Regional

Justiça manda executar sentença de mãe que matou filha em 2006

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Divulgação

Tatiane Pereira sendo transferida para unidade prisional da região, onde cumprirá pena do qual foi condenada

A Justiça de Agudos determinou a execução da sentença da ajudante geral Tatiane Pereira, 31 anos, acusada de colocar a filha recém-nascida viva em sacos plásticos, que foram queimados dias depois. O caso ocorreu em abril de 2006. Em 2011, ela foi condenada e, com o trânsito em julgado da sentença, ontem, a polícia cumpriu o mandado de prisão e Tatiane foi encaminhada a uma unidade prisional da região.

O crime bárbaro chocou a população de Agudos. Após horas de julgamento, em outubro de 2011, a ajudante geral foi condenada pelo Tribunal do Júri a 19 anos e 8 meses de prisão, em regime fechado, por homicídio duplamente qualificado (cometido por motivo torpe e com emprego de meio cruel) e ocultação de cadáver.

A defesa da ré, que inicialmente defendia tese de infanticídio (quando a mãe mata o próprio filho, durante o parto ou logo após ele, sob influência do estado puerperal), crime cuja pena varia de dois a seis anos de prisão, recorreu ao Tribunal de Justiça (TJ), que extinguiu a punibilidade quanto ao crime de ocultação de cadáver.

Em novembro do ano passado, a Justiça declarou o trânsito em julgado da sentença e determinou cumprimento do acórdão e a expedição do mandado de prisão contra Tatiane. Com a reforma parcial da sentença, a pena dela pelo crime de homicídio duplamente qualificado foi reduzida para 18 anos e 8 meses de prisão.

Ontem, a ajudante geral foi presa pela polícia em sua residência, no Centro de Agudos. Ela foi levada à delegacia e, no final da tarde, transferida para uma unidade prisional da região, onde irá dar início ao cumprimento da pena.

Relembre o crime

Após esconder a gravidez da família, amigos e vizinhos simulando estar com mioma no útero, no dia 28 de abril de 2006, através de parto normal, Tatiane Pereira deu à luz uma menina no Hospital de Agudos. A criança chegou ao mundo pesando 3,250 quilos e foi batizada pela própria mãe como Vitória.

O marido, operador de máquinas, na época com 28 anos, havia feito vasectomia há dois anos. Foi ele, inclusive, quem acionou uma ambulância para que a mulher, com fortes dores, fosse socorrida. Duas horas depois do parto, quando o rapaz ligou para ter notícias da esposa, foi informado sobre o nascimento do bebê.

No dia seguinte, ele tentou visitá-la, mas não pôde entrar por estar de bermuda. Antes de ter alta, no dia 30 de abril, Tatiane telefonou para o sogro para negar o parto e corrigir o suposto equívoco cometido pelo hospital. Depois de vestir a filha com roupas emprestadas pelo hospital, a mulher retornou para casa de ambulância.

Segundo apurado pelo delegado Jader Biazon, que conduziu as investigações, ela entrou na residência pela porta dos fundos, amamentou a menina e, em seguida, colocou-a viva dentro de sacolas plásticas, que foram penduradas num cômodo construído no quintal, distante do imóvel. Na ocasião, o marido e os dois filhos - de 7 e 5 anos - não estavam em casa.

Tatiane confessou à polícia que, dois dias depois, queimou os sacos plásticos numa fogueira acesa por ela no quintal do imóvel. O crime só veio à tona após uma vendedora autônoma ter questionado a acusada, que era sua cliente, sobre o bebê. Ela disse que a filha havia nascido com uma saúde muito frágil e estava prestes a morrer.

Desconfiada, a vendedora entrou em contato com o Conselho Tutelar do município, que obteve a confissão da mulher, na frente do seu marido, de que havia dado à luz a menina. Contudo, a ajudante geral alegou que havia entregue a filha a um casal, por intermédio de uma mulher de Bauru. A Polícia Civil foi acionada e localizou a suposta mulher, mas ela disse que não falava com a acusada há cerca de um ano. Após buscas na residência de Tatiane, os policiais localizaram no quintal dois ossos, provavelmente da coluna da recém-nascida. Com as provas, a mulher acabou confessando o crime.

 

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