O presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, retornou ao trabalho ontem depois de quatro dias de licença médica, enquanto a oposição pressiona para ter mais reivindicações atendidas para acabar com mais de dois meses de protestos contra o governo. “Ele está de volta ao trabalho”, disse um porta-voz presidencial.
Yanukovich busca uma saída para resolver o impasse com o movimento de milhares de manifestantes que tomaram o centro de Kiev em um conflito que, por vezes, derivou para violência entre radicais e policiais.
Ao menos seis pessoas foram mortas.
A primeira tarefa urgente de Yanukovich, ao retornar depois de uma ausência vista por alguns como uma tática para ganhar tempo, é nomear um novo primeiro-ministro para suceder Mykola Azarov, que deixou o governo no dia 28 de janeiro por pressão do movimento.
Entre as reivindicações concedidas, Yanukovich aprovou na semana passada a revogação de leis antiprotestos e concedeu uma anistia condicional a ativistas que foram detidos.
Mas líderes de oposição, que têm recebido amplo apoio dos Estados Unidos e União Europeia, pressionavam ontem por mais concessões.
Com a previsão de o Parlamento se reunir hoje, a oposição busca anistia mais ampla, sob a qual todos aqueles detidos sejam libertados, e a volta da Constituição anterior, o que representaria uma redução nos poderes presidenciais de Yanukovich.
Rússia
A Rússia pediu à oposição ucraniana que desista das ameaças e ultimatos para permitir que a Ucrânia possa sair da crise profunda que se instalou no país.
“Esperamos que a oposição na Ucrânia renuncie às ameaças e ultimatos e intensifique o diálogo com as autoridades para permitir que o país possa sair da crise profunda, permanecendo no quadro constitucional”, disse em comunicado o ministério das Relações Exteriores da Rússia.
Europa e EUA planejam ajuda ao país
O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, confirmou ontem que a União Europeia e “aliados” estão trabalhando para oferecer um plano de ajuda econômica à Ucrânia.
Segundo Barroso, a UE continua disposta a firmar com o país um acordo de associação, pacto que o presidente Viktor Yanukovich negou firmar em novembro do ano passado, originando ondas de protestos pelo país.
No entanto, Barroso ressaltou, referindo-se à Rússia: “Não estamos competindo para ver quem paga mais por um acordo com a Ucrânia”. Também a porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Jen Psaki, disse anteontem que governo americano e UE mantêm contato para discutir a “assistência de que a Ucrânia pode precisar após a formação de um novo governo”.