauruense já se integrou ao esquema de trabalho. Um desfile por dia. Todas as noites. Nas baladas. É o ritmo e o esquema por lá. Os chineses adoram o momento em que a balada para e as modelos sobem nas passarelas. É como se fosse o auge da noite, explica ela. E quase sempre os desfiles são com performances no estilo da grife americana Victoria Secret’s. “Somos as ‘angels’, os chineses adoram”.
*** A alimentação
No início da temporada emagreceu muito e muito rápido. A alimentação era o problema. “Tudo muito misturado doce com salgado e muito forte, apimentado, de arder a boca. Sofri bastante. Passava semanas comendo só banana, leite, macarrão cozido só com sal e ovo, de todo tipo, todo dia”. Depois que conheceu McDonalds, Subway e Burguer King, redes internacionais instaladas em todas as grandes cidades chinesas, daí melhorou bastante nesse quesito. Mesmo assim, ela lembra que para atender ao gosto médio do chinês a carne dos sanduíches é bem apimentada, não é tão igual ao sanduíche daqui. Por isso, ela procura comprar e cozinhar, sempre que pode, macarrão caseiro importado com batata. No começo, morria de dor de estômago com o “arroz papa chinês”.
*** Cultura da poluição e preços baixos
A diferença de cultura a tem conquistado, apesar de alguns senões. Sofre quando tem trabalhos em locais menores, quando é preciso usar banheiros chineses (fossas assépticas no chão) e lembra que só nos locais mais modernos os banheiros ocidentais já estão implantados. Outro senão é a sujeira e a poluição das grandes cidades, como a própria Guanzu e Beijin (que chamamos de Pequim e foi sede das Olimpíadas). Mas valoriza a produção que eles têm, como fazem tudo de forma bem rápida e barata. “Cheguei aqui e nem dá vontade de comprar nada por saber que tudo é da China. Lá é tudo melhor e muito mais barato. Fui com uma mala e voltei com quatro”.
*** Cuidado com a saúde
Ela gosta do estilo de vida zen do chinês, de ver como eles valorizam a saúde, as pessoas nas ruas ao ar livre praticando artes marciais. Quando precisou de exames médicos, foi tudo fácil, barato e de altíssima qualidade, sem nem precisar esperar. “Tudo feito na hora, no mesmo local, resultado saindo imediatamente, muito bom mesmo”. Mas pelo sim, pelo não, ela teve uma torção no joelho e preferiu vir tratar no Brasil. Lá falaram que seria preciso uma cirurgia. Aqui constatou que não é nada sério.
*** Mais trabalho e um bom dinheiro
Para quem chegou no dia 28 de novembro, estes dois meses aqui no Brasil serviram também para ela fazer trabalhos aqui. Mais madura, com a experiência que ganhou por lá. Agora, Giedren vai com a expectativa de ganhar mais, porque no final do ano fez trabalho televisivo, vários outdoors e isso valoriza mais o passe da modelo. Trabalha-se muito por lá. “A rotina, três vezes por semana, começa às 6h, 7h da manhã e vamos até de madrugada, mas vale a pena. Dá para ganhar bem”. Ela não fala quanto, mas fazendo a conversão acaba sendo bem mais compensador do que se estivesse por aqui.
*** Motivação amorosa
Além disso, Giedren tem outro motivo para voltar: coisas do coração. Por conta de aprender o inglês, foi só chegar na China e o amor surgiu. Encontrou no professor, um namorado. Mustafá é negro, do Sudão, de religião muçulmana. “Mas ele não é fanático”, faz logo questão de esclarecer, desfazendo qualquer tipo de preconceito.
*** Sem preconceitos, sem rótulos
E por falar em preconceito, mais uma surpresa: Giedren não sofre nenhum tipo de discriminação. Não tem nenhuma história para contar nesse sentido, ao contrário, diz que os chineses e chinesas são muito receptivos e extremamente educados. “Se sofri algo, se alguém falou alguma coisa, tem a questão da língua e não dá para perceber, mas com certeza meu namorado que entende, perceberia”. Ótimo não é? Especialmente para quem quer, a partir da China, crescer na profissão. “Foi preciso eu sair daqui para começar uma carreira de verdade e para encontrar um amor, ir para o outro lado do mundo para ter um namorado”, brinca, feliz.
